{"id":34752,"date":"2025-02-13T18:59:11","date_gmt":"2025-02-13T21:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/13\/terra-pode-esconder-supercontinentes-secretos-no-interior-do-planeta\/"},"modified":"2025-02-13T18:59:11","modified_gmt":"2025-02-13T21:59:11","slug":"terra-pode-esconder-supercontinentes-secretos-no-interior-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/13\/terra-pode-esconder-supercontinentes-secretos-no-interior-do-planeta\/","title":{"rendered":"Terra pode esconder &#8221;supercontinentes secretos&#8221; no interior do planeta"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00f3s j\u00e1 conhecemos tudo o que existe na Terra? Um novo estudo revela que ainda h\u00e1 muito o que ser explorado, e muita coisa que ainda n\u00e3o descobrimos.<\/p>\n<p>Uma nova publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mostra que<strong> h\u00e1 grandes regi\u00f5es que est\u00e3o enterradas por baixo do \u201cmanto\u201d da Terra,<\/strong> que \u00e9 a camada intermedi\u00e1ria do planeta, localizada entre a crosta e o n\u00facleo. Haveria pelo menos dois \u201csupercontinentes\u201d escondidos. Um deles estaria abaixo da \u00c1frica, e o outro sob o Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<h2>Os \u201ccontinentes\u201d escondidos<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\"  alt=\"Blog_Main_Image Terra pode esconder &#039;&#039;supercontinentes secretos&#039;&#039; no interior do planeta\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.egu.eu\/divisions\/gd\/files\/2020\/03\/Blog_Main_Image.jpg\"\/><figcaption>H\u00e1 dois grandes \u201csupercontinentes\u201d escondidos embaixo da Terra. (Fonte: European Geosciences Union \/ Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O estudo, que foi publicado recentemente por pesquisadores holandeses na revista Nature, afirma ter usado um novo m\u00e9todo para analisar dados s\u00edsmicos de terremoto. Os pesquisadores dizem ter descoberto que<strong> esses antigos supercontinentes podem desempenhar um papel fundamental no manto da Terra<\/strong>, funcionando como \u201c\u00e2ncoras\u201d.<\/p>\n<p>Estas estruturas s\u00e3o mais antigas do que se imaginava anteriormente. Eles serviriam a fun\u00e7\u00f5es cruciais, moldando as atividades do manto e o <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/287066-nucleo-terra-girando-contrario-significa.htm\">movimento das placas tect\u00f4nicas<\/a>. Mas estes gigantescos continentes permanecem, em grande parte, inexplorados.<\/p>\n<p>\u00c9 o que diz a pesquisadora Sujania Talavera-Soza, do departamento de geoci\u00eancias e sismologia na Universidade de Utrecht, na Holanda, que participou do estudo. &#8220;Sua origem e se s\u00e3o estruturas de longa dura\u00e7\u00e3o s\u00e3o amplamente debatidas&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Esta nova descoberta se soma a outras que sugerem que <strong>o manto, que \u00e9 formado sobretudo de rochas, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o agitado pela agita\u00e7\u00e3o interna da Terra<\/strong>, como antes se acreditava. Por isso, a hip\u00f3tese \u00e9 que esses supercontinentes, que s\u00e3o bols\u00f5es de material n\u00e3o misturado, podem moldar a atividade do manto de maneiras que ainda n\u00e3o compreendemos bem.<\/p>\n<h2>\u201cMontanhas\u201d mais altas que o Everest<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\"  alt=\"41561_2013_Article_BFngeo1715_Fig1_HTML Terra pode esconder &#039;&#039;supercontinentes secretos&#039;&#039; no interior do planeta\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.springernature.com\/full\/springer-static\/image\/art%3A10.1038%2Fngeo1715\/MediaObjects\/41561_2013_Article_BFngeo1715_Fig1_HTML.jpg\"\/><figcaption>As grandes estruturas possuem picos mais altos que o pr\u00f3prio Everest. (Fonte: Nature \/ Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O estudo foca sobretudo em duas estruturas que seriam semelhantes a montanhas, e que s\u00e3o centenas de quil\u00f4metros mais altas que o Monte Everest. \u201cNingu\u00e9m sabe o que s\u00e3o, e se s\u00e3o apenas um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio, ou se est\u00e3o ali h\u00e1 milh\u00f5es ou talvez at\u00e9 bilh\u00f5es de anos\u201d, disse Arwen Deuss, sism\u00f3loga e professora de Estrutura e composi\u00e7\u00e3o do interior profundo da Terra na Universidade de Utrecht.