{"id":42593,"date":"2025-04-11T03:19:24","date_gmt":"2025-04-11T06:19:24","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/11\/para-eles-as-mulheres-sao-o-problema-o-que-e-incel-submundo-misogino-que-se-espalha-na-internet\/"},"modified":"2025-04-11T03:19:24","modified_gmt":"2025-04-11T06:19:24","slug":"para-eles-as-mulheres-sao-o-problema-o-que-e-incel-submundo-misogino-que-se-espalha-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/11\/para-eles-as-mulheres-sao-o-problema-o-que-e-incel-submundo-misogino-que-se-espalha-na-internet\/","title":{"rendered":"&#039;Para eles, as mulheres s\u00e3o o problema\u2019: o que \u00e9 incel, submundo mis\u00f3gino que se espalha na internet"},"content":{"rendered":"<p>Grupo faz parte da &#8216;machosfera&#8217;, rede virtual que espalha vis\u00f5es hipermasculinas em plataformas diversas e \u00f3dio \u00e0s mulheres. Entenda o que s\u00e3o incels, redpills e outros 10 termos da s\u00e9rie \u2018Adolesc\u00eancia\u2019<br \/>\nA s\u00e9rie Adolesc\u00eancia corre o mundo desde o seu lan\u00e7amento em mar\u00e7o ao trazer \u00e0 superf\u00edcie o submundo virtual dos incels, abrevia\u00e7\u00e3o para os autoproclamados &#8220;celibat\u00e1rios involunt\u00e1rios&#8221; (involuntary celibates, em ingl\u00eas).<br \/>\nEste ecossistema masculino, onde imperam misoginia e ressentimento, pode pegar espectadores desavisados de surpresa, mas, na verdade, \u00e9 um fen\u00f4meno longevo, cujos primeiros sinais datam da virada do s\u00e9culo. E tamb\u00e9m est\u00e1 presente no Brasil, falando frequentemente a jovens e adolescentes.<br \/>\nAtropelador de Toronto fazia parte desse grupo<br \/>\nVeja a conversa de um adolescente com os pais sobre a s\u00e9rie &#8216;Adolesc\u00eancia&#8217;<br \/>\nEstudiosos definem o universo incel como comunidades em f\u00f3runs virtuais de homens heterossexuais que se percebem como incapazes de atrair o interesse rom\u00e2ntico e sexual das mulheres. Quase sempre, membros atribuem a falta de apelo \u00e0 sua apar\u00eancia f\u00edsica e a uma suposta inferioridade biol\u00f3gica \u2014 ou, ainda, ao fato de n\u00e3o serem ricos ou soci\u00e1veis o bastante.<br \/>\nNas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, eles encontraram na internet um terreno f\u00e9rtil e se alimentam de uma gama de hist\u00f3rias t\u00e3o conspirat\u00f3rias quanto distorcidas.<br \/>\nO que come\u00e7a como frustra\u00e7\u00e3o e falta de autoestima se converte em \u00f3dio contra as mulheres, sujeitas a todo tipo de acusa\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o descritas como ardilosas, incapazes de sentir empatia ou amor e interessadas apenas por homens fisicamente atraentes.<br \/>\nH\u00e1 anos, especialistas alertam ainda para o poder da comunidade incel de incitar viol\u00eancia \u2014 seja autoinfligida, contra mulheres ou por ataques massivos \u2014 e espalhar ultrarradicalismo, inclusive com contornos supremacistas.<br \/>\nOs incels s\u00e3o frequentemente descritos como um dos subgrupos mais perigosos da chamada &#8220;machosfera&#8221;, uma rede virtual que espalha vis\u00f5es hipermasculinas em plataformas diversas, com diferentes graus de radicaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Estes s\u00e3o grupos organizados, que entendem que a mulher \u00e9 o grande problema da sociedade. Na medida que os direitos das mulheres avan\u00e7am, o movimento sente a masculinidade fragilizada e busca resgat\u00e1-la como ela era tempos atr\u00e1s&#8221;, explica a cientista pol\u00edtica Bruna Camilo, que monitorou intera\u00e7\u00f5es entre usu\u00e1rios incel do Brasil no Telegram entre 2021 e 2022 para uma pesquisa na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-MG).<br \/>\nBrasileiros inspirados nos EUA<br \/>\nEm 2022, o Servi\u00e7o Secreto dos Estados Unidos descreveu o extremismo mis\u00f3gino dos incels como amea\u00e7a nacional. Eles servem de inspira\u00e7\u00e3o para pares brasileiros, que mant\u00e9m um vocabul\u00e1rio adaptado ao contexto nacional e s\u00e3o ideologicamente conectados \u00e0 extrema direita.<br \/>\nUm relat\u00f3rio produzido por especialistas para o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania em 2023 classificou os grupos masculinistas, dos quais os incels s\u00e3o um expoente, como uma das principais fontes de discurso de \u00f3dio e extremismo na internet.<br \/>\nOs incels no Brasil j\u00e1 migraram de f\u00f3runs especializados para grandes plataformas, como TikTok, Instagram, YouTube e Discord, esta \u00faltima popular entre adolescentes e adultos que jogam online.