{"id":35445,"date":"2025-02-18T19:45:02","date_gmt":"2025-02-18T22:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/18\/viroides-as-fitinhas-de-rna-que-sequestram-enzimas-e-entram-em-nossas-celulas\/"},"modified":"2025-02-18T19:45:02","modified_gmt":"2025-02-18T22:45:02","slug":"viroides-as-fitinhas-de-rna-que-sequestram-enzimas-e-entram-em-nossas-celulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/18\/viroides-as-fitinhas-de-rna-que-sequestram-enzimas-e-entram-em-nossas-celulas\/","title":{"rendered":"Viroides: as &#8216;fitinhas&#8217; de RNA que sequestram enzimas e entram em nossas c\u00e9lulas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Uma descoberta intrigante feita pelo fitopatologista Theodor Diener em 1967 deveria ter revolucionado a biologia molecular: <strong>um agente infeccioso que, embora classificado a princ\u00edpio como v\u00edrus, apresentava caracter\u00edsticas totalmente distintas<\/strong>. Batizado de viroide, esse agente replicador era um fragmento de material gen\u00e9tico que n\u00e3o produzia prote\u00ednas e nem tinha uma embalagem (caps\u00eddeo) para seu genoma.<\/p>\n<p>Embora constituindo um mundo inteiramente novo de entidades biol\u00f3gicas, os viroides permaneceram esquecidos por mais de meio s\u00e9culo pela comunidade cient\u00edfica. Somente em 2020, Benjamin Lee, do Centro Nacional de Informa\u00e7\u00e3o sobre Biotecnologia, nos EUA, iniciou uma pesquisa sobre esses agentes subvirais, mesmo sem ter a menor ideia do que se tratavam.<\/p>\n<p>Logo o pesquisador se encantou com os viroides. Eles consistem em uma fita de RNA circular, sem o caps\u00eddeo, que, para se replicar, <strong>sequestra uma enzima que a c\u00e9lula hospedeira normalmente usa para produzir seu pr\u00f3prio RNA<\/strong>. A enzima circunda o viroide e faz c\u00f3pias em uma longa cadeia de RNA, que depois \u00e9 cortada em peda\u00e7os menores, formando bast\u00f5es.<\/p>\n<h2>Os viroides \u201cviralizam\u201d<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114403644326.jpg\"  alt=\"18114403644326 Viroides: as &#039;fitinhas&#039; de RNA que sequestram enzimas e entram em nossas c\u00e9lulas\"  srcset=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114403738328.jpg 235w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114403738327.jpg 500w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114403753329.jpg 750w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114403753330.jpg 1000w,\" sizes=\"100vw\"\/><figcaption>Em 2023, j\u00e1 haviam sido identificados mais de 11 mil tipos de viroides. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 2021, os viroides, literalmente, viralizaram na literatura cient\u00edfica, com o surgimento de novas pesquisas, que conseguiram identificar alguns novos tipos, <strong>como obeliscos, riboziv\u00edrus e sat\u00e9lites<\/strong>, presentes em uma variedade surpreendente de organismos e microrganismos. Os agentes microsc\u00f3picos se estendiam muito al\u00e9m das plantas j\u00e1 estudadas.<\/p>\n<p>Em 2023, Lee e seus colegas j\u00e1 haviam identificado mais de 11 mil RNAs circulares semelhantes, que inclu\u00edam os &#8220;riboziv\u00edrus&#8221;, <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/149792-dispositivo-menor-lapis-identifica-virus-minutos.htm\">com caracter\u00edsticas tanto de v\u00edrus quanto de viroides<\/a>. Outra classe amb\u00edgua, encontrada em fungos, os ambiv\u00edrus foram descritos como h\u00edbridos de v\u00edrus de RNA e elementos parecidos como viroides.<\/p>\n<p>A descoberta mais surpreendente, no entanto, viria em 2024, com o estudo \u201cCol\u00f4nias semelhantes a viroides nos microbiomas humanos\u201d, publicado na revista Cell: os obeliscos. Esses peda\u00e7os circulares de material gen\u00e9tico cont\u00eam um ou dois genes e se auto-organizam em forma de haste, dentro da boca e do intestino humanos. Foram identificados 29.969 tipos distintos de entidades codificando prote\u00ednas chamadas oblins.<\/p>\n<h2>Quais as implica\u00e7\u00f5es das descobertas de viroides para a biologia?<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114914705365.jpg\"  alt=\"18114914705365 Viroides: as &#039;fitinhas&#039; de RNA que sequestram enzimas e entram em nossas c\u00e9lulas\"  srcset=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114914658364.jpg 235w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114914720367.jpg 500w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114914736368.jpg 750w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18114914720366.jpg 1000w,\" sizes=\"100vw\"\/><figcaption>Os obeliscos, um tipo de viroide, foiam descobertos recentemente na boca e no intestino humanos. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se os v\u00edrus, estimados em 10 nonilh\u00f5es no planeta, s\u00e3o considerados lim\u00edtrofes no que entendemos por vida, por serem incapazes de se replicar sem a ajuda de um hospedeiro, o que dizer ent\u00e3o dos viroides? <strong>S\u00e3o entidades vivas ou apenas manifesta\u00e7\u00f5es de uma qu\u00edmica complexa? <\/strong>As respostas a essas perguntas podem revolucionar os conceitos fundamentais da biologia.<\/p>\n<p>J\u00e1 existe um movimento crescente na comunidade cient\u00edfica, que sugere abandonar a vis\u00e3o bin\u00e1ria da vida e adotar uma perspectiva de espectro, na qual entidades poderiam ser classificadas em um continuum de &#8220;vivacidade&#8221;. Nessa escala, viroides e afins ficariam na base, considerados mais vivos do que rochas, e menos vivos que bact\u00e9rias, homens e elefantes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/400546-superbacterias-uma-ameaca-silenciosa.htm\">Sobre a origem dessas entidades biol\u00f3gicas, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 consenso cient\u00edfico<\/a>. Uns prop\u00f5em que os viroides possam ter surgido espontaneamente de c\u00e9lulas vivas. Outros apostam que eles podem ser \u201cf\u00f3sseis vivos\u201d das primeiras formas de vida autorreplicantes que formaram o \u201cmundo do RNA\u201d primordial na Terra.<\/p>\n<h2>Desafios futuros para o estudo dos viroides<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18115446562370.jpg\"  alt=\"18115446562370 Viroides: as &#039;fitinhas&#039; de RNA que sequestram enzimas e entram em nossas c\u00e9lulas\"  srcset=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18115446484369.jpg 235w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18115446594372.jpg 500w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18115446594371.jpg 750w,https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/02\/18\/18115446609373.jpg 1000w,\" sizes=\"100vw\"\/><figcaption>Os viroides podem explicar o &#8220;mundo de RNA&#8221; que formou a vida em nosso planeta. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por mais que o conhecimento produzido nos \u00faltimos cinco anos seja infinitamente maior do que o gerado nos cinquenta anteriores, os cientistas entendem que as descobertas j\u00e1 feitas representam apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o do universo dos viroides. Nesse sentido, <strong>as ferramentas de pesquisa atuais podem ter deixado passar, por limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, um vasto universo microsc\u00f3pico ainda inexplorado<\/strong>.<\/p>\n<p>Mesmo a classifica\u00e7\u00e3o das entidades j\u00e1 descobertas tem sido um desafio complexo para os taxonomistas. Al\u00e9m de as categorias atuais n\u00e3o estarem dando conta de abrigar a diversidade de formas e comportamentos descobertas, as novas entidades transitam com frequ\u00eancia entre diferentes categorias, pois adquirem ou perdem caracter\u00edsticas atrav\u00e9s da sua cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora a compreens\u00e3o do real impacto dos viroides na sa\u00fade humana, e de outros seres vivos, ainda seja insuficiente,<a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/271361-bacterias-superpoderosas-fundo-do-mar.htm\"> a sua presen\u00e7a em muitos ambientes e suas formas variadas<\/a> sugerem um papel importante nos sistemas biol\u00f3gicos. Portanto, futuras pesquisas nesse campo poder\u00e3o n\u00e3o apenas revelar novas entidades e mecanismos moleculares, mas tamb\u00e9m fornecer informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre a origem e a natureza da vida na Terra.