{"id":36162,"date":"2025-02-23T08:11:18","date_gmt":"2025-02-23T11:11:18","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/23\/o-vilarejo-da-india-onde-um-quarto-dos-moradores-e-youtuber\/"},"modified":"2025-02-23T08:11:18","modified_gmt":"2025-02-23T11:11:18","slug":"o-vilarejo-da-india-onde-um-quarto-dos-moradores-e-youtuber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/02\/23\/o-vilarejo-da-india-onde-um-quarto-dos-moradores-e-youtuber\/","title":{"rendered":"O vilarejo da \u00cdndia onde um quarto dos moradores \u00e9 youtuber"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"189354d0-efc1-11ef-a819-277e390a7a08.jpg O vilarejo da \u00cdndia onde um quarto dos moradores \u00e9 youtuber\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/KM79WWRmHg8MZCjKBOrx8R3yw-0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/C\/i\/Ur64axTDKRHk8wMstqBQ\/189354d0-efc1-11ef-a819-277e390a7a08.jpg.webp\" \/><br \/>     Em Tulsi, uma vila na \u00cdndia central, a plataforma de v\u00eddeos desencadeou uma revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. \u00c9 um microcosmo do efeito do YouTube no mundo. A aldeia de Tulsi, no centro da \u00cdndia, \u00e9 um microcosmo da influ\u00eancia do YouTube em todo o mundo<br \/>\nEstudio Santa Rita<br \/>\nEm uma manh\u00e3 de setembro, moradores locais se dirigem aos campos da aldeia de Tulsi, perto de Raipur, no centro da \u00cdndia. E o youtuber Jai Varma, de 32 anos, pede a um grupo de mulheres que participe do seu novo v\u00eddeo.<br \/>\nElas se re\u00fanem em torno dele, ajustam seus s\u00e1ris e oferecem r\u00e1pidas palavras e um sorriso.<br \/>\nVarma coloca uma idosa sentada em uma cadeira de pl\u00e1stico. Ele pede a outra que toque os p\u00e9s dela e a uma terceira que sirva \u00e1gua.<br \/>\nEle est\u00e1 encenando um festival rural para os espectadores que ir\u00e3o ver seu conte\u00fado em outras cidades e pa\u00edses, a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<br \/>\nAs mulheres, acostumadas a este tipo de filmagem, ficam felizes em colaborar. Varma captura o momento e elas retornam ao seu trabalho nos campos.<br \/>\nA poucas centenas de metros de dist\u00e2ncia, outro grupo est\u00e1 ocupado encenando sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUm deles segura um telefone celular e filma Rajesh Diwar, de 26 anos, que se movimenta ao ritmo do hip hop. Suas m\u00e3os e seu corpo se animam, no estilo expressivo de um experiente dan\u00e7arino.<br \/>\nTulsi se parece com qualquer outra aldeia indiana. O pequeno assentamento no Estado indiano de Chhattisgarh, no centro da \u00cdndia, abriga casas de um s\u00f3 andar e ruas parcialmente pavimentadas.<br \/>\nUma caixa d&#8217;\u00e1gua se destaca acima das casas, como se estivesse vigiando a cidade do alto. Figueiras-de-bengala e suas bases de concreto servem de pontos de reuni\u00e3o para as pessoas.<br \/>\nMas o que diferencia Tulsi das demais aldeias \u00e9 sua fama como a &#8220;aldeia do YouTube&#8221; na \u00cdndia.<br \/>\nCerca de 4 mil pessoas moram em Tulsi. Relatos indicam que mais de 1 mil delas trabalham de alguma forma com o YouTube.<br \/>\nUma r\u00e1pida caminhada pela aldeia mostra como \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que ainda n\u00e3o tenha aparecido em um dos muitos v\u00eddeos filmados ali para a plataforma.<br \/>\nO dinheiro trazido pelo YouTube transformou a economia local, segundo os moradores. E, al\u00e9m dos benef\u00edcios financeiros, a rede social passou a ser um instrumento de igualdade e mudan\u00e7as sociais.