{"id":32663,"date":"2025-01-28T00:52:24","date_gmt":"2025-01-28T03:52:24","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/01\/28\/por-que-gostamos-de-consumir-conteudo-triste-na-internet\/"},"modified":"2025-01-28T00:52:24","modified_gmt":"2025-01-28T03:52:24","slug":"por-que-gostamos-de-consumir-conteudo-triste-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/01\/28\/por-que-gostamos-de-consumir-conteudo-triste-na-internet\/","title":{"rendered":"Por que gostamos de consumir conte\u00fado triste na internet"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"73d8a5f0-d8d0-11ef-bc01-8f2c83dad217.jpg Por que gostamos de consumir conte\u00fado triste na internet\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/CFEOxHQpDob60UZwxdpwWBSVrkc=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/2\/1\/czopC0ScaYcBS2zcImgg\/73d8a5f0-d8d0-11ef-bc01-8f2c83dad217.jpg.webp\" \/><br \/>     V\u00eddeos apresentando express\u00f5es simples de dor e tristeza atraem milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e dedicados admiradores nas redes sociais. Parte do conte\u00fado online de maior sucesso hoje em dia \u00e9 melanc\u00f3lico e melodram\u00e1tico<br \/>\nGetty Images<br \/>\nSeja uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o financiada por um governo, um criador de conte\u00fado tentando ganhar seguidores ou uma empresa tentando vender um produto, existe uma forma comprovada de atrair seguidores e ganhar dinheiro na internet: fazer com que as pessoas tenham algum tipo de sentimento.<br \/>\nAs plataformas de redes sociais v\u00eam sendo questionadas por incentivar os criadores a despertar a raiva entre o seu p\u00fablico. Mas estas cr\u00edticas costumam se concentrar no conte\u00fado destinado a enfurecer as pessoas e interagir com as postagens.<br \/>\nEsta pr\u00e1tica, frequentemente chamada de ragebait, vem recebendo muitas cr\u00edticas e sendo at\u00e9 responsabilizada por parte da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ocorrida nos \u00faltimos anos. Mas a raiva n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica emo\u00e7\u00e3o que leva os usu\u00e1rios das redes sociais a se deter na se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios ou repostar um v\u00eddeo.<br \/>\nA internet tamb\u00e9m est\u00e1 repleta do que alguns chamam de &#8220;sadbait&#8221; \u2013 a isca da tristeza. Ela recebe muito menos aten\u00e7\u00e3o, mas parte do conte\u00fado online de maior sucesso hoje em dia \u00e9 melanc\u00f3lico e melodram\u00e1tico.<br \/>\nOs influenciadores filmam a si pr\u00f3prios chorando. Artistas da pr\u00e1tica de golpes atraem suas v\u00edtimas com hist\u00f3rias de m\u00e1 sorte.<br \/>\nEm 2024, TikTokers atingiram centenas de milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es com um g\u00eanero de v\u00eddeos desesperados que recebeu o nome de &#8220;Corecore&#8221;. Neles, recortes de not\u00edcias e filmes depressivos s\u00e3o mostrados sobre um fundo de m\u00fasica triste.<br \/>\nAs pessoas podem achar que n\u00e3o desejam se sentir tristes. Mas postagens sombrias, melanc\u00f3licas e at\u00e9 perturbadoras parecem apresentar resultados surpreendentes entre os seres humanos e entre os algoritmos selecionadores de conte\u00fado.<br \/>\nO sucesso do sadbait pode nos dizer muito sobre a internet e sobre n\u00f3s mesmos.<br \/>\n&#8220;Imagens que mostram emo\u00e7\u00f5es fortes de qualquer tipo \u2014 raiva, tristeza, nojo ou at\u00e9 risos \u2014 cativam os espectadores&#8221;, afirma a pesquisadora e jornalista investigativa Soma Basu, da Universidade de Tampere, na Finl\u00e2ndia. Ela estuda a difus\u00e3o da m\u00eddia online.<br \/>\nOs criadores sabem que seu conte\u00fado rola nas telas em meio a um fluxo sem fim de v\u00eddeos disputando a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Ela explica que um apelo emocional, claro e urgente, pode deter os espectadores.