<\/p>\n<p>Com cerca de 620 milhas de altura (o que equivale a cerca de 997 quil\u00f4metros), <strong>essas &#8220;ilhas de rocha&#8221; subterr\u00e2neas s\u00e3o mais de 100 vezes mais altas do que o cume do Monte Everest<\/strong>, que possui por volta de 9 quil\u00f4metros de altura.<\/p>\n<p>Obviamente, n\u00e3o h\u00e1 como chegar at\u00e9 eles, pois ser\u00edamos automaticamente torrados se <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/275316-nucleo-interno-terra-desloca-misteriosamente-cada-8-5-anos.htm\">nos aproxim\u00e1ssemos do n\u00facleo<\/a>. Os \u201csupercontinentes\u201d est\u00e3o localizados a cerca de 1.200 milhas abaixo da superf\u00edcie da Terra, e ficam cercados por um enorme &#8220;cemit\u00e9rio de placas tect\u00f4nicas transportadas para l\u00e1 por um processo chamado &#8220;subduc\u00e7\u00e3o&#8221;, no qual uma placa tect\u00f4nica mergulha abaixo de outra placa e afunda da superf\u00edcie da Terra at\u00e9 uma profundidade de quase tr\u00eas mil quil\u00f4metros&#8221;, afirmou Deuss.<\/p>\n<p>O que os pesquisadores observam \u00e9 que <strong>as ondas s\u00edsmicas desaceleram ao chegar nesse local.<\/strong> Por isso, eles chamaram essas duas \u201cmontanhas\u201d de<i> Large low-shear-velocity provinces,<\/i> ou LLSVP (em portugu\u00eas, seria algo como \u201cGrandes Prov\u00edncias de Baixa Velocidade S\u00edsmica\u201d).<\/p>\n<p>As estruturas s\u00e3o mais quentes que as placas tect\u00f4nicas vizinhas, o que seria a raz\u00e3o pela qual as ondas desaceleraram ao chegar l\u00e1. &#8220;Contra nossas expectativas, encontramos pouco amortecimento nos LLSVPs, o que fez os tons soarem muito altos ali. Mas encontramos muito amortecimento no cemit\u00e9rio de lajes frias, onde os tons soaram muito suaves&#8221;, acrescentou Deuss.<\/p>\n<p>Essa pesquisa avan\u00e7a descobertas que come\u00e7aram a ser feitas ainda nos anos 1970, quando foram encontradas duas grandes estruturas estranhas abaixo da Terra, que foram chamadas de &#8220;blobs&#8221;. S\u00f3 que ningu\u00e9m sabia se elas se tratavam de um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio ou algo que existia h\u00e1 muito tempo. \u201cSabemos h\u00e1 anos que essas ilhas est\u00e3o localizadas na fronteira <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/285964-giro-nucleo-terra-diminuindo-dias-longos.htm\">entre o n\u00facleo e o manto da Terra.<\/a> E vemos que as ondas s\u00edsmicas desaceleram ali\u201d, comentou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 muitas certezas consolidadas sobre estas grandes estruturas. <strong>Uma das hip\u00f3teses circulantes \u00e9 que sejam pilhas de crosta oce\u00e2nica que foram acumuladas ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/strong> Mas \u00e9 claro que tamb\u00e9m h\u00e1 teorias mais loucas \u2013 como a de que se tratariam de restos vindos de algum planeta desconhecido. Independente do que sejam, o estudo deixa claro que h\u00e1 muito o que se descobrir sobre a hist\u00f3ria do planeta em que vivemos.<\/p>\n<p>Curtiu esse conte\u00fado? Ent\u00e3o siga retornando aqui ao <strong>TecMundo<\/strong> para estar por dentro de todas as novas descobertas da ci\u00eancia. At\u00e9 mais!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que n\u00f3s j\u00e1 conhecemos tudo o que existe na Terra? Um novo estudo revela que ainda h\u00e1 muito o que ser explorado, e muita coisa que ainda n\u00e3o descobrimos. Uma nova publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mostra que h\u00e1 grandes regi\u00f5es que est\u00e3o enterradas por baixo do \u201cmanto\u201d da Terra, que \u00e9 a camada intermedi\u00e1ria do planeta, localizada entre a crosta e o n\u00facleo. Haveria pelo menos dois \u201csupercontinentes\u201d escondidos. Um deles estaria abaixo da \u00c1frica, e o outro sob o Oceano Pac\u00edfico. Os \u201ccontinentes\u201d escondidos H\u00e1 dois grandes \u201csupercontinentes\u201d escondidos embaixo da Terra. (Fonte: European Geosciences Union \/ Reprodu\u00e7\u00e3o) O estudo, que foi publicado recentemente por pesquisadores holandeses na revista Nature, afirma ter usado um novo m\u00e9todo para analisar dados s\u00edsmicos de terremoto. Os pesquisadores dizem ter descoberto que esses antigos supercontinentes podem desempenhar um papel fundamental no manto da Terra, funcionando como \u201c\u00e2ncoras\u201d. Estas estruturas s\u00e3o mais antigas do que se imaginava anteriormente. Eles serviriam a fun\u00e7\u00f5es cruciais, moldando