<br \/>\nOs moradores que lan\u00e7aram canais de sucesso no YouTube encontraram novas fontes de renda. Eles incluem diversas mulheres que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinham poucas oportunidades de progresso neste ambiente rural.<br \/>\nAs conversas \u00e0 sombra das \u00e1rvores passaram a tratar de tecnologia e da internet.<br \/>\nOs moradores de Tulsi costumam fazer pausas nas suas atividades di\u00e1rias para participar da filmagem de v\u00eddeos para o YouTube<br \/>\nSuhail Bhat<br \/>\nO m\u00eas de fevereiro de 2025 marca o 20\u00ba anivers\u00e1rio do YouTube. Estimativas indicam que cerca de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas usam a plataforma mensalmente e a \u00cdndia \u00e9, de longe, um dos maiores mercados da plataforma de v\u00eddeos.<br \/>\nAo longo das d\u00e9cadas, o YouTube n\u00e3o s\u00f3 mudou a web, mas tamb\u00e9m toda nossa forma de imaginar a cria\u00e7\u00e3o e o consumo de cultura humana.<br \/>\nDe certa forma, a aldeia de Tulsi \u00e9 um microcosmo da influ\u00eancia do YouTube sobre o mundo como um todo. Para algumas pessoas, toda sua vida gira em torno dos v\u00eddeos online.<br \/>\n&#8220;Ele afasta as crian\u00e7as do crime e dos maus h\u00e1bitos&#8221;, afirma o agricultor Netram Yadav, de 49 anos, um dos muitos admiradores do florescente cen\u00e1rio de redes sociais de Tulsi. &#8220;Esses criadores de conte\u00fado deixaram todos na aldeia orgulhosos pelo que eles conseguiram fazer e alcan\u00e7ar.&#8221;<br \/>\nRevolu\u00e7\u00e3o nas redes sociais<br \/>\nA transforma\u00e7\u00e3o de Tulsi pelo YouTube come\u00e7ou em 2018, quando Varma e seu amigo Gyanendra Shukla lan\u00e7aram um canal na plataforma, chamado Being Chhattisgarhiya.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o est\u00e1vamos satisfeitos com o nosso dia a dia e quer\u00edamos fazer algo que pudesse fazer fluir nossa veia criativa&#8221;, explica Varma.<br \/>\nSeu terceiro v\u00eddeo sobre um jovem casal sendo assediado no Dia dos Namorados pelos membros do grupo nacionalista hindu de direita Bajrang Dal foi o primeiro a viralizar. As pessoas se identificaram com aquela combina\u00e7\u00e3o de humor e cr\u00edtica social.<br \/>\n&#8220;O v\u00eddeo era engra\u00e7ado, mas tamb\u00e9m trazia uma mensagem, que deixamos em aberto para a interpreta\u00e7\u00e3o dos espectadores&#8221;, explica Varma.<br \/>\nA dupla ganhou dezenas de milhares de seguidores em quest\u00e3o de meses. Este n\u00famero continuou crescendo at\u00e9 atingir 125 mil assinantes e uma audi\u00eancia acumulada de mais de 260 milh\u00f5es de pessoas.<br \/>\nA preocupa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias com a dedica\u00e7\u00e3o de tanto tempo \u00e0s redes sociais foi abafada quando o dinheiro come\u00e7ou a entrar.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1vamos ganhando mais de 30 mil r\u00fapias [cerca de R$ 2 mil] por m\u00eas e consegu\u00edamos sustentar os membros da equipe, que nos ajudavam&#8221;, conta Shukla.<br \/>\nEle e Varma deixaram seus empregos para produzir v\u00eddeos para o YouTube em tempo integral.<br \/>\nSeu sucesso logo inspirou outros moradores de Tulsi. Shukla conta que sua equipe pagou atores e at\u00e9 forneceu treinamento em edi\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o de roteiros para os demais. Alguns moradores da aldeia criaram seus pr\u00f3prios canais e outros se contentavam em colaborar voluntariamente.