<br \/>\nOs seus membros n\u00e3o costumam se identificar publicamente com a nomenclatura incel, mantida nas esferas de intera\u00e7\u00e3o privada, mas reproduzem as mesmas ideias e terminologia.<br \/>\nSegundo Camilo, dentre os termos mais caracter\u00edsticos dos incels brasileiros est\u00e3o express\u00f5es chulas espec\u00edficas para se referir tanto a mulheres feministas quanto conservadoras. Nem aquelas que clamam para si um lugar subserviente est\u00e3o poupadas da misoginia.<br \/>\nA pesquisadora tamb\u00e9m encontrou recorrentes express\u00f5es de apoio a Olavo de Carvalho, guru da extrema direita brasileira falecido em 2022, e a rememora\u00e7\u00e3o do caso Elo\u00e1 Cristina Pimentel \u2014 adolescente de 15 anos sequestrada e assassinada pelo seu ex-namorado em 2008 \u2014, retratado como exemplo do que fazer quando uma mulher ignora um homem.<br \/>\n&#8220;Os incels s\u00e3o majoritariamente meninos ou jovens que t\u00eam dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, \u00e9 o menino desajeitado, que n\u00e3o sabe se comportar naquela \u00e9poca de namoro e se afirmar enquanto menino&#8221;, afirma a cientista pol\u00edtica.<br \/>\n&#8220;Isso \u00e9 muito comum na adolesc\u00eancia, porque \u00e9 uma fase de transforma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, ele vai procurar na internet alguma forma de aceita\u00e7\u00e3o e pertencimento.&#8221;<br \/>\nInstagram pro\u00edbe menores de 16 anos de fazerem lives sem autoriza\u00e7\u00e3o dos pais<br \/>\n&#8216;Minha filha n\u00e3o queria mais voltar para a escola&#8217;: o sofrimento de v\u00edtimas de nudes feitos com IA<br \/>\nOrigem com uma jovem canadense<br \/>\nFoi nos anos 1990 que uma jovem canadense inadvertidamente cunhou o termo incel. Ela criou um site chamado O Projeto de Celibato Involunt\u00e1rio da Alana, no qual relatava a sua dificuldade em experimentar uma vida sexual e amorosa.<br \/>\nO seu objetivo era se conectar com outros internautas solit\u00e1rios. Mas, nos anos consecutivos, a ideia acabaria apropriada por homens frustrados na internet e se tornaria o embri\u00e3o de um movimento incel internacional.<br \/>\n&#8220;\u00c9 como ser a cientista que descobriu a fiss\u00e3o nuclear e depois descobre que ela est\u00e1 sendo usada como uma arma de guerra&#8221;, disse Alana, que manteve o sobrenome an\u00f4nimo, numa entrevista ao jornal brit\u00e2nico The Guardian em 2018.<br \/>\nEm 2021, a nacionalidade mais comum no maior f\u00f3rum incel angl\u00f3fono era a Alemanha, segundo relat\u00f3rio produzido para a Uni\u00e3o Europeia (UE). Os incels alem\u00e3es demonstravam sentimentos de inferioridade em rela\u00e7\u00e3o a homens brancos e loiros.<br \/>\nPor sua vez, homens brancos na Su\u00e9cia se sentiam menos atraentes. J\u00e1 na Fran\u00e7a, os usu\u00e1rios se ressentiam dos direitos conquistados pelas mulheres, acreditando que o pa\u00eds se tornara hiperfeminista e destru\u00edra os direitos dos homens.<br \/>\n&#8220;\u00c0 medida que esses espa\u00e7os cresceram, os incels desenvolveram sua pr\u00f3pria ideologia e valores, canonizaram seus her\u00f3is e identificaram seus vil\u00f5es&#8221;, afirmou o documento.<br \/>\nChad, Stacy e P\u00edlulas Pretas<br \/>\nNas entranhas do submundo incel angl\u00f3fono, moram arqu\u00e9tipos derrogat\u00f3rios para mulheres e homens sexualmente ativos. Elas s\u00e3o chamadas de Stacy, representando um suposto tipo de mulher superficial, prom\u00edscua e inating\u00edvel. J\u00e1 eles s\u00e3o chamados de Chad e seriam populares e musculosos.<br \/>\nA imagina\u00e7\u00e3o incel orbita ainda ao redor da chamada &#8220;regra 80\/20&#8221;, segundo a qual 80% das mulheres se atraem por 20% dos homens.<br \/>\nA ela se atribui o insucesso rom\u00e2ntico dos incels \u2014 uma Stacy s\u00f3 se interessaria sexualmente por um Chad, ou sempre estaria pronta para deixar um homem supostamente inferior por ele.<br \/>\nAo se dar conta dessa realidade, um homem &#8220;engoliria a p\u00edlula vermelha&#8221; (redpill, em ingl\u00eas), ou seja, despertaria para os preceitos centrais do movimento incel. O termo faz refer\u00eancia ao filme Matrix e, na \u00faltima d\u00e9cada, se desdobrou na &#8220;p\u00edlula preta&#8221; (blackpill), hoje tamb\u00e9m em crescimento no Brasil.<br \/>\n&#8220;Blackpill \u00e9 uma vers\u00e3o mais radicalizada de redpill. Eu diria que temos que tomar muito cuidado com esse movimento, que de fato discursa sobre morte \u00e0s mulheres&#8221;, explica Camilo.