<br \/>\nMas Basu destaca que existe algo nas imagens, particularmente de luto, que pode romper a linha que separa o p\u00fablico do conte\u00fado, criando a oportunidade de formar um tipo especial de conex\u00e3o.<br \/>\nO sadbait tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ser sempre triste para os espectadores. Outro g\u00eanero viral de sadbait no Instagram e no TikTok apresenta sele\u00e7\u00f5es de imagens geradas por intelig\u00eancia artificial, mostrando gatos com express\u00f5es desoladoras \u2014 ao som de uma vers\u00e3o cover, gerada por IA, da melanc\u00f3lica can\u00e7\u00e3o What Was I Made For, da cantora Billie Eilish, com miados no lugar da letra.<br \/>\nEsses gatinhos infelizes ficaram t\u00e3o populares que Eilish cantou a vers\u00e3o da m\u00fasica com miados em outubro, no Madison Square Garden, em Nova York (Estados Unidos). E o p\u00fablico presente cantou alegremente junto com ela.<br \/>\n&#8216;Miau miau miau&#8217;: Entenda o fen\u00f4meno dos v\u00eddeos de gatinho de Intelig\u00eancia Artificial<br \/>\nO sadbait tamb\u00e9m n\u00e3o precisa mostrar seres humanos reais e seus sentimentos.<br \/>\nNa primavera de 2024 no hemisf\u00e9rio norte, imagens geradas por IA de veteranos de guerra feridos e crian\u00e7as pobres dominaram os feeds do Facebook. Pesquisadores indicam que estas postagens ficaram entre as que mais receberam intera\u00e7\u00f5es na plataforma.<br \/>\nE, quando uma imagem gerada por IA de uma v\u00edtima imagin\u00e1ria do furac\u00e3o Helene viralizou nos Estados Unidos, influenciadores de direita e at\u00e9 uma pol\u00edtica republicana responderam que &#8220;n\u00e3o importava&#8221; que a imagem fosse falsa porque as pessoas se identificaram com ela.<br \/>\nSejam ou n\u00e3o imagens reais, as pessoas adoram essas sensa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAlgoritmos e o p\u00fablico<br \/>\nOs pesquisadores que analisam conte\u00fado altamente emocional online, seja desinforma\u00e7\u00e3o ou memes, relacionam seu sucesso aos objetivos de maximizar o envolvimento das plataformas de redes sociais.<br \/>\nSeus algoritmos s\u00e3o projetados para promover as postagens que fizerem seus usu\u00e1rios passarem mais tempo comentando, observando e compartilhando. Quanto mais rea\u00e7\u00f5es gerar uma postagem, seja qual for o motivo, maior ser\u00e1 a probabilidade de que ela seja exibida para outras pessoas.<br \/>\nA l\u00f3gica \u00e9 simples. Os usu\u00e1rios da internet, como o p\u00fablico do cinema e os leitores de livros antes deles, reagem ao conte\u00fado triste e sentimental \u2014 e os algoritmos promovem este tipo de material.<br \/>\nNas grandes plataformas de redes sociais, os criadores de conte\u00fados s\u00e3o pagos com base no tempo e na profundidade de intera\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios com suas postagens. E a melhor forma de atingir o p\u00fablico \u00e9 satisfazer os algoritmos.<br \/>\nPor isso, os criadores tentam descobrir o que a m\u00e1quina ir\u00e1 promover e alimentam aquele tipo de conte\u00fado, criando um ciclo sem fim de produ\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTalvez haja um certo cinismo nas t\u00e9cnicas usadas pelos criadores de conte\u00fado para alavancar as visualiza\u00e7\u00f5es. Mas os v\u00eddeos com sadbait n\u00e3o pretendem apenas despertar emo\u00e7\u00f5es. Eles podem oferecer um canal para vivenciar esses sentimentos e analis\u00e1-los, segundo a pesquisadora de desinforma\u00e7\u00e3o Nina Lutz, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o acho que seja uma rea\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado em si&#8221;, explica Lutz, &#8220;mas, sim, o conte\u00fado serve de espa\u00e7o para permitir o encontro de pessoas com interesses e experi\u00eancias em comum.