{"id":42865,"date":"2025-04-13T16:49:37","date_gmt":"2025-04-13T19:49:37","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/13\/geracao-z-nao-esta-em-negacao-sobre-celular-eles-nao-dizem-que-e-bom-mas-sentem-se-presos-diz-autor-de-geracao-ansiosa\/"},"modified":"2025-04-13T16:49:37","modified_gmt":"2025-04-13T19:49:37","slug":"geracao-z-nao-esta-em-negacao-sobre-celular-eles-nao-dizem-que-e-bom-mas-sentem-se-presos-diz-autor-de-geracao-ansiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/13\/geracao-z-nao-esta-em-negacao-sobre-celular-eles-nao-dizem-que-e-bom-mas-sentem-se-presos-diz-autor-de-geracao-ansiosa\/","title":{"rendered":"&#039;Gera\u00e7\u00e3o Z n\u00e3o est\u00e1 em nega\u00e7\u00e3o sobre celular. Eles n\u00e3o dizem que \u00e9 bom, mas sentem-se presos&#039;, diz autor de &#039;Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa&#039;"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"c5163400-1665-11f0-b1b3-7358f8d35a35.jpg &#039;Gera\u00e7\u00e3o Z n\u00e3o est\u00e1 em nega\u00e7\u00e3o sobre celular. Eles n\u00e3o dizem que \u00e9 bom, mas sentem-se presos&#039;, diz autor de &#039;Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa&#039;\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/zb265ghIhADcEdwWmE0bpbS9MFA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/e\/1\/7OPJIESmyF9bRbTZFdtQ\/c5163400-1665-11f0-b1b3-7358f8d35a35.jpg.webp\" \/><br \/>     Em entrevista \u00e0 BBC, o autor do livro &#8216;Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa&#8217;, Jonathan Haidt, detalha os efeitos do telefone celular e das redes sociais sobre a inf\u00e2ncia atual e o que pode ser feito para livrar as crian\u00e7as do uso excessivo de telas.<br \/>\n Para Jonathan Haidt, as crian\u00e7as &#8216;foram sugadas para se tornarem apenas consumidores de conte\u00fado e isso \u00e9 tudo o que elas fazem&#8217;<br \/>\nBBC<br \/>\nKatty Kay (BBC): Seu livro foi publicado h\u00e1 um ano e causou imensas discuss\u00f5es.Os pais precisam de ajuda. Sei disso por experi\u00eancia pr\u00f3pria.<br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil tirar os filhos da frente das telas, se todos os seus amigos est\u00e3o grudados nas telas deles. \u00c9 uma depend\u00eancia que exige a\u00e7\u00f5es coletivas.<br \/>\nDesde que conversei com Jonathan Haidt, o autor do livro A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa: Como a Inf\u00e2ncia Hiperconectada Est\u00e1 Causando uma Epidemia de Transtornos Mentais (Ed. Cia. das Letras, 2024), n\u00e3o consigo tirar da cabe\u00e7a uma frase que ele me disse durante a entrevista.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o conhe\u00e7o um membro da Gera\u00e7\u00e3o Z que esteja em nega\u00e7\u00e3o, que diga &#8216;N\u00e3o, n\u00f3s adoramos os celulares, os celulares s\u00e3o bons para n\u00f3s'&#8221;, contou Haidt. &#8220;Todos eles veem o que est\u00e1 acontecendo, mas se sentem aprisionados.&#8221;<br \/>\nSaiba como ativar prote\u00e7\u00e3o para controlar tempo e atividade de crian\u00e7as no celular<br \/>\nSer\u00e1 que alguma coisa realmente mudou no \u00faltimo ano, desde a publica\u00e7\u00e3o do livro de Haidt? Todo o alvoro\u00e7o que surgiu sobre os telefones celulares ter\u00e1 sido apenas um momento passageiro de ansiedade parental coletiva ou aquilo realmente trouxe o tipo de a\u00e7\u00e3o que muitos pais esperavam?