as atividades do manto e o movimento das placas tect\u00f4nicas. Mas estes gigantescos continentes permanecem, em grande parte, inexplorados. \u00c9 o que diz a pesquisadora Sujania Talavera-Soza, do departamento de geoci\u00eancias e sismologia na Universidade de Utrecht, na Holanda, que participou do estudo. &#8220;Sua origem e se s\u00e3o estruturas de longa dura\u00e7\u00e3o s\u00e3o amplamente debatidas&#8221;, explicou. Esta nova descoberta se soma a outras que sugerem que o manto, que \u00e9 formado sobretudo de rochas, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o agitado pela agita\u00e7\u00e3o interna da Terra, como antes se acreditava. Por isso, a hip\u00f3tese \u00e9 que esses supercontinentes, que s\u00e3o bols\u00f5es de material n\u00e3o misturado, podem moldar a atividade do manto de maneiras que ainda n\u00e3o compreendemos bem. \u201cMontanhas\u201d mais altas que o Everest As grandes estruturas possuem picos mais altos que o pr\u00f3prio Everest. (Fonte: Nature \/ Reprodu\u00e7\u00e3o) O estudo foca sobretudo em duas estruturas que seriam semelhantes a montanhas, e que s\u00e3o centenas de quil\u00f4metros mais altas que o Monte Everest. \u201cNingu\u00e9m sabe o que s\u00e3o, e se s\u00e3o apenas um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio, ou se est\u00e3o ali h\u00e1 milh\u00f5es ou talvez at\u00e9 bilh\u00f5es de anos\u201d, disse Arwen Deuss, sism\u00f3loga e professora de Estrutura e composi\u00e7\u00e3o do interior profundo da Terra na Universidade de Utrecht. Com cerca de 620 milhas de altura (o que equivale a cerca de 997 quil\u00f4metros), essas &#8220;ilhas de rocha&#8221; subterr\u00e2neas s\u00e3o mais de 100 vezes mais altas do que o cume do Monte Everest, que possui por volta de 9 quil\u00f4metros de altura. Obviamente, n\u00e3o h\u00e1 como chegar at\u00e9 eles, pois ser\u00edamos automaticamente torrados se nos aproxim\u00e1ssemos do n\u00facleo. Os \u201csupercontinentes\u201d est\u00e3o localizados a cerca de 1.200 milhas abaixo da superf\u00edcie da Terra, e ficam cercados por um enorme &#8220;cemit\u00e9rio de placas tect\u00f4nicas transportadas para l\u00e1 por um processo chamado &#8220;subduc\u00e7\u00e3o&#8221;, no qual uma placa tect\u00f4nica mergulha abaixo de outra placa e afunda da superf\u00edcie da Terra at\u00e9 uma profundidade de quase tr\u00eas mil quil\u00f4metros&#8221;, afirmou Deuss. O que os pesquisadores observam \u00e9 que as ondas s\u00edsmicas desaceleram ao chegar nesse local. Por isso, eles chamaram essas duas \u201cmontanhas\u201d de Large low-shear-velocity provinces, ou LLSVP (em portugu\u00eas, seria algo como \u201cGrandes Prov\u00edncias de Baixa Velocidade S\u00edsmica\u201d). As estruturas s\u00e3o mais quentes que as placas tect\u00f4nicas vizinhas, o que seria a raz\u00e3o pela qual as ondas desaceleraram ao chegar l\u00e1. &#8220;Contra nossas expectativas, encontramos pouco amortecimento nos LLSVPs, o que fez os tons soarem muito altos ali. Mas encontramos muito amortecimento no cemit\u00e9rio de lajes frias, onde os tons soaram muito suaves&#8221;, acrescentou Deuss. Essa pesquisa avan\u00e7a descobertas que come\u00e7aram a ser feitas ainda nos anos 1970, quando foram encontradas duas grandes estruturas estranhas abaixo da Terra, que foram chamadas de &#8220;blobs&#8221;. S\u00f3 que ningu\u00e9m sabia se elas se tratavam de um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio ou algo que existia h\u00e1 muito tempo. \u201cSabemos h\u00e1 anos que essas ilhas est\u00e3o localizadas na fronteira entre o n\u00facleo e o manto da Terra. E vemos que as ondas s\u00edsmicas desaceleram ali\u201d, comentou a pesquisadora. Ainda n\u00e3o h\u00e1 muitas certezas consolidadas sobre estas grandes estruturas. Uma das hip\u00f3teses circulantes \u00e9 que sejam pilhas de crosta oce\u00e2nica que foram acumuladas ao longo de milh\u00f5es de anos. Mas \u00e9 claro que tamb\u00e9m h\u00e1 teorias mais loucas \u2013 como a de que se tratariam de restos vindos de algum planeta desconhecido. Independente do que sejam, o estudo deixa claro que h\u00e1 muito o que se descobrir sobre a hist\u00f3ria do planeta em que vivemos. Curtiu esse conte\u00fado? Ent\u00e3o siga retornando aqui ao TecMundo para estar por dentro de todas as novas descobertas da ci\u00eancia. At\u00e9 mais!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-34752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}