<br \/>\nAquilo foi o suficiente para atrair a aten\u00e7\u00e3o das autoridades locais. Em 2023, impressionado com o sucesso dos criadores de conte\u00fado da aldeia, o governo estadual montou um est\u00fadio de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o em Tulsi.<br \/>\nO ex-inspetor fiscal Sarveshwar Bhure, que era servidor p\u00fablico de alto escal\u00e3o do distrito de Raipur (que inclui Tulsi), conta que observou o trabalho da aldeia no YouTube como uma oportunidade para reduzir o abismo digital.<br \/>\n&#8220;Eu quis diminuir a dist\u00e2ncia entre a vida urbana e a rural oferecendo este est\u00fadio&#8221;, relembra ele. &#8220;Seus v\u00eddeos s\u00e3o impactantes, tratam de temas fortes e atingiram milh\u00f5es de pessoas. Construir um est\u00fadio foi uma forma de motiv\u00e1-los.&#8221;<br \/>\nA aposta deu certo. O YouTube criou um modo de subsist\u00eancia para centenas de jovens da aldeia, segundo Bhure.<br \/>\nA plataforma alimenta uma ind\u00fastria regional de entretenimento e est\u00e1 retirando alguns youtubers de Tulsi da sua vida na cidade pequena.<br \/>\nA ex-chefe da aldeia de Tulsi, Draupadi Vaishnu, procura promover a import\u00e2ncia do respeito e da igualdade para as mulheres indianas com sua presen\u00e7a no YouTube<br \/>\nSuhail Bhat<br \/>\nDe todas as estrelas das redes sociais surgidas no frenesi de Tulsi no YouTube, ningu\u00e9m chegou mais longe do que Pinky Sahoo, de 27 anos.<br \/>\nO fato de ter sido criada em uma aldeia remota constru\u00edda em torno da agricultura fez com que seu desejo de se tornar atriz e dan\u00e7arina parecesse uma fantasia distante \u2013 especialmente com a reprova\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e dos vizinhos. Para eles, ser atriz era um tabu.<br \/>\nApesar das cr\u00edticas, Sahoo come\u00e7ou a postar v\u00eddeos de dan\u00e7a no Reels do Instagram  e nos Shorts do YouTube. A reviravolta veio quando os fundadores do canal Being Chhattisgarhiya encontraram seus v\u00eddeos e a chamaram para participar das suas produ\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8220;Foi a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho&#8221;, relembra Sahoo. &#8220;Eles reconheceram meu talento e aprimoraram minha t\u00e9cnica.&#8221;<br \/>\nSeu entusiasmo aumentou ainda mais quando seu trabalho no canal Being Chhattisgarhiya chamou a aten\u00e7\u00e3o de cineastas locais da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica de Chhattisgarh. Sahoo foi escalada para seu primeiro filme e, desde ent\u00e3o, j\u00e1 participou de sete produ\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO produtor e diretor Anand Manikpuri, da cidade pr\u00f3xima de Bilaspur, ficou impressionado com as suas apresenta\u00e7\u00f5es no YouTube.<br \/>\n&#8220;Eu procurava um rosto novo que pudesse interpretar e Sahoo era perfeita&#8221;, ele conta.<br \/>\nAditya Bhagel (segundo, da direita para a esquerda) repassa uma cena com seus atores e a equipe de produ\u00e7\u00e3o, antes de come\u00e7ar a filmar na aldeia<br \/>\nSuhail Bhat<br \/>\nO morador de Tulsi Aditya Bhagel ainda estava na faculdade quando se inspirou em Varma e Shukla e decidiu criar seu pr\u00f3prio canal. Adaptando as t\u00e9cnicas da dupla, ele atingiu mais de 20 mil seguidores em um ano e come\u00e7ou a ganhar dinheiro no YouTube.<br \/>\nVarma acabou contratando Bhagel para um trabalho como roteirista e diretor na equipe do canal Being Chhattisgarhiya.