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 conhecia os viroides? Comente em nossas redes sociais e aproveite para compartilhar a mat\u00e9ria em seus grupos de amigos. At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma descoberta intrigante feita pelo fitopatologista Theodor Diener em 1967 deveria ter revolucionado a biologia molecular: um agente infeccioso que, embora classificado a princ\u00edpio como v\u00edrus, apresentava caracter\u00edsticas totalmente distintas. Batizado de viroide, esse agente replicador era um fragmento de material gen\u00e9tico que n\u00e3o produzia prote\u00ednas e nem tinha uma embalagem (caps\u00eddeo) para seu genoma. Embora constituindo um mundo inteiramente novo de entidades biol\u00f3gicas, os viroides permaneceram esquecidos por mais de meio s\u00e9culo pela comunidade cient\u00edfica. Somente em 2020, Benjamin Lee, do Centro Nacional de Informa\u00e7\u00e3o sobre Biotecnologia, nos EUA, iniciou uma pesquisa sobre esses agentes subvirais, mesmo sem ter a menor ideia do que se tratavam. Logo o pesquisador se encantou com os viroides. Eles consistem em uma fita de RNA circular, sem o caps\u00eddeo, que, para se replicar, sequestra uma enzima que a c\u00e9lula hospedeira normalmente usa para produzir seu pr\u00f3prio RNA. A enzima circunda o viroide e faz c\u00f3pias em uma longa cadeia de RNA, que depois \u00e9 cortada em peda\u00e7os menores, formando bast\u00f5es. Os viroides \u201cviralizam\u201d Em 2023, j\u00e1 haviam sido identificados mais de 11 mil tipos de viroides. 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Esses peda\u00e7os circulares de material gen\u00e9tico cont\u00eam um ou dois genes e se auto-organizam em forma de haste, dentro da boca e do intestino humanos. Foram identificados 29.969 tipos distintos de entidades codificando prote\u00ednas chamadas oblins. Quais as implica\u00e7\u00f5es das descobertas de viroides para a biologia? Os obeliscos, um tipo de viroide, foiam descobertos recentemente na boca e no intestino humanos. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o) Se os v\u00edrus, estimados em 10 nonilh\u00f5es no planeta, s\u00e3o considerados lim\u00edtrofes no que entendemos por vida, por serem incapazes de se replicar sem a ajuda de um hospedeiro, o que dizer ent\u00e3o dos viroides? S\u00e3o entidades vivas ou apenas manifesta\u00e7\u00f5es de uma qu\u00edmica complexa? As respostas a essas perguntas podem revolucionar os conceitos fundamentais da biologia. J\u00e1 existe um movimento crescente na comunidade cient\u00edfica, que sugere abandonar a vis\u00e3o bin\u00e1ria da vida e adotar uma perspectiva de espectro, na qual entidades poderiam ser classificadas em um continuum de &#8220;vivacidade&#8221;. Nessa escala, viroides e afins ficariam na base, considerados mais vivos do que rochas, e menos vivos que bact\u00e9rias, homens e elefantes. Sobre a origem dessas entidades biol\u00f3gicas, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 consenso cient\u00edfico. Uns prop\u00f5em que os viroides possam ter surgido espontaneamente de c\u00e9lulas vivas. Outros apostam que eles podem ser \u201cf\u00f3sseis vivos\u201d das primeiras formas de vida autorreplicantes que formaram o \u201cmundo do RNA\u201d primordial na Terra. Desafios futuros para o estudo dos viroides Os viroides podem explicar o &#8220;mundo de RNA&#8221; que formou a vida em nosso planeta. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o) Por mais que o conhecimento produzido nos \u00faltimos cinco anos seja infinitamente maior do que o gerado nos cinquenta anteriores, os cientistas entendem que as descobertas j\u00e1 feitas representam apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o do universo dos viroides. Nesse sentido, as ferramentas de pesquisa atuais podem ter deixado passar, por limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, um vasto universo microsc\u00f3pico ainda inexplorado. Mesmo a classifica\u00e7\u00e3o das entidades j\u00e1 descobertas tem sido um desafio complexo para os taxonomistas. Al\u00e9m de as categorias atuais n\u00e3o estarem dando conta de abrigar a diversidade de formas e comportamentos descobertas, as novas entidades transitam com frequ\u00eancia entre diferentes categorias, pois adquirem ou perdem caracter\u00edsticas atrav\u00e9s da sua cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o. Embora a compreens\u00e3o do real impacto dos viroides na sa\u00fade humana, e de outros seres vivos, ainda seja insuficiente, a sua presen\u00e7a em muitos ambientes e suas formas variadas sugerem um papel importante nos sistemas biol\u00f3gicos. Portanto, futuras pesquisas nesse campo poder\u00e3o n\u00e3o apenas revelar novas entidades e mecanismos moleculares, mas tamb\u00e9m fornecer informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre a origem e a natureza da vida na Terra. Voc\u00ea j\u00e1 conhecia os viroides? Comente em nossas redes sociais e aproveite para compartilhar a mat\u00e9ria em seus grupos de amigos. 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