<br \/>\nAssim que foi publicado, A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa despertou uma avalia\u00e7\u00e3o global do uso do telefone celular entre as crian\u00e7as. Conversei com o autor para saber se ele ainda \u00e9 da opini\u00e3o de que o excesso de tempo em frente \u00e0s telas est\u00e1 colocando a inf\u00e2ncia em risco.<br \/>\nConfira abaixo a entrevista, editada para maior concis\u00e3o e clareza.<br \/>\nKatty Kay (BBC): Seu livro foi publicado h\u00e1 um ano e causou imensas discuss\u00f5es.<br \/>\nEu gostaria de come\u00e7ar pedindo uma esp\u00e9cie de resumo sobre onde estamos sobre os diversos aspectos do que voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer: telefones celulares nas escolas, classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, redes sociais, como fazer para que as crian\u00e7as tenham mais tempo livre para se divertirem.<br \/>\nO que est\u00e1 indo bem e o que n\u00e3o est\u00e1, em rela\u00e7\u00e3o a todas estas quest\u00f5es, nos Estados Unidos?<br \/>\nJonathan Haidt: Eu sabia que o livro seria popular. Mas eu n\u00e3o me havia preparado para que esta quest\u00e3o se espalhasse como fogo na mata por todo o mundo, n\u00e3o apenas nos Estados Unidos.<br \/>\nEm todo o planeta, a vida familiar se transformou em uma luta sobre o tempo em frente \u00e0s telas. Todo mundo odeia. Todo mundo v\u00ea isso.<br \/>\nO que decolou mais rapidamente foram as escolas livres de celulares, porque \u00e9 algo que pode ser feito com muita facilidade.<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil ensinar em uma sala de aula quando metade dos alunos est\u00e3o assistindo a v\u00eddeos curtos e jogando videogames. Por isso, os professores odiaram os celulares desde o princ\u00edpio, mas ficaram com medo, especialmente nos Estados Unidos.<br \/>\nTalvez seja o mesmo no Reino Unido, mas, nos Estados Unidos, existem muitos pais que querem poder se comunicar todo o tempo com seu filho. Eles acham que t\u00eam o direito de verificar como seus filhos est\u00e3o.<br \/>\n&#8220;E se algo der errado? Preciso estar presente.&#8221; Da\u00ed, vem o excesso de cuidado&#8230;<br \/>\nKay: Existe, ent\u00e3o, um paradoxo, porque voc\u00ea tem os pais que s\u00e3o superpreocupados com os celulares. Eles observam o que os celulares fazem com seus filhos, mas n\u00e3o querem que seus filhos abandonem seus celulares quando v\u00e3o para a escola.<br \/>\nHaidt: Veja, as pessoas s\u00e3o complicadas! Existem multid\u00f5es dentro delas.<br \/>\nEu n\u00e3o deveria dizer que todos observaram o problema porque existem muitos pais que acreditam que o celular \u00e9 uma corda de seguran\u00e7a.<br \/>\nEles veem o mundo como um lugar muito perigoso e amea\u00e7ador. Por isso, logo no in\u00edcio deste processo, achei que haveria essa quest\u00e3o muito americana da superprote\u00e7\u00e3o, pois realmente temos muito mais criminalidade do que a Europa ou o Canad\u00e1.<br \/>\nMas o que me surpreendeu, depois de estudar esta quest\u00e3o por um longo per\u00edodo, \u00e9 que a superprote\u00e7\u00e3o se disseminou e varreu todos os pa\u00edses de l\u00edngua inglesa nos anos 1990.<br \/>\nPor isso, todos os pa\u00edses de l\u00edngua inglesa passaram por isso ao mesmo tempo. E, agora, todos eles est\u00e3o tomando medidas com muita rapidez.<br \/>\nEu diria que o Reino Unido e a Austr\u00e1lia est\u00e3o na lideran\u00e7a, em termos de realmente aprovar legisla\u00e7\u00e3o a este respeito.