<br \/>\n&#8220;Foi como conhecer celebridades&#8221;, conta Bhagel sobre seu primeiro encontro com Varma e Shukla.<br \/>\nLogo veio um emprego na produtora da cidade pr\u00f3xima de Raipur. Ele foi contratado gra\u00e7as ao seu trabalho no YouTube.<br \/>\nSeu caminho prosseguiu quando Bhagel come\u00e7ou a trabalhar como roteirista e assistente de dire\u00e7\u00e3o para um novo filme de grande or\u00e7amento, chamado Kharun Paar. &#8220;S\u00f3 posso esperar que, um dia, eu consiga trabalhar em Hollywood.&#8221;<br \/>\nOutro youtuber que se tornou profissional do cinema \u00e9 Manoj Yadav, de 38 anos.<br \/>\nSeu primeiro papel como ator ocorreu na inf\u00e2ncia, como um jovem Lorde Rama em uma encena\u00e7\u00e3o anual do \u00e9pico hindu Ramayana. Yadav nunca imaginou que aqueles aplausos, um dia, chegariam \u00e0s salas de cinema de Chhattisgarh.<br \/>\nDepois de passar anos apresentando seu talento em v\u00eddeos no YouTube, Yadav conseguiu um papel em um filme regional, que lhe valeu muitos elogios pelos seu talento como ator. Agora, Yadav \u00e9 um nome conhecido e vive inteiramente da sua arte.<br \/>\n&#8220;Nada disso teria sido poss\u00edvel sem o YouTube&#8221;, ele conta. &#8220;N\u00e3o consigo expressar meus sentimentos em palavras.&#8221;<br \/>\nEmpoderamento feminino<br \/>\nEm Tulsi, o YouTube abriu o caminho para que as mulheres ocupassem papel central nesta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<br \/>\nPara a ex-Sarpanch \u2013 chefe da aldeia \u2013 de Tulsi, Draupadi Vaishnu, o YouTube pode ser fundamental para questionar os vieses e alterar as normas sociais na \u00cdndia, onde a viol\u00eancia dom\u00e9stica ainda \u00e9 uma quest\u00e3o importante.<br \/>\n&#8220;\u00c9 comum que as mulheres perpetuem [as pr\u00e1ticas mis\u00f3ginas], especialmente na forma em que elas tratam suas noras&#8221;, segundo Vaishnu. &#8220;Estes v\u00eddeos ajudam a romper estes ciclos.&#8221;<br \/>\nRecentemente, Vaishnu, com 61 anos de idade, estrelou um v\u00eddeo sobre este tema.<br \/>\n&#8220;Fiquei feliz em fazer aquele papel porque ele promovia a import\u00e2ncia de tratar as mulheres com respeito e igualdade, como defendi durante meu tempo como chefe da aldeia&#8221;, ela conta.<br \/>\nOs v\u00eddeos de Jai Varma sobre a vida na \u00cdndia rural atra\u00edram audi\u00eancias de todo o mundo<br \/>\nSuhail Bhat<br \/>\nRahul Varma (que n\u00e3o \u00e9 parente de Jai Varma) \u00e9 um fot\u00f3grafo de casamentos que aprendeu as t\u00e9cnicas do YouTube com seus vizinhos da aldeia.<br \/>\nEle tem 28 anos de idade e afirma que a plataforma \u00e9 transformadora.<br \/>\n&#8220;No come\u00e7o, nossas m\u00e3es e irm\u00e3s apenas nos ajudavam&#8221;, relembra ele. &#8220;Agora, elas mant\u00eam seus pr\u00f3prios canais. N\u00e3o imagin\u00e1vamos isso antes.&#8221;<br \/>\nAt\u00e9 seu sobrinho de 15 anos ajuda os criadores de conte\u00fado da aldeia, segundo Varma. &#8220;Aqui, este \u00e9 um neg\u00f3cio s\u00e9rio e todos participam.&#8221;<br \/>\nDurante a pandemia de covid-19, houve uma explos\u00e3o de criadores de conte\u00fado na zona rural da \u00cdndia, particularmente no TikTok, at\u00e9 que o pa\u00eds proibiu o aplicativo em 2020.<br \/>\nA onda inicial foi conduzida principalmente pelos homens, segundo o professor de antropologia digital Shriram Venkatraman, do Instituto Indiano de Tecnologia, na capital indiana, Nova D\u00e9li.