<br \/>\nExtremismo e sa\u00fade mental<br \/>\nUma pesquisa encomendada pelo governo brit\u00e2nico apontou que uma minoria de incels declara abertamente apoio \u00e0 viol\u00eancia, enquanto os \u00faltimos anos tiveram um n\u00famero pequeno, por\u00e9m crescente, de ataques associado ao movimento.<br \/>\nJ\u00e1 o relat\u00f3rio da UE dividiu as plataformas onde os incels interagiam, pelo menos at\u00e9 2021, como de alto ou baixo risco, com as mais populares, tais como YouTube e X, sendo menos propensas \u00e0 viol\u00eancia do que f\u00f3runs e websites end\u00f3genos.<br \/>\nAo inv\u00e9s de abordagens contra viol\u00eancia e terrorismo, especialistas argumentam que a melhor resposta ao fen\u00f4meno incel passa pela sa\u00fade mental.<br \/>\nEstudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Swansea, no Reino Unido, revelaram que incels tendem a sofrer de depress\u00e3o severa, ansiedade, pensamentos suicidas e solid\u00e3o, al\u00e9m de acumularem diagn\u00f3sticos ou sintomas de autismo em maior frequ\u00eancia.<br \/>\n&#8220;Nossas descobertas destacam a import\u00e2ncia do apoio personalizado \u00e0 sa\u00fade mental dos incels, pois eles parecem ter erros de pensamento espec\u00edficos sobre os relacionamentos sexuais que podem afetar seus relacionamentos interpessoais&#8221;, disse o coautor Andrew Thomas, ao comentar uma pesquisa com 151 incels.<br \/>\nPara o professor, terapias especializadas podem &#8220;interromper o vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o que alimenta cren\u00e7as t\u00f3xicas&#8221; dos incels.<br \/>\nPor sua vez, os autores do relat\u00f3rio para a UE recomendam o desenho de programas que possam alcan\u00e7ar os incels na internet e a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os alternativos voltados ao p\u00fablico masculino.<br \/>\n&#8220;De muitas maneiras, a comunidade incel funciona como um grupo de apoio emocional online&#8221;, explica o relat\u00f3rio. &#8220;Faltam espa\u00e7os alternativos online para que homens e meninos se envolvam em discuss\u00f5es sobre relacionamentos sexuais, namoro, rejei\u00e7\u00e3o e vergonha.&#8221;<br \/>\nQuestionado sobre iniciativas para reagir ao fen\u00f4meno incel no Brasil e outras formas de extremismo, o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania n\u00e3o respondeu at\u00e9 o fechamento da reportagem.<br \/>\nVeja mais:<br \/>\nDiscord: o que \u00e9 a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo faz parte da &#8216;machosfera&#8217;, rede virtual que espalha vis\u00f5es hipermasculinas em plataformas diversas e \u00f3dio \u00e0s mulheres. 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Atropelador de Toronto fazia parte desse grupo Veja a conversa de um adolescente com os pais sobre a s\u00e9rie &#8216;Adolesc\u00eancia&#8217; Estudiosos definem o universo incel como comunidades em f\u00f3runs virtuais de homens heterossexuais que se percebem como incapazes de atrair o interesse rom\u00e2ntico e sexual das mulheres. Quase sempre, membros atribuem a falta de apelo \u00e0 sua apar\u00eancia f\u00edsica e a uma suposta inferioridade biol\u00f3gica \u2014 ou, ainda, ao fato de n\u00e3o serem ricos ou soci\u00e1veis o bastante. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, eles encontraram na internet um terreno f\u00e9rtil e se alimentam de uma gama de hist\u00f3rias t\u00e3o conspirat\u00f3rias quanto distorcidas. O que come\u00e7a como frustra\u00e7\u00e3o e falta de autoestima se converte em \u00f3dio contra as mulheres, sujeitas a todo tipo de acusa\u00e7\u00e3o. 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Mas, nos anos consecutivos, a ideia acabaria apropriada por homens frustrados na internet e se tornaria o embri\u00e3o de um movimento incel internacional. &#8220;\u00c9 como ser a cientista que descobriu a fiss\u00e3o nuclear e depois descobre que ela est\u00e1 sendo usada como uma arma de guerra&#8221;, disse Alana, que manteve o sobrenome an\u00f4nimo, numa entrevista ao jornal brit\u00e2nico The Guardian em 2018. Em 2021, a nacionalidade mais comum no maior f\u00f3rum incel angl\u00f3fono era a Alemanha, segundo relat\u00f3rio produzido para a Uni\u00e3o Europeia (UE). Os incels alem\u00e3es demonstravam sentimentos de inferioridade em rela\u00e7\u00e3o a homens brancos e loiros. Por sua vez, homens brancos na Su\u00e9cia se sentiam menos atraentes. 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