&#8221;<br \/>\nContas no TikTok com s\u00e9ries de fotografias borradas em preto e branco de ilumina\u00e7\u00e3o de rua com legendas sobre a depress\u00e3o atingem milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. Seus perfis costumam deixar frases como &#8220;as mensagens diretas est\u00e3o abertas se voc\u00ea precisar falar&#8221;.<br \/>\nEntre os coment\u00e1rios sobre imagens claramente geradas por IA de crian\u00e7as chorando e veteranos de guerra feridos, estranhos compartilham seus problemas totalmente humanos, de forma franca e detalhada.<br \/>\n&#8220;Leio coment\u00e1rios e discuss\u00f5es sobre agress\u00f5es sexuais, perda de beb\u00eas, p\u00f3lio, aborto, perda de irm\u00e3os e filhos, profunda solid\u00e3o e crises de f\u00e9&#8221;, conta Lutz. &#8220;Temas tristes e pesados. J\u00e1 precisei me afastar do meu computador diversas vezes.&#8221;<br \/>\nUsar as postagens como lugar para falar sobre os pr\u00f3prios problemas \u00e9 uma pr\u00e1tica antiga na internet.<br \/>\n&#8220;Quando eu era adolescente, isso acontecia muito em espa\u00e7os de f\u00e3s no Tumblr, que tamb\u00e9m eram f\u00f3runs p\u00fablicos&#8221;, conta Lutz. &#8220;As pessoas est\u00e3o em busca de conex\u00e3o e a encontram em lugares talvez pouco ortodoxos.&#8221;<br \/>\nE as conversas dos usu\u00e1rios sobre suas pr\u00f3prias vidas nos coment\u00e1rios dos v\u00eddeos de sadbait atraem o olhar dos observadores, alimentando o algoritmo.<br \/>\nLeia tamb\u00e9m:<br \/>\nPagamento por foto da \u00edris atraiu meio milh\u00e3o de brasileiros, com foco na periferia de SP, at\u00e9 ser barrado pelo governo<br \/>\nMusk, MrBeast, dono da Oracle: quem vai comprar o TikTok?<br \/>\nAulas de choro<br \/>\nEste tipo de conte\u00fado \u00e9 especialmente \u00fatil em um mundo onde a tristeza pode ser tabu, explica Soma Basu.<br \/>\nEla estudou um g\u00eanero peculiar de v\u00eddeos deprimentes nas redes sociais indianas. S\u00e3o os chamados &#8220;v\u00eddeos de choro&#8221;. Neles, influenciadores indianos fazem sincroniza\u00e7\u00e3o labial e choram no TikTok, ao som de \u00e1udio repostado de filmes ou m\u00fasicas.<br \/>\nEste tipo de v\u00eddeo formou uma categoria pr\u00f3pria de conte\u00fado viral, at\u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o do aplicativo no pa\u00eds, em 2020. O sucesso foi t\u00e3o grande que \u00e9 poss\u00edvel encontrar at\u00e9 v\u00eddeos educativos que ensinam os criadores de conte\u00fado a produzir v\u00eddeos de choro.<br \/>\nAp\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o do TikTok, muitos influenciadores que fizeram carreira com v\u00eddeos de choro virais migraram para o Instagram Reels.<br \/>\nPara Basu, os v\u00eddeos de choro &#8220;viralizaram porque eles n\u00e3o se enquadram nas normas sociais aceitas&#8221;. Ver as pessoas expressarem emo\u00e7\u00f5es \u2014 o que, normalmente, s\u00f3 ocorre em privado \u2014 oferece aos espectadores &#8220;acesso raro e valioso a algo particular, velado e especial&#8221;.<br \/>\nEste tipo de intimidade digital pode parecer voyeurismo da parte do p\u00fablico e exibicionismo dos criadores. Mas o conte\u00fado triste tamb\u00e9m desempenha uma fun\u00e7\u00e3o mais profunda, expondo e comentando sobre aspectos da sociedade offline, segundo Basu.<br \/>\n&#8220;Na sua exibi\u00e7\u00e3o apaixonada de emo\u00e7\u00f5es, [estes v\u00eddeos] complicam e exp\u00f5em a fissura entre diferentes tipos de divis\u00f5es \u2014 de classe, casta ou etnia, g\u00eanero, sexualidade, grau de instru\u00e7\u00e3o e assim por diante&#8221;, explica ela.<br \/>\nUm dos fatores que faz com que o conte\u00fado triste atraia o p\u00fablico \u00e9 a cont\u00ednua releitura do seu poss\u00edvel significado<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nA transgress\u00e3o representada por exibir emo\u00e7\u00f5es em momentos inesperados ou demonstrar empatia por algu\u00e9m de outro grupo social faz parte da atra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre os v\u00eddeos de choro, explica Basu.