<br \/>\nMas ele destaca que muito mais mulheres passaram a manter canais bem sucedidos nas redes sociais ap\u00f3s a pandemia, o que criou novas oportunidades econ\u00f4micas.<br \/>\n&#8220;A quantidade de conex\u00f5es globais trazidas \u00e9 transformadora, para dizer o m\u00ednimo&#8221;, afirma ele, tanto para os homens quanto para as mulheres.<br \/>\n&#8220;Houve at\u00e9 quem come\u00e7asse outros neg\u00f3cios a partir do YouTube, usando seus assinantes e consumidores de conte\u00fado como base de clientes inicial, como \u00f3leos para os cabelos, temperos e massalas [mistura de temperos] de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica.&#8221;<br \/>\nMas, para alguns, o dinheiro n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica quest\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Adoro colaborar para os v\u00eddeos produzidos pelos canais da minha aldeia e fa\u00e7o sem esperar nada em troca&#8221;, conta a dona de casa Ramkali Varma (que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 parente de Jai Varma), de 56 anos.<br \/>\nEla passou a atuar frequentemente como atriz de pap\u00e9is que retratam m\u00e3es amorosas e \u00e9 um dos talentos mais procurados da aldeia.<br \/>\nRajesh Diwar criou seu pr\u00f3prio canal do YouTube para divulgar o rap regional<br \/>\nSuhail Bhat<br \/>\nOs pap\u00e9is de Ramkali costumam abordar quest\u00f5es de g\u00eanero. Ela conta que um dos seus favoritos foi o de uma sogra atenciosa que incentiva a nora a aprimorar sua forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Consegui defender o sucesso e a educa\u00e7\u00e3o das mulheres&#8221;, relembra ela. &#8220;Atuar me traz satisfa\u00e7\u00e3o e paz de esp\u00edrito.&#8221;<br \/>\nAgora uma atriz confiante e bem sucedida, Pinky Sahoo espera inspirar outras jovens.<br \/>\n&#8220;Se eu consegui atingir meus sonhos, elas tamb\u00e9m podem&#8221;, afirma ela, relembrando o orgulho de assistir \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o na tela grande com o pai.<br \/>\nEm Tulsi, Sahoo passou a ser modelo para as jovens.<br \/>\n&#8220;Ver as meninas sonharem alto e terem grandes ambi\u00e7\u00f5es \u00e9 a maior recompensa da minha jornada. Existem meninas que desejam se tornar cineastas&#8221;, ela conta.<br \/>\nO sol se p\u00f5e sobre Tulsi. Rajesh Diwar e sua equipe trabalham incansavelmente para praticar a batida do hip hop.<br \/>\n&#8220;Mudar da cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para a m\u00fasica rap n\u00e3o tem sido f\u00e1cil&#8221;, conta Diwar, dono do canal Lethwa Raja (&#8220;Rei Incr\u00edvel&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nEle espera que o YouTube possa ser um vetor para outras mudan\u00e7as culturais entre o seu povo.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o s\u00e3o muitas pessoas que cantam rap no nosso idioma, mas acredito poder mudar isso&#8221;, segundo ele. &#8220;Quero trazer um novo som para a nossa regi\u00e3o e fazer com que Tulsi fique conhecida pela sua m\u00fasica, tanto quanto pelos seus v\u00eddeos.&#8221;<br \/>\nLeia a vers\u00e3o original desta reportagem (em ingl\u00eas) no site BBC Innovation.