Alguns críticos podem dizer que a ministra ou o ministro sozinhos não são os únicos responsáveis pelo orçamento, e que uma troca ministerial não teria um impacto tão grande. É verdade, o ministério não é composto por um indivíduo apenas, mas o impacto da troca pode ser maior do que se possa imaginar.
Devemos nos lembrar das indicações do segundo escalão. São diversos cargos fundamentais, como a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e toda a estrutura administrativa diretamente ligada ao ministério.
Essas agências são em grande parte responsáveis pela administração da verba destinada à ciência no país, e muitos dos cargos hoje são ocupados por cientistas experientes, que conhecem a realidade e desafio dos pesquisadores — uma atitude correta e importante por parte do atual governo federal.
Além disso, as agências são também responsáveis por desenvolver programas e estratégias a longo prazo, uma iniciativa fundamental para garantir a manutenção e impacto dos projetos de pesquisa brasileiros.
Eu já havia discutido há alguns meses o exemplo do telescópio espacial James Webb, planejado por várias décadas, e como um projeto dessa magnitude só é possível em um ambiente estável com garantias à continuação do financiamento a projetos de grande porte por um longo período.
Ao oferecer o MCTI como moeda de troca, podemos estar colocando em risco a ideia da ciência brasileira como projeto de Estado, fundamental para a nossa soberania.