<br \/>\nNos v\u00eddeos do TikTok, como em qualquer outro tipo de arte ou apresenta\u00e7\u00e3o, os usu\u00e1rios e criadores podem agir fora das linhas habitualmente permitidas pelos c\u00f3digos e expectativas sociais.<br \/>\nOutro fator que faz com que o conte\u00fado triste atraia o p\u00fablico \u00e9 a cont\u00ednua releitura do seu poss\u00edvel significado. &#8220;Novas interpreta\u00e7\u00f5es surgem \u00e0 medida que ele circula por diferentes grupos sociais&#8221;, segundo Basu. &#8220;Estes v\u00eddeos alimentam conex\u00f5es sociais diversas.&#8221;<br \/>\nO v\u00eddeo de choro pode come\u00e7ar com um menino adolescente na casa dos pais, explorando qual seria a sensa\u00e7\u00e3o de chorar em p\u00fablico.<br \/>\nMas ele pode se transformar em uma edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo ridicularizada por um criador ir\u00f4nico, uma ocasi\u00e3o para que duas mulheres idosas em diferentes partes do mundo se conectem pelas hist\u00f3rias dos seus filhos ou em uma carreira promissora como influenciador dirigindo carros de luxo para aquele mesmo adolescente que chorou no v\u00eddeo.<br \/>\nFoi o que aconteceu com Sagar Goswami, um dos influenciadores indianos estudados por Basu.<br \/>\nMas Nina Lutz destaca que, muitas vezes, os especialistas e observadores examinam os ecossistemas digitais como se as pessoas fossem participantes inconscientes de uma gigantesca m\u00e1quina criada para atrair a aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara ela, existem for\u00e7as t\u00e9cnicas, econ\u00f4micas e psicol\u00f3gicas importantes navegando nas \u00e1guas da internet, mas isso n\u00e3o significa que seus usu\u00e1rios estejam desatentos.<br \/>\n&#8220;As pessoas percebem isso&#8221;, explica Lutz. &#8220;Os usu\u00e1rios di\u00e1rios compreendem a economia do engajamento.&#8221;<br \/>\n&#8220;Precisamos nos afastar dessa percep\u00e7\u00e3o de que o p\u00fablico digital n\u00e3o sabe nada sobre essa din\u00e2mica \u2014 eles participam dela!&#8221;<br \/>\nOs seres humanos online n\u00e3o s\u00e3o como peixes em um barril. Pelo contr\u00e1rio, eles s\u00e3o consumidores esclarecidos que usam o barril, a \u00e1gua no seu interior e os anz\u00f3is mergulhados nela como instrumentos para atingir seus pr\u00f3prios objetivos, segundo Lutz.<br \/>\nTalvez isso explique por que grande parte do engajamento com o conte\u00fado sadbait estudado por Lutz e por outros pesquisadores \u00e9 &#8220;ao mesmo tempo, ir\u00f4nico e sincero&#8221;, segundo ela.<br \/>\nDe fato, um m\u00e9todo popular de consumo deste estilo de conte\u00fado s\u00e3o os coment\u00e1rios no pr\u00f3prio conte\u00fado, segundo Basu.<br \/>\nOs usu\u00e1rios compartilham o sadbait e outras postagens piegas para rir e ridicularizar, ou chegam a reuni-las em compila\u00e7\u00f5es do chamado conte\u00fado &#8220;cringe&#8221;.<br \/>\nMas, para os algoritmos curadores de conte\u00fado, uma curtida \u00e9 uma curtida, seja ela ir\u00f4nica ou n\u00e3o.<br \/>\nLutz afirma que muitos usu\u00e1rios sabem que os algoritmos e criadores de conte\u00fado est\u00e3o ali para manipul\u00e1-los e conseguem reconhecer quando uma postagem n\u00e3o \u00e9 sincera. Mas, se os usu\u00e1rios se envolverem em uma postagem, o sucesso \u00e9 garantido, independente do motivo e da forma de engajamento.<br \/>\nComo tudo o mais na internet, o conte\u00fado sadbait pode funcionar por uma raz\u00e3o muito simples: as pessoas querem ver aquilo.<br \/>\nLeia a vers\u00e3o original desta reportagem (em ingl\u00eas) no site BBC Innovation.