{"id":39234,"date":"2025-03-18T12:01:12","date_gmt":"2025-03-18T15:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/03\/18\/crianca-de-lapedo-descoberta-idade-de-esqueleto-que-revolucionou-estudos-sobre-a-evolucao\/"},"modified":"2025-03-18T12:01:12","modified_gmt":"2025-03-18T15:01:12","slug":"crianca-de-lapedo-descoberta-idade-de-esqueleto-que-revolucionou-estudos-sobre-a-evolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/03\/18\/crianca-de-lapedo-descoberta-idade-de-esqueleto-que-revolucionou-estudos-sobre-a-evolucao\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7a de Lapedo: descoberta idade de esqueleto que revolucionou estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Arque\u00f3logos finalmente descobriram a idade da \u201cCrian\u00e7a de Lapedo\u201d, esqueleto de grande import\u00e2ncia para os estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o da nossa esp\u00e9cie, por manter caracter\u00edsticas dos neandertais ap\u00f3s milhares de anos do desaparecimento deles. Conforme o estudo publicado recentemente na <i>Science Advances<\/i>, <strong>ela viveu entre 27.780 e 28.550 anos atr\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n<p>Encontrada na regi\u00e3o do vale do Lapedo em Portugal, em 1998, a ossada logo se transformou em uma das maiores evid\u00eancias do cruzamento entre os nossos ancestrais e seus parentes humanos mais pr\u00f3ximos. At\u00e9 aquela \u00e9poca, acreditava-se que essa rela\u00e7\u00e3o nunca havia acontecido.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/03\/17\/17201234476009.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Crian\u00e7a de Lapedo: descoberta idade de esqueleto que revolucionou estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption>\u00c1rea na qual o esqueleto foi descoberto, em 1998. (Imagem: Science Advances\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com apar\u00eancia semelhante aos <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/403333-primeiros-humanos-viveram-em-florestas-tropicais-ha-150-mil-anos-diz-estudo.htm\">humanos modernos<\/a>, os neandertais se diferenciavam por apresentar faces salientes, sobrancelhas proeminentes e costelas mais curtas, profundas e longas. Al\u00e9m disso, tinham \u00f3rbitas oculares maiores e c\u00e9rebro alongado, viviam em pequenos grupos e usavam ferramentas para ca\u00e7ar.<\/p>\n<p>Eles foram <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/254125-sexo-ter-extinguidos-neandertais-nao-guerra-diz-estudo.htm\">extintos h\u00e1 cerca de 40 mil anos<\/a>, possivelmente por fatores como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, doen\u00e7as e a pr\u00f3pria competi\u00e7\u00e3o com os humanos modernos. E como sugere o estudo, <strong>neandertais e <\/strong><i><strong>Homo sapiens<\/strong><\/i><strong> mantiveram rela\u00e7\u00f5es sexuais de maneira mais frequente do que se supunha<\/strong>, pois a crian\u00e7a do Lapedo viveu bem depois do desaparecimento dos primeiros.<\/p>\n<h2>Como foi feita a data\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a de Lapedo?<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/03\/17\/17201234179003.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Crian\u00e7a de Lapedo: descoberta idade de esqueleto que revolucionou estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption>Partes dos ossos analisadas durante o estudo. (Imagem: Science Advances\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde o final da d\u00e9cada de 1990, foram feitas pelo menos quatro tentativas de datar a \u201ccrian\u00e7a h\u00edbrida\u201d, como os <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/267878-fossil-dinossauro-167-milhoes-anos-antigo-especie.htm\">restos mortais<\/a> tamb\u00e9m ficaram conhecidos. Por\u00e9m, todas elas falharam em fornecer n\u00fameros mais precisos, por causa da degrada\u00e7\u00e3o dos ossos e outros fatores.<\/p>\n<p>Para resolver o problema, os pesquisadores investiram em uma t\u00e9cnica mais avan\u00e7ada para determinar a <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/401678-fossil-do-menor-gato-do-mundo-e-encontrado-em-caverna-de-300-mil-anos.htm\">idade dos ossos<\/a>. Extraindo um amino\u00e1cido chamado hidroxiprolina do r\u00e1dio direito, eles conseguiram <strong>medir a taxa de decaimento de radiocarbono neste componente do col\u00e1geno<\/strong>, processo ideal para avaliar materiais degradados.<\/p>\n<p>Foi assim que a equipe descobriu que os ossos da crian\u00e7a do Lapedo t\u00eam entre 27 mil e 28 mil anos. Enquanto isso, testes convencionais de data\u00e7\u00e3o por radiocarbono realizados anteriormente apenas <strong>sugeriram que o material tinha uma idade de aproximadamente 30 mil anos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cSer capaz de datar a crian\u00e7a com sucesso foi como devolver-lhe um pequeno peda\u00e7o da sua hist\u00f3ria, o que \u00e9 um enorme privil\u00e9gio\u201d, celebrou a geoqu\u00edmica da Universidade de Miami (Estados Unidos), Bethan Linscott, em entrevista \u00e0 <i>Associated Press<\/i>. Ela \u00e9 uma das coautoras do estudo.<\/p>\n<h2>Resolvendo mist\u00e9rios sobre o funeral da crian\u00e7a<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/03\/17\/17201234867011.