<br \/>\n&#8216;N\u00e3o Me Perturbe&#8217; n\u00e3o funciona? Por que pessoas recebem liga\u00e7\u00f5es de telemarketing<br \/>\nApple lan\u00e7a iPhone 16e, modelo mais &#8216;barato&#8217; da linha<br \/>\n\u00d3rg\u00e3o italiano bloqueia acesso ao DeepSeek no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Tulsi, uma vila na \u00cdndia central, a plataforma de v\u00eddeos desencadeou uma revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. \u00c9 um microcosmo do efeito do YouTube no mundo. A aldeia de Tulsi, no centro da \u00cdndia, \u00e9 um microcosmo da influ\u00eancia do YouTube em todo o mundo Estudio Santa Rita Em uma manh\u00e3 de setembro, moradores locais se dirigem aos campos da aldeia de Tulsi, perto de Raipur, no centro da \u00cdndia. E o youtuber Jai Varma, de 32 anos, pede a um grupo de mulheres que participe do seu novo v\u00eddeo. Elas se re\u00fanem em torno dele, ajustam seus s\u00e1ris e oferecem r\u00e1pidas palavras e um sorriso. Varma coloca uma idosa sentada em uma cadeira de pl\u00e1stico. Ele pede a outra que toque os p\u00e9s dela e a uma terceira que sirva \u00e1gua. Ele est\u00e1 encenando um festival rural para os espectadores que ir\u00e3o ver seu conte\u00fado em outras cidades e pa\u00edses, a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. As mulheres, acostumadas a este tipo de filmagem, ficam felizes em colaborar. Varma captura o momento e elas retornam ao seu trabalho nos campos. A poucas centenas de metros de dist\u00e2ncia, outro grupo est\u00e1 ocupado encenando sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o. Um deles segura um telefone celular e filma Rajesh Diwar, de 26 anos, que se movimenta ao ritmo do hip hop. Suas m\u00e3os e seu corpo se animam, no estilo expressivo de um experiente dan\u00e7arino. Tulsi se parece com qualquer outra aldeia indiana. O pequeno assentamento no Estado indiano de Chhattisgarh, no centro da \u00cdndia, abriga casas de um s\u00f3 andar e ruas parcialmente pavimentadas. Uma caixa d&#8217;\u00e1gua se destaca acima das casas, como se estivesse vigiando a cidade do alto. Figueiras-de-bengala e suas bases de concreto servem de pontos de reuni\u00e3o para as pessoas. Mas o que diferencia Tulsi das demais aldeias \u00e9 sua fama como a &#8220;aldeia do YouTube&#8221; na \u00cdndia. Cerca de 4 mil pessoas moram em Tulsi. Relatos indicam que mais de 1 mil delas trabalham de alguma forma com o YouTube. Uma r\u00e1pida caminhada pela aldeia mostra como \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que ainda n\u00e3o tenha aparecido em um dos muitos v\u00eddeos filmados ali para a plataforma. O dinheiro trazido pelo YouTube transformou a economia local, segundo os moradores. E, al\u00e9m dos benef\u00edcios financeiros, a rede social passou a ser um instrumento de igualdade e mudan\u00e7as sociais. Os moradores que lan\u00e7aram canais de sucesso no YouTube encontraram novas fontes de renda. Eles incluem diversas mulheres que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinham poucas oportunidades de progresso neste ambiente rural. As conversas \u00e0 sombra das \u00e1rvores passaram a tratar de tecnologia e da internet. Os moradores de Tulsi costumam fazer pausas nas suas atividades di\u00e1rias para participar da filmagem de v\u00eddeos para o YouTube Suhail Bhat O m\u00eas de fevereiro de 2025 marca o 20\u00ba anivers\u00e1rio do YouTube. Estimativas indicam que cerca de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas usam a plataforma mensalmente e a \u00cdndia \u00e9, de longe, um dos maiores mercados da plataforma de v\u00eddeos. Ao longo das d\u00e9cadas, o YouTube n\u00e3o s\u00f3 mudou a web, mas tamb\u00e9m toda nossa forma de imaginar a cria\u00e7\u00e3o e o consumo de cultura humana. De certa forma, a aldeia de Tulsi \u00e9 um microcosmo da influ\u00eancia do YouTube sobre o mundo como um todo. Para algumas pessoas, toda sua vida gira em torno dos v\u00eddeos online. &#8220;Ele afasta as crian\u00e7as do crime e dos maus h\u00e1bitos&#8221;, afirma o agricultor Netram Yadav, de 49 anos, um dos muitos admiradores do florescente cen\u00e1rio de redes sociais de Tulsi. &#8220;Esses criadores de conte\u00fado deixaram todos na aldeia orgulhosos pelo que eles conseguiram fazer e alcan\u00e7ar.