<br \/>\nKay: Aqui nos Estados Unidos, observamos algumas batalhas no Congresso, mas nada aconteceu em n\u00edvel nacional. O que vejo s\u00e3o Estados individuais promulgando leis para impedir que as crian\u00e7as tenham celulares nas escolas.<br \/>\nHaidt: \u00c9 verdade, j\u00e1 que n\u00e3o temos legislaturas operantes nos Estados Unidos.<br \/>\nN\u00f3s temos o Congresso. E o Congresso, na verdade, n\u00e3o pode fazer nada se algu\u00e9m questionar.<br \/>\nPor isso, desde o princ\u00edpio, n\u00e3o considerei que conseguir\u00edamos um m\u00ednimo que fosse de ajuda do Congresso. Eu me concentrei nos 50 Estados americanos, no Reino Unido, Austr\u00e1lia e Uni\u00e3o Europeia.<br \/>\nSe conseguirmos mudan\u00e7as legislativas nestas regi\u00f5es, ser\u00e1 uma vit\u00f3ria.<br \/>\nKay: \u00c9 cedo demais para vermos qual foi o impacto nas escolas que proibiram os telefones celulares? Temos algum dado sobre isso ou apenas supomos que elas ter\u00e3o melhores resultados?<br \/>\nHaidt: Temos relatos de escolas que passaram a ser livres de celulares. E eu desafio as pessoas a procurarem uma escola que realmente seja livre de celulares e n\u00e3o apenas durante o hor\u00e1rio das aulas.<br \/>\nSe for apenas uma restri\u00e7\u00e3o durante o hor\u00e1rio das aulas, a escola n\u00e3o \u00e9 livre de celulares.<br \/>\nIsso causa todo tipo de problemas. Todas as crian\u00e7as ficam no celular entre uma aula e outra.<br \/>\nMas, entre as escolas realmente livres de celulares, onde voc\u00ea entrega o telefone pela manh\u00e3 e o recebe de volta \u00e0 noite, os relatos s\u00e3o muito positivos.<br \/>\nO coment\u00e1rio mais comum \u00e9 que os problemas de disciplina diminuem. H\u00e1 muito menos brigas, muito menos drama. O absente\u00edsmo \u00e9 baixo.<br \/>\nA escola \u00e9 muito mais divertida quando voc\u00ea consegue realmente conversar com seus amigos, brincar e rir com eles. Por isso, o absente\u00edsmo diminui, os atrasos tamb\u00e9m e as crian\u00e7as chegam no hor\u00e1rio.<br \/>\nMas o mais estimulante para mim \u00e9 que a maioria diz que voltamos a ouvir risos nos corredores.<br \/>\nPor isso, todos os relatos s\u00e3o muito positivos. Muitas vezes, existe resist\u00eancia na primeira semana ou quinzena, mas o que a maioria deles diz que termina por a\u00ed.<br \/>\nKay: De onde vem a resist\u00eancia?<br \/>\nHaidt: Algumas das crian\u00e7as n\u00e3o gostam e alguns pais n\u00e3o gostam.<br \/>\nMas conversei com centenas e centenas de diretores de escolas. O que eles me dizem \u00e9 que esperavam forte resist\u00eancia dos pais, o que, na verdade, n\u00e3o aconteceu.<br \/>\nPorque este ano \u00e9 diferente. O zeitgeist [o esp\u00edrito da \u00e9poca] mudou. Na verdade, tudo come\u00e7ou no Reino Unido, antes mesmo de sair meu livro.<br \/>\nVoc\u00ea tinha escolas livres de smartphones. Elas viralizaram em fevereiro do ano passado e meu livro s\u00f3 foi publicado em mar\u00e7o. Agora, o ambiente \u00e9 outro e as escolas est\u00e3o prontas para agir.<br \/>\nExistem estudos acad\u00eamicos que foram amb\u00edguos. Mas, quando voc\u00ea os examina&#8230; Houve um que saiu no Reino Unido e foi publicado na revista The Lancet.<br \/>\nEle dizia que as escolas livres de celulares n\u00e3o ajudam. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade.<br \/>\nO estudo examinou cerca de oito escolas que tinham uma pol\u00edtica de mochilas, o que n\u00e3o \u00e9 muito bom, e 11 ou 15 escolas que tinham uma pol\u00edtica de proibi\u00e7\u00e3o em sala de aula.<br \/>\nParecia que havia uma leve diferen\u00e7a de pol\u00edticas. Mas s\u00e3o escolas muito diferentes.<br \/>\nTemos uma postagem na plataforma Substack demonstrando que este estudo da The Lancet n\u00e3o mostra nada deste tipo.<br \/>\nHouve um estudo no Reino Unido realizado pelo think tank [centro de pesquisa e debates] Policy Exchange, que examinou v\u00e1rias centenas de escolas brit\u00e2nicas. E apenas cerca de 10% delas s\u00e3o realmente livres de celulares.<br \/>\nSe voc\u00ea observar as escolas do Reino Unido que s\u00e3o realmente livres de celulares e compar\u00e1-las com as demais, ir\u00e1 encontrar benef\u00edcios acad\u00eamicos e comportamentais.<br \/>\nKay: Quero voltar para algo que voc\u00ea disse no come\u00e7o, sobre os anos 1990 e como aquela se tornou uma \u00e9poca de medo.<br \/>\nSou m\u00e3e que trabalha a vida inteira. Tenho quatro filhos \u2013 dois deles nasceram nos anos 1990, um em 2000 e outro, em 2006. Por isso, cada um deles teve experi\u00eancias diferentes com as telas.<br \/>\nMas, pelas pesquisas que realizei, algo mais aconteceu entre os anos 1980 e 1990, que foi uma esp\u00e9cie de expans\u00e3o do que consideramos ser um bom pai ou m\u00e3e \u2013 e, mais especificamente, uma boa m\u00e3e, certo?<br \/>\nAs m\u00e3es estavam trabalhando em tempo integral e ainda cumprindo com uma parte esmagadora dos afazeres dom\u00e9sticos. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso.<br \/>\nNas minhas pesquisas, as mulheres de hoje em dia est\u00e3o fazendo mais ou menos a mesma parcela de tarefas dom\u00e9sticas que as suas bisav\u00f3s faziam no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<br \/>\nO caso \u00e9 que a sociedade, de alguma forma, considerava que n\u00f3s n\u00e3o ser\u00edamos boas m\u00e3es se n\u00e3o pass\u00e1ssemos uma enorme parcela do nosso tempo com nossos filhos, sempre correndo nos fins de semana para lev\u00e1-los a eventos.<br \/>\nE, de alguma forma, talvez particularmente se voc\u00ea fosse uma m\u00e3e que trabalha, a culpa meio que explodia.<br \/>\nEu sinto que as telas \u2013 e vi isso com meus pr\u00f3prios filhos \u2013 simplesmente se tornaram uma forma de al\u00edvio para os pais, e as m\u00e3es em particular, de quem a sociedade simplesmente pedia algo que era imposs\u00edvel.<br \/>\nHaidt: Cada palavra que voc\u00ea disse \u00e9 verdade. Vou apenas tentar acrescentar algo.<br \/>\nEste \u00e9 um quebra-cabe\u00e7a.<br \/>\nE tenho um gr\u00e1fico muito bizarro no livro, que mostra que a quantidade de tempo que as m\u00e3es e os pais passam com seus filhos permaneceu razoavelmente est\u00e1vel nos anos 1980 e at\u00e9 nos anos 1990. E, de repente, em meados dos anos 1990, ela disparou, pelo menos nos Estados Unidos.<br \/>\nAlgo mudou nos anos 1990. E foi este padr\u00e3o que voc\u00ea comentou.<br \/>\nKay: \u00d3timo, eu me mudei para os Estados Unidos em 1996, logo cheguei no momento exato! [risos]<br \/>\nHaidt: Agora, voc\u00ea chegou l\u00e1! \u00c9 isso mesmo!<br \/>\nIsso realmente aconteceu. As mulheres, hoje em dia, t\u00eam menos filhos que suas av\u00f3s, trabalham fora de casa, ao contr\u00e1rio das suas av\u00f3s, e passam mais tempo com seus filhos.<br \/>\nOu seja, grande parte disso ficou com as mulheres. Mas por que isso aconteceu?