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Crian\u00e7a de Lapedo: descoberta idade de esqueleto que revolucionou estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption>O esqueleto estava junto a restos mortais de animais e outros objetos. (Imagem: Science Advances\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda durante a pesquisa, os cientistas solucionaram alguns mist\u00e9rios sobre o funeral da crian\u00e7a com tra\u00e7os de neandertais e humanos. Usando a mesma t\u00e9cnica, eles investigaram outros materiais que estavam no local, como carv\u00e3o, ossos de um <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/222549-cervos-possuem-anticorpos-coronavirus-ha-ainda-virus-zumbi.htm\">cervo vermelho<\/a> e restos de um coelho.<\/p>\n<p>Os dois primeiros eram bem mais velhos do que a crian\u00e7a e estavam na \u00e1rea muito antes do enterro, <strong>provavelmente n\u00e3o tendo sido utilizados no ritual<\/strong>. J\u00e1 os ossos do coelho foram espalhados ao redor do esqueleto e apresentam as mesmas manchas avermelhadas dele, al\u00e9m de idade semelhante.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, isso significa que o animal foi usado em algum tipo de <a href=\"https:\/\/www.megacurioso.com.br\/estilo-de-vida\/118846-6-rituais-diferentes-de-sepultamento-ao-redor-do-mundo.htm\">oferenda funer\u00e1ria<\/a>, tendo sido colocado na sepultura ao mesmo tempo que a crian\u00e7a. As manchas s\u00e3o resultado de uma mortalha tingida de vermelho que cobria o corpo.<\/p>\n<p>Acredita-se que os restos mortais pertenciam a um <strong>menino vitimado por uma doen\u00e7a, queda ou afogamento<\/strong>. Outro detalhe \u00e9 que o local onde ele foi encontrado funcionou como \u00e1rea de abate e processamento de animais por centenas de anos, mas acabou abandonado por aproximadamente 2 mil anos ap\u00f3s o enterro da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Gostou do conte\u00fado? Confira mais mat\u00e9rias sobre ci\u00eancia no TecMundo e n\u00e3o deixe de compartilh\u00e1-las nas redes sociais.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arque\u00f3logos finalmente descobriram a idade da \u201cCrian\u00e7a de Lapedo\u201d, esqueleto de grande import\u00e2ncia para os estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o da nossa esp\u00e9cie, por manter caracter\u00edsticas dos neandertais ap\u00f3s milhares de anos do desaparecimento deles. Conforme o estudo publicado recentemente na Science Advances, ela viveu entre 27.780 e 28.550 anos atr\u00e1s. Encontrada na regi\u00e3o do vale do Lapedo em Portugal, em 1998, a ossada logo se transformou em uma das maiores evid\u00eancias do cruzamento entre os nossos ancestrais e seus parentes humanos mais pr\u00f3ximos. At\u00e9 aquela \u00e9poca, acreditava-se que essa rela\u00e7\u00e3o nunca havia acontecido. \u00c1rea na qual o esqueleto foi descoberto, em 1998. (Imagem: Science Advances\/Reprodu\u00e7\u00e3o) Com apar\u00eancia semelhante aos humanos modernos, os neandertais se diferenciavam por apresentar faces salientes, sobrancelhas proeminentes e costelas mais curtas, profundas e longas. Al\u00e9m disso, tinham \u00f3rbitas oculares maiores e c\u00e9rebro alongado, viviam em pequenos grupos e usavam ferramentas para ca\u00e7ar. Eles foram extintos h\u00e1 cerca de 40 mil anos, possivelmente por fatores como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, doen\u00e7as e a pr\u00f3pria competi\u00e7\u00e3o com os humanos modernos. E como sugere o estudo, neandertais e Homo sapiens mantiveram rela\u00e7\u00f5es sexuais de maneira mais frequente do que se supunha, pois a crian\u00e7a do Lapedo viveu bem depois do desaparecimento dos primeiros. Como foi feita a data\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a de Lapedo? Partes dos ossos analisadas durante o estudo. (Imagem: Science Advances\/Reprodu\u00e7\u00e3o) Desde o final da d\u00e9cada de 1990, foram feitas pelo menos quatro tentativas de datar a \u201ccrian\u00e7a h\u00edbrida\u201d, como os restos mortais tamb\u00e9m ficaram conhecidos. Por\u00e9m, todas elas falharam em fornecer n\u00fameros mais precisos, por causa da degrada\u00e7\u00e3o dos ossos e outros fatores. Para resolver o problema, os pesquisadores investiram em uma t\u00e9cnica mais avan\u00e7ada para determinar a idade dos ossos. Extraindo um amino\u00e1cido chamado hidroxiprolina do r\u00e1dio direito, eles conseguiram medir a taxa de decaimento de radiocarbono neste componente do col\u00e1geno, processo ideal para avaliar materiais degradados. Foi assim que a equipe descobriu que os ossos da crian\u00e7a do Lapedo t\u00eam entre 27 mil e 28 mil anos. Enquanto isso, testes convencionais de data\u00e7\u00e3o por radiocarbono realizados anteriormente apenas sugeriram que o material tinha uma idade de aproximadamente 30 mil anos. \u201cSer capaz de datar a crian\u00e7a com sucesso foi como devolver-lhe um pequeno peda\u00e7o da sua hist\u00f3ria, o que \u00e9 um enorme privil\u00e9gio\u201d, celebrou a geoqu\u00edmica da Universidade de Miami (Estados Unidos), Bethan Linscott, em entrevista \u00e0 Associated Press. Ela \u00e9 uma das coautoras do estudo. 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As manchas s\u00e3o resultado de uma mortalha tingida de vermelho que cobria o corpo. Acredita-se que os restos mortais pertenciam a um menino vitimado por uma doen\u00e7a, queda ou afogamento. Outro detalhe \u00e9 que o local onde ele foi encontrado funcionou como \u00e1rea de abate e processamento de animais por centenas de anos, mas acabou abandonado por aproximadamente 2 mil anos ap\u00f3s o enterro da crian\u00e7a. Gostou do conte\u00fado? 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