{"id":42205,"date":"2025-04-08T17:37:33","date_gmt":"2025-04-08T20:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/08\/meteoro-bola-de-lama-chega-intacto-a-terra-apos-2-milhoes-de-anos-entenda\/"},"modified":"2025-04-08T17:37:33","modified_gmt":"2025-04-08T20:37:33","slug":"meteoro-bola-de-lama-chega-intacto-a-terra-apos-2-milhoes-de-anos-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/08\/meteoro-bola-de-lama-chega-intacto-a-terra-apos-2-milhoes-de-anos-entenda\/","title":{"rendered":"Meteoro \u201cbola de lama\u201d chega intacto a Terra ap\u00f3s 2 milh\u00f5es de anos; entenda"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Um artigo publicado recentemente na revista <i>Meteoritics &amp; Planetary Science <\/i>relata a queda de um dos meteoritos mais importantes j\u00e1 encontrados na Terra: o chamado CM2 de Aguas Zarcas, cidade da Costa Rica onde o objeto caiu em 2019. Ele \u00e9 importante por ser uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula do tempo qu\u00edmica, que se manteve inalterada desde a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar.<\/p>\n<p>Isso significa que alguns ingredientes essenciais \u00e0 vida, como mol\u00e9culas org\u00e2nicas de amino\u00e1cidos, a\u00e7\u00facares e poss\u00edveis nucleobases, <strong>foram mantidas em estado praticamente primitivo e inalterado como estavam h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos<\/strong>. Essa composi\u00e7\u00e3o primitiva foi mantida porque o meteorito foi coletado ainda \u201cfresco\u201d, logo ap\u00f3s sua queda.\u00a0<\/p>\n<p>Por ter formas arredondadas, em vez de planas como a maioria dos meteoritos, estima-se que, &#8220;Depois de se soltar, levou dois milh\u00f5es de anos para atingir o min\u00fasculo alvo da Terra, evitando o tempo todo ser rachado&#8221;, explica em um comunicado o primeiro autor do estudo, Peter Jenniskens, astr\u00f4nomo do Instituto SETI e do Centro de Pesquisa Ames da NASA.<\/p>\n<h2>Como o meteorito \u201cbola de lama\u201d chegou ileso \u00e0 Terra?<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/08\/08135148338166.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Meteoro \u201cbola de lama\u201d chega intacto a Terra ap\u00f3s 2 milh\u00f5es de anos; entenda\" \/><figcaption>O meteoroide que caiu em Aguas Zarcas manteve sua forma arredondada durante sua jornada. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa sobre o meteorito de Aguas Zarcas, informalmente descrito como \u201cbola de lama\u201d (mudball), <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/293975-70-meteoritos-chegam-terra-ter-tres-origens.htm\" target=\"_blank\">provocou uma reavalia\u00e7\u00e3o desse tipo de objeto<\/a>. Antes se supunha que o alto teor de minerais aquosos tornaria essas rochas espaciais estruturalmente mais fracas e sujeitas a danos. Mas, &#8220;Aparentemente, [a presen\u00e7a de minerais ricos em \u00e1gua] n\u00e3o significa que eles sejam fracos&#8221;, afirma Jenniskens em um comunicado de imprensa.<\/p>\n<p>O \u201cbola de lama\u201d (cientificamente classificado como condrito carbon\u00e1ceo) entrou na atmosfera da Costa Rica em abril de 2019 em um \u00e2ngulo quase vertical de 81 graus, a 14,5 km\/s. A trajet\u00f3ria \u00edngreme permitiu que ele percorresse o caminho mais curto poss\u00edvel atrav\u00e9s da atmosfera terrestre. <strong>Ou seja, a maior parte do meteoroide original sobreviveu \u00e0 entrada.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A 25 km acima da superf\u00edcie, a fragmenta\u00e7\u00e3o produziu um flash detectado pelos sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos GOES. Al\u00e9m disso, &#8220;A queda de Aguas Zarcas produziu uma incr\u00edvel sele\u00e7\u00e3o de pedras com crosta de fus\u00e3o [superf\u00edcie derretida] com uma ampla gama de formas&#8221;, explicou o coautor Laurence Garvie, cientista de meteoros da Universidade Estadual do Arizona. &#8220;Algumas pedras t\u00eam uma bela iridesc\u00eancia azul&#8221;, concluiu.<\/p>\n<h2>Qual a import\u00e2ncia do meteorito de Aguas Zarcas<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/08\/08135246844172.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Meteoro \u201cbola de lama\u201d chega intacto a Terra ap\u00f3s 2 milh\u00f5es de anos; entenda\" \/><figcaption>Foram recuperados 27 quilos de rochas do meteorito nas florestas da Costa Rica. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cientistas compararam a descoberta de Aguas Zarcas com a queda do Murchison, uma das maiores de descobertas de meteoritos na Terra, ocorrida logo ap\u00f3s a chegada do homem \u00e0 Lua em 1969. Segundo Jenniskens, <strong>os 27 quilos de rochas recuperadas na Costa Rica<\/strong> fizeram do bola de lama o segundo maior objeto do tipo j\u00e1 descoberto, pois o meteorito ca\u00eddo na Austr\u00e1lia produziu mais de 100 quilos de material.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos de outros meteoritos semelhantes ao Murchison que se desprenderam aproximadamente na mesma \u00e9poca, e provavelmente no mesmo evento, mas a maioria quebrou muito mais recentemente&#8221;, como ocorreu com os meteoritos de Aguas Zarcas, afirmou o coautor Kees Welten, da UC Berkeley.