<br \/>\nA melhor resposta vem deste livro realmente maravilhoso chamado Paranoid Parenting [&#8220;Cria\u00e7\u00e3o de filhos paranoica&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre], de Frank Furedi.<br \/>\nEle \u00e9 um soci\u00f3logo brit\u00e2nico e se concentra no que aconteceu no Reino Unido, n\u00e3o nos EUA. Mas ele indica que o mesmo ocorreu nos Estados Unidos e no Canad\u00e1.<br \/>\nE o que aconteceu, segundo ele, \u00e9 que n\u00f3s perdemos a confian\u00e7a nas outras pessoas. E, quando isso aconteceu, deixamos de confiar nos nossos vizinhos. E n\u00e3o confiamos nas pessoas para quem encaminhamos nossos filhos.<br \/>\nCriar filhos sempre foi meio que um projeto coletivo. Quando voc\u00ea perde isso, fica cada fam\u00edlia por si. E isso significa que s\u00e3o principalmente as m\u00e3es que ficam sozinhas.<br \/>\nKay: Dentro do seu tipo de meta-an\u00e1lise das telas, crian\u00e7as e escolas e se podemos ou n\u00e3o ter celulares nas escolas, n\u00f3s realmente precisamos abordar estas quest\u00f5es antes de podermos, de fato, livrar nossos filhos dessa depend\u00eancia das telas?<br \/>\nHaidt: Precisamos entender estas quest\u00f5es em primeiro lugar, se quisermos compreender tudo o que acontece historicamente.<br \/>\nMas eu n\u00e3o diria que precisamos lidar com estas quest\u00f5es primeiro porque, francamente, n\u00f3s n\u00e3o vamos enfrent\u00e1-las. Falo em reverter o decl\u00ednio da comunidade.<br \/>\nSabe, eu compare\u00e7o a todo tipo de reuni\u00f5es sobre isso. Existem todos os tipos de funda\u00e7\u00f5es, Veja, a tecnologia muda a sociedade&#8230;<br \/>\nKay: Voc\u00ea poderia simplesmente consertar tudo, Jon? [risos] Quero dizer, sei o que voc\u00ea fez sobre os celulares nas escolas, mas, de verdade, intensificar isso?<br \/>\nHaidt: [risos] Sim. Vamos consertar a comunidade em seguida!<br \/>\nN\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o vamos restaurar nossa confian\u00e7a nos vizinhos para podermos deixar nossos filhos sa\u00edrem de casa. Isso n\u00e3o vai acontecer.<br \/>\nNa verdade, provavelmente iremos piorar muito com a era da intelig\u00eancia artificial, quando n\u00e3o teremos ideia do que \u00e9 verdade. N\u00f3s n\u00e3o iremos saber novamente o que \u00e9 verdade por muito tempo. Talvez nunca mais saibamos.<br \/>\nPrecisamos nos adaptar a isso. E acho que a forma de nos adaptarmos a esta ofensiva da tecnologia \u00e9 dizer &#8220;OK, sabe? As crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o adultos.&#8221;<br \/>\nPrecisamos nos concentrar no que ser\u00e1 necess\u00e1rio para permitir que as crian\u00e7as desenvolvam seus c\u00e9rebros de forma saud\u00e1vel ao longo da puberdade. Esta \u00e9 a minha miss\u00e3o.<br \/>\nPrecisamos oferecer \u00e0s crian\u00e7as menos tempo de tela. Tempo muito menos fragmentado.<br \/>\nSem TikTok. Sem v\u00eddeos curtos. Este \u00e9 o pior \u2013 e dar a eles muito mais experi\u00eancia, interagindo com as pessoas.<br \/>\nKay: O que voc\u00ea diria para as fam\u00edlias mais pobres, onde os dois pais precisam trabalhar em diversos empregos e para quem a inven\u00e7\u00e3o do conte\u00fado em telas que deixa seus filhos pequenos ocupados \u00e9 literalmente uma corda de salva\u00e7\u00e3o? Existe ou n\u00e3o um argumento diferente para elas?<br \/>\nHaidt: Sim, existe. A forma de compreender isso \u00e9 que, nos anos 1990, quando todos n\u00f3s \u00e9ramos tecno-otimistas, a internet era incr\u00edvel.