<br \/>\nVeja tamb\u00e9m:<br \/>\nWorld: conhe\u00e7a projeto que paga criptomoedas por registro de \u00edris<br \/>\nUsu\u00e1rios reclamam por seguir automaticamente perfil de Trump como presidente nas redes<br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2025\/01\/26\/por-que-gostamos-de-consumir-conteudo-triste-na-internet.ghtml\">Link da Materia direta da fonte <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00eddeos apresentando express\u00f5es simples de dor e tristeza atraem milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e dedicados admiradores nas redes sociais. Parte do conte\u00fado online de maior sucesso hoje em dia \u00e9 melanc\u00f3lico e melodram\u00e1tico Getty Images Seja uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o financiada por um governo, um criador de conte\u00fado tentando ganhar seguidores ou uma empresa tentando vender um produto, existe uma forma comprovada de atrair seguidores e ganhar dinheiro na internet: fazer com que as pessoas tenham algum tipo de sentimento. As plataformas de redes sociais v\u00eam sendo questionadas por incentivar os criadores a despertar a raiva entre o seu p\u00fablico. Mas estas cr\u00edticas costumam se concentrar no conte\u00fado destinado a enfurecer as pessoas e interagir com as postagens. Esta pr\u00e1tica, frequentemente chamada de ragebait, vem recebendo muitas cr\u00edticas e sendo at\u00e9 responsabilizada por parte da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ocorrida nos \u00faltimos anos. Mas a raiva n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica emo\u00e7\u00e3o que leva os usu\u00e1rios das redes sociais a se deter na se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios ou repostar um v\u00eddeo. A internet tamb\u00e9m est\u00e1 repleta do que alguns chamam de &#8220;sadbait&#8221; \u2013 a isca da tristeza. Ela recebe muito menos aten\u00e7\u00e3o, mas parte do conte\u00fado online de maior sucesso hoje em dia \u00e9 melanc\u00f3lico e melodram\u00e1tico. Os influenciadores filmam a si pr\u00f3prios chorando. Artistas da pr\u00e1tica de golpes atraem suas v\u00edtimas com hist\u00f3rias de m\u00e1 sorte. Em 2024, TikTokers atingiram centenas de milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es com um g\u00eanero de v\u00eddeos desesperados que recebeu o nome de &#8220;Corecore&#8221;. Neles, recortes de not\u00edcias e filmes depressivos s\u00e3o mostrados sobre um fundo de m\u00fasica triste. As pessoas podem achar que n\u00e3o desejam se sentir tristes. Mas postagens sombrias, melanc\u00f3licas e at\u00e9 perturbadoras parecem apresentar resultados surpreendentes entre os seres humanos e entre os algoritmos selecionadores de conte\u00fado. O sucesso do sadbait pode nos dizer muito sobre a internet e sobre n\u00f3s mesmos. &#8220;Imagens que mostram emo\u00e7\u00f5es fortes de qualquer tipo \u2014 raiva, tristeza, nojo ou at\u00e9 risos \u2014 cativam os espectadores&#8221;, afirma a pesquisadora e jornalista investigativa Soma Basu, da Universidade de Tampere, na Finl\u00e2ndia. Ela estuda a difus\u00e3o da m\u00eddia online. Os criadores sabem que seu conte\u00fado rola nas telas em meio a um fluxo sem fim de v\u00eddeos disputando a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Ela explica que um apelo emocional, claro e urgente, pode deter os espectadores. Mas Basu destaca que existe algo nas imagens, particularmente de luto, que pode romper a linha que separa o p\u00fablico do conte\u00fado, criando a oportunidade de formar um tipo especial de conex\u00e3o. O sadbait tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ser sempre triste para os espectadores. Outro g\u00eanero viral de sadbait no Instagram e no TikTok apresenta sele\u00e7\u00f5es de imagens geradas por intelig\u00eancia artificial, mostrando gatos com express\u00f5es desoladoras \u2014 ao som de uma vers\u00e3o cover, gerada por IA, da melanc\u00f3lica can\u00e7\u00e3o What Was I Made For, da cantora Billie Eilish, com miados no lugar da letra. Esses gatinhos infelizes ficaram t\u00e3o populares que Eilish cantou a vers\u00e3o da m\u00fasica com miados em outubro, no Madison Square Garden, em Nova York (Estados Unidos). E o p\u00fablico presente cantou alegremente junto com ela. &#8216;Miau miau miau&#8217;: Entenda o fen\u00f4meno dos v\u00eddeos de gatinho de Intelig\u00eancia Artificial O sadbait tamb\u00e9m n\u00e3o precisa mostrar seres humanos reais e seus sentimentos. Na primavera de 2024 no hemisf\u00e9rio norte, imagens geradas por IA de veteranos de guerra feridos e crian\u00e7as pobres dominaram os feeds do Facebook. Pesquisadores indicam que estas postagens ficaram entre as que mais receberam intera\u00e7\u00f5es na plataforma. E, quando uma imagem gerada por IA de uma v\u00edtima imagin\u00e1ria do furac\u00e3o Helene viralizou nos Estados Unidos, influenciadores de direita e at\u00e9 uma pol\u00edtica republicana responderam que &#8220;n\u00e3o importava&#8221; que a imagem fosse falsa porque as pessoas se identificaram com ela. Sejam ou n\u00e3o imagens reais, as pessoas adoram essas sensa\u00e7\u00f5es. Algoritmos e o p\u00fablico Os pesquisadores que analisam conte\u00fado altamente emocional online, seja desinforma\u00e7\u00e3o ou memes, relacionam seu sucesso aos objetivos de maximizar o envolvimento das plataformas de redes sociais. Seus algoritmos s\u00e3o projetados para promover as postagens que fizerem seus usu\u00e1rios passarem mais tempo comentando, observando e compartilhando. Quanto mais rea\u00e7\u00f5es gerar uma postagem, seja qual for o motivo, maior ser\u00e1 a probabilidade de que ela seja exibida para outras pessoas. A l\u00f3gica \u00e9 simples. Os usu\u00e1rios da internet, como o p\u00fablico do cinema e os leitores de livros antes deles, reagem ao conte\u00fado triste e sentimental \u2014 e os algoritmos promovem este tipo de material. Nas grandes plataformas de redes sociais, os criadores de conte\u00fados s\u00e3o pagos com base no tempo e na profundidade de intera\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios com suas postagens. E a melhor forma de atingir o p\u00fablico \u00e9 satisfazer os algoritmos. Por isso, os criadores tentam descobrir o que a m\u00e1quina ir\u00e1 promover e alimentam aquele tipo de conte\u00fado, criando um ciclo sem fim de produ\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o. Talvez haja um certo cinismo nas t\u00e9cnicas usadas pelos criadores de conte\u00fado para alavancar as visualiza\u00e7\u00f5es. Mas os v\u00eddeos com sadbait n\u00e3o pretendem apenas despertar emo\u00e7\u00f5es. Eles podem oferecer um canal para vivenciar esses sentimentos e analis\u00e1-los, segundo a pesquisadora de desinforma\u00e7\u00e3o Nina Lutz, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. &#8220;N\u00e3o acho que seja uma rea\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado em si&#8221;, explica Lutz, &#8220;mas, sim, o conte\u00fado serve de espa\u00e7o para permitir o encontro de pessoas com interesses e experi\u00eancias em comum.&#8221; Contas no TikTok com s\u00e9ries de fotografias borradas em preto e branco de ilumina\u00e7\u00e3o de rua com legendas sobre a depress\u00e3o atingem milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. Seus perfis costumam deixar frases como &#8220;as mensagens diretas est\u00e3o abertas se voc\u00ea precisar falar&#8221;. Entre os coment\u00e1rios sobre imagens claramente geradas por IA de crian\u00e7as chorando e veteranos de guerra feridos, estranhos compartilham seus problemas totalmente humanos, de forma franca e detalhada. &#8220;Leio coment\u00e1rios e discuss\u00f5es sobre agress\u00f5es sexuais, perda de beb\u00eas, p\u00f3lio, aborto, perda de irm\u00e3os e filhos, profunda solid\u00e3o e crises de f\u00e9&#8221;, conta Lutz. &#8220;Temas tristes e pesados. J\u00e1 precisei me afastar do meu computador diversas vezes.&#8221; Usar as postagens como lugar para falar sobre os pr\u00f3prios problemas \u00e9 uma pr\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32664,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-32663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32663\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}