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar da coleta mais modesta, o meteorito de Aguas Zarcas teve enorme valor para a ci\u00eancia. Parafraseando Neil Armstrong, quando de sua descida na Lua em 1969, o coautor Gerardo Soto, da Universidade da Costa Rica, afirmou: \u201cA recupera\u00e7\u00e3o dos meteoritos de Aguas Zarcas tamb\u00e9m foi um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a meteor\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Depois de ler a hist\u00f3ria do segundo maior meteorito \u201cbola de lama\u201d j\u00e1 encontrado, <a href=\"https:\/\/www.megacurioso.com.br\/ciencia\/113203-material-terrestre-mais-antigo-ja-visto-tem-7-bilhoes-de-anos.htm\" target=\"_blank\">conhe\u00e7a tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de \u201ccampe\u00e3o\u201d Murchison<\/a>, que caiu na Austr\u00e1lia dois meses ap\u00f3s a chegada do homem \u00e0 Lua.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo publicado recentemente na revista Meteoritics &amp; Planetary Science relata a queda de um dos meteoritos mais importantes j\u00e1 encontrados na Terra: o chamado CM2 de Aguas Zarcas, cidade da Costa Rica onde o objeto caiu em 2019. Ele \u00e9 importante por ser uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula do tempo qu\u00edmica, que se manteve inalterada desde a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar. Isso significa que alguns ingredientes essenciais \u00e0 vida, como mol\u00e9culas org\u00e2nicas de amino\u00e1cidos, a\u00e7\u00facares e poss\u00edveis nucleobases, foram mantidas em estado praticamente primitivo e inalterado como estavam h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos. Essa composi\u00e7\u00e3o primitiva foi mantida porque o meteorito foi coletado ainda \u201cfresco\u201d, logo ap\u00f3s sua queda.\u00a0 Por ter formas arredondadas, em vez de planas como a maioria dos meteoritos, estima-se que, &#8220;Depois de se soltar, levou dois milh\u00f5es de anos para atingir o min\u00fasculo alvo da Terra, evitando o tempo todo ser rachado&#8221;, explica em um comunicado o primeiro autor do estudo, Peter Jenniskens, astr\u00f4nomo do Instituto SETI e do Centro de Pesquisa Ames da NASA. Como o meteorito \u201cbola de lama\u201d chegou ileso \u00e0 Terra? O meteoroide que caiu em Aguas Zarcas manteve sua forma arredondada durante sua jornada. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o) A pesquisa sobre o meteorito de Aguas Zarcas, informalmente descrito como \u201cbola de lama\u201d (mudball), provocou uma reavalia\u00e7\u00e3o desse tipo de objeto. Antes se supunha que o alto teor de minerais aquosos tornaria essas rochas espaciais estruturalmente mais fracas e sujeitas a danos. Mas, &#8220;Aparentemente, [a presen\u00e7a de minerais ricos em \u00e1gua] n\u00e3o significa que eles sejam fracos&#8221;, afirma Jenniskens em um comunicado de imprensa. O \u201cbola de lama\u201d (cientificamente classificado como condrito carbon\u00e1ceo) entrou na atmosfera da Costa Rica em abril de 2019 em um \u00e2ngulo quase vertical de 81 graus, a 14,5 km\/s. A trajet\u00f3ria \u00edngreme permitiu que ele percorresse o caminho mais curto poss\u00edvel atrav\u00e9s da atmosfera terrestre. Ou seja, a maior parte do meteoroide original sobreviveu \u00e0 entrada.\u00a0 A 25 km acima da superf\u00edcie, a fragmenta\u00e7\u00e3o produziu um flash detectado pelos sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos GOES. Al\u00e9m disso, &#8220;A queda de Aguas Zarcas produziu uma incr\u00edvel sele\u00e7\u00e3o de pedras com crosta de fus\u00e3o [superf\u00edcie derretida] com uma ampla gama de formas&#8221;, explicou o coautor Laurence Garvie, cientista de meteoros da Universidade Estadual do Arizona. &#8220;Algumas pedras t\u00eam uma bela iridesc\u00eancia azul&#8221;, concluiu. Qual a import\u00e2ncia do meteorito de Aguas Zarcas Foram recuperados 27 quilos de rochas do meteorito nas florestas da Costa Rica. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o) Os cientistas compararam a descoberta de Aguas Zarcas com a queda do Murchison, uma das maiores de descobertas de meteoritos na Terra, ocorrida logo ap\u00f3s a chegada do homem \u00e0 Lua em 1969. Segundo Jenniskens, os 27 quilos de rochas recuperadas na Costa Rica fizeram do bola de lama o segundo maior objeto do tipo j\u00e1 descoberto, pois o meteorito ca\u00eddo na Austr\u00e1lia produziu mais de 100 quilos de material. &#8220;Sabemos de outros meteoritos semelhantes ao Murchison que se desprenderam aproximadamente na mesma \u00e9poca, e provavelmente no mesmo evento, mas a maioria quebrou muito mais recentemente&#8221;, como ocorreu com os meteoritos de Aguas Zarcas, afirmou o coautor Kees Welten, da UC Berkeley.\u00a0 Apesar da coleta mais modesta, o meteorito de Aguas Zarcas teve enorme valor para a ci\u00eancia. Parafraseando Neil Armstrong, quando de sua descida na Lua em 1969, o coautor Gerardo Soto, da Universidade da Costa Rica, afirmou: \u201cA recupera\u00e7\u00e3o dos meteoritos de Aguas Zarcas tamb\u00e9m foi um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a meteor\u00edtica\u201d. 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