<br \/>\nA internet, inicialmente, era incr\u00edvel. Mas as crian\u00e7as ricas tinham computadores e acesso \u00e0 internet e os pobres n\u00e3o tinham.<br \/>\nNos anos 1990, t\u00ednhamos algo de bom, sabe? Era a igualdade educacional.<br \/>\nBill Gates e todos os tipos de filantropos doaram centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares. &#8220;Vamos fazer com que todas as crian\u00e7as tenham computadores.&#8221;<br \/>\nPor isso, no in\u00edcio dos anos 2000, todos n\u00f3s \u00e9ramos tecno-otimistas e pens\u00e1vamos: &#8220;Muito bem, eu n\u00e3o tenho confian\u00e7a de que meu filho ande tr\u00eas quarteir\u00f5es at\u00e9 uma loja, mas ele est\u00e1 em um computador? O que poder\u00e1 acontecer? Ele est\u00e1 aprendendo! Isso \u00e9 \u00f3timo!&#8221;<br \/>\nN\u00f3s achamos bom que os nossos filhos ficassem no andar de cima, com um computador. E, \u00e9 claro, esta \u00e9 uma das ideias centrais da s\u00e9rie Adolesc\u00eancia, da Netflix, como voc\u00ea sabe.<br \/>\nOs pais pensam que seus filhos est\u00e3o seguros quando est\u00e3o em um computador. E, nos anos 1990, a maioria deles estava. Havia tamb\u00e9m algumas coisas ruins, mas a maioria deles estava.<br \/>\nMas, quando a internet \u00e9 dominada, ou pelo menos a inf\u00e2ncia \u00e9 dominada por tr\u00eas ou quatro grandes empresas \u2013 TikTok, Snap, Meta e Google \u2013 que usam algoritmos para enviar conte\u00fado para elas, para mant\u00ea-las conectadas, tudo fica muito mais sombrio.<br \/>\nAgora, as crian\u00e7as nos computadores n\u00e3o est\u00e3o aprendendo a programar. Elas n\u00e3o est\u00e3o aprendendo nenhum conhecimento \u00fatil.<br \/>\nElas est\u00e3o simplesmente deitadas ali, consumindo conte\u00fado. \u00c9 quando tudo fica muito doentio e muito sombrio. Mas n\u00f3s n\u00e3o percebemos.<br \/>\nPor isso, o que aconteceu agora \u00e9 que a quest\u00e3o da igualdade educacional se inverteu.<br \/>\nCostumava ser &#8220;conseguir computadores para as crian\u00e7as pobres&#8221;. Mas, nos anos 2000, ficou claro que os ricos, especialmente as pessoas do Vale do Sil\u00edcio, n\u00e3o deixam seus filhos terem acesso a este tipo de coisas.<br \/>\nPor isso, agora, o grande imperativo da igualdade educacional \u00e9 que precisamos oferecer \u00e0s crian\u00e7as pobres a mesma prote\u00e7\u00e3o que t\u00eam os ricos. Precisamos fazer com que elas fiquem menos tempo nas telas.<br \/>\nVoc\u00ea disse que elas s\u00e3o literalmente uma corda de salva\u00e7\u00e3o. Eu diria que n\u00e3o, elas n\u00e3o s\u00e3o literalmente uma corda de salva\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o literalmente um deturpador de mentes.<br \/>\nKay: Muito do que voc\u00ea escreve e a forma como voc\u00ea escreve \u00e9 dirigida aos adultos.<br \/>\nSe voc\u00ea fosse \u00e0s escolas e conversasse com os alunos do ensino m\u00e9dio, qual seria o argumento mais eficaz que voc\u00ea poderia apresentar para eles?<br \/>\nHaidt: Fico feliz por voc\u00ea ter feito esta pergunta porque, pouco antes da entrevista, eu estava em uma conversa de uma hora com a minha equipe.<br \/>\nEstamos criando uma vers\u00e3o de A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa para crian\u00e7as de 8 a 12 anos de idade, que ainda n\u00e3o t\u00eam smartphone.<br \/>\nO ponto principal que queremos transmitir \u00e9 que existem empresas que querem fisgar voc\u00eas. E eles j\u00e1 fisgaram a maior parte das crian\u00e7as.