&#8221; Revolu\u00e7\u00e3o nas redes sociais A transforma\u00e7\u00e3o de Tulsi pelo YouTube come\u00e7ou em 2018, quando Varma e seu amigo Gyanendra Shukla lan\u00e7aram um canal na plataforma, chamado Being Chhattisgarhiya. &#8220;N\u00e3o est\u00e1vamos satisfeitos com o nosso dia a dia e quer\u00edamos fazer algo que pudesse fazer fluir nossa veia criativa&#8221;, explica Varma. Seu terceiro v\u00eddeo sobre um jovem casal sendo assediado no Dia dos Namorados pelos membros do grupo nacionalista hindu de direita Bajrang Dal foi o primeiro a viralizar. As pessoas se identificaram com aquela combina\u00e7\u00e3o de humor e cr\u00edtica social. &#8220;O v\u00eddeo era engra\u00e7ado, mas tamb\u00e9m trazia uma mensagem, que deixamos em aberto para a interpreta\u00e7\u00e3o dos espectadores&#8221;, explica Varma. A dupla ganhou dezenas de milhares de seguidores em quest\u00e3o de meses. Este n\u00famero continuou crescendo at\u00e9 atingir 125 mil assinantes e uma audi\u00eancia acumulada de mais de 260 milh\u00f5es de pessoas. A preocupa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias com a dedica\u00e7\u00e3o de tanto tempo \u00e0s redes sociais foi abafada quando o dinheiro come\u00e7ou a entrar. &#8220;Est\u00e1vamos ganhando mais de 30 mil r\u00fapias [cerca de R$ 2 mil] por m\u00eas e consegu\u00edamos sustentar os membros da equipe, que nos ajudavam&#8221;, conta Shukla. Ele e Varma deixaram seus empregos para produzir v\u00eddeos para o YouTube em tempo integral. Seu sucesso logo inspirou outros moradores de Tulsi. Shukla conta que sua equipe pagou atores e at\u00e9 forneceu treinamento em edi\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o de roteiros para os demais. Alguns moradores da aldeia criaram seus pr\u00f3prios canais e outros se contentavam em colaborar voluntariamente. Aquilo foi o suficiente para atrair a aten\u00e7\u00e3o das autoridades locais. Em 2023, impressionado com o sucesso dos criadores de conte\u00fado da aldeia, o governo estadual montou um est\u00fadio de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o em Tulsi. O ex-inspetor fiscal Sarveshwar Bhure, que era servidor p\u00fablico de alto escal\u00e3o do distrito de Raipur (que inclui Tulsi), conta que observou o trabalho da aldeia no YouTube como uma oportunidade para reduzir o abismo digital. &#8220;Eu quis diminuir a dist\u00e2ncia entre a vida urbana e a rural oferecendo este est\u00fadio&#8221;, relembra ele. &#8220;Seus v\u00eddeos s\u00e3o impactantes, tratam de temas fortes e atingiram milh\u00f5es de pessoas. Construir um est\u00fadio foi uma forma de motiv\u00e1-los.&#8221; A aposta deu certo. O YouTube criou um modo de subsist\u00eancia para centenas de jovens da aldeia, segundo Bhure. A plataforma alimenta uma ind\u00fastria regional de entretenimento e est\u00e1 retirando alguns youtubers de Tulsi da sua vida na cidade pequena. A ex-chefe da aldeia de Tulsi, Draupadi Vaishnu,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-36162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36162\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}