<br \/>\nSe voc\u00eas olharem para as crian\u00e7as mais velhas, elas n\u00e3o est\u00e3o se divertindo. Elas est\u00e3o sozinhas, est\u00e3o tristes.<br \/>\nPorque todas elas foram sugadas para se tornarem apenas consumidores de conte\u00fado e isso \u00e9 tudo o que eles fazem.<br \/>\nVoc\u00ea quer ter uma vida incr\u00edvel e emocionante? Voc\u00ea quer fazer coisas? Quer se divertir com seus amigos?<br \/>\nEnt\u00e3o n\u00e3o siga este caminho. N\u00e3o deixe que essas empresas enganem e fisguem voc\u00ea.<br \/>\nUma das principais ideias de A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa \u00e9 que este n\u00e3o \u00e9 um livro sobre telas. \u00c9 um livro sobre a inf\u00e2ncia.<br \/>\nQue tipo de inf\u00e2ncia queremos para os nossos filhos?<br \/>\nNota dos editores:<br \/>\nO TikTok declarou \u00e0 rep\u00f3rter da BBC Marianna Spring que mant\u00e9m configura\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a &#8220;l\u00edderes no setor&#8221; para os adolescentes. E A Meta (propriet\u00e1ria do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads) menciona suas pr\u00f3prias ferramentas para oferecer &#8220;experi\u00eancias positivas e apropriadas para cada idade&#8221;.<br \/>\nConhe\u00e7a mais sobre as medidas tomadas pelas empresas de redes sociais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a das crian\u00e7as online neste link.<br \/>\nLeia a vers\u00e3o original desta reportagem (em ingl\u00eas) no site BBC Innovation.<br \/>\nHackers deixam Coreia do Norte bilion\u00e1ria com criptomoedas<br \/>\nCursos de &#8216;IA do job&#8217; prometem dinheiro e ensinam a usar fotos de modelos sem autoriza\u00e7\u00e3o<br \/>\nO que \u00e9 stalker e como perceber o crime<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 BBC, o autor do livro &#8216;Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa&#8217;, Jonathan Haidt, detalha os efeitos do telefone celular e das redes sociais sobre a inf\u00e2ncia atual e o que pode ser feito para livrar as crian\u00e7as do uso excessivo de telas. Para Jonathan Haidt, as crian\u00e7as &#8216;foram sugadas para se tornarem apenas consumidores de conte\u00fado e isso \u00e9 tudo o que elas fazem&#8217; BBC Katty Kay (BBC): Seu livro foi publicado h\u00e1 um ano e causou imensas discuss\u00f5es.Os pais precisam de ajuda. Sei disso por experi\u00eancia pr\u00f3pria. \u00c9 muito dif\u00edcil tirar os filhos da frente das telas, se todos os seus amigos est\u00e3o grudados nas telas deles. \u00c9 uma depend\u00eancia que exige a\u00e7\u00f5es coletivas. Desde que conversei com Jonathan Haidt, o autor do livro A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa: Como a Inf\u00e2ncia Hiperconectada Est\u00e1 Causando uma Epidemia de Transtornos Mentais (Ed. Cia. das Letras, 2024), n\u00e3o consigo tirar da cabe\u00e7a uma frase que ele me disse durante a entrevista. &#8220;N\u00e3o conhe\u00e7o um membro da Gera\u00e7\u00e3o Z que esteja em nega\u00e7\u00e3o, que diga &#8216;N\u00e3o, n\u00f3s adoramos os celulares, os celulares s\u00e3o bons para n\u00f3s&#8217;&#8221;, contou Haidt. &#8220;Todos eles veem o que est\u00e1 acontecendo, mas se sentem aprisionados.&#8221; Saiba como ativar prote\u00e7\u00e3o para controlar tempo e atividade de crian\u00e7as no celular Ser\u00e1 que alguma coisa realmente mudou no \u00faltimo ano, desde a publica\u00e7\u00e3o do livro de Haidt? Todo o alvoro\u00e7o que surgiu sobre os telefones celulares ter\u00e1 sido apenas um momento passageiro de ansiedade parental coletiva ou aquilo realmente trouxe o tipo de a\u00e7\u00e3o que muitos pais esperavam? Assim que foi publicado, A Gera\u00e7\u00e3o Ansiosa despertou uma avalia\u00e7\u00e3o global do uso do telefone celular entre as crian\u00e7as. Conversei com o autor para saber se ele ainda \u00e9 da opini\u00e3o de que o excesso de tempo em frente \u00e0s telas est\u00e1 colocando a inf\u00e2ncia em risco. Confira abaixo a entrevista, editada para maior concis\u00e3o e clareza. Katty Kay (BBC): Seu livro foi publicado h\u00e1 um ano e causou imensas discuss\u00f5es. Eu gostaria de come\u00e7ar pedindo uma esp\u00e9cie de resumo sobre onde estamos sobre os diversos aspectos do que voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer: telefones celulares nas escolas, classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, redes sociais, como fazer para que as crian\u00e7as tenham mais tempo livre para se divertirem. O que est\u00e1 indo bem e o que n\u00e3o est\u00e1, em rela\u00e7\u00e3o a todas estas quest\u00f5es, nos Estados Unidos? Jonathan Haidt: Eu sabia que o livro seria popular. Mas eu n\u00e3o me havia preparado para que esta quest\u00e3o se espalhasse como fogo na mata por todo o mundo, n\u00e3o apenas nos Estados Unidos. Em todo o planeta, a vida familiar se transformou em uma luta sobre o tempo em frente \u00e0s telas. Todo mundo odeia. Todo mundo v\u00ea isso. O que decolou mais rapidamente foram as escolas livres de celulares, porque \u00e9 algo que pode ser feito com muita facilidade. \u00c9 dif\u00edcil ensinar em uma sala de aula quando metade dos alunos est\u00e3o assistindo a v\u00eddeos curtos e jogando videogames. Por isso, os professores odiaram os celulares desde o princ\u00edpio, mas ficaram com medo, especialmente nos Estados Unidos. Talvez seja o mesmo no Reino Unido, mas, nos Estados Unidos, existem muitos pais que querem poder se comunicar todo o tempo com seu filho. Eles acham que t\u00eam o direito de verificar como seus filhos est\u00e3o. &#8220;E se algo der errado? Preciso estar presente.&#8221; Da\u00ed, vem o excesso de cuidado&#8230; Kay: Existe, ent\u00e3o, um paradoxo, porque voc\u00ea tem os pais que s\u00e3o superpreocupados com os celulares. Eles observam o que os celulares fazem com seus filhos, mas n\u00e3o querem que seus filhos abandonem seus celulares quando v\u00e3o para a escola. Haidt: Veja, as pessoas s\u00e3o complicadas! Existem multid\u00f5es dentro delas. Eu n\u00e3o deveria dizer que todos observaram o problema porque existem muitos pais que acreditam que o celular \u00e9 uma corda de seguran\u00e7a. Eles veem o mundo como um lugar muito perigoso e amea\u00e7ador. Por isso, logo no in\u00edcio deste processo, achei que haveria essa quest\u00e3o muito americana da superprote\u00e7\u00e3o, pois realmente temos muito mais criminalidade do que a Europa ou o Canad\u00e1. Mas o que me surpreendeu, depois de estudar esta quest\u00e3o por um longo per\u00edodo, \u00e9 que a superprote\u00e7\u00e3o se disseminou e varreu todos os pa\u00edses de l\u00edngua inglesa nos anos 1990. Por isso, todos os pa\u00edses de l\u00edngua inglesa passaram por isso ao mesmo tempo. E, agora, todos eles est\u00e3o tomando medidas com muita rapidez. Eu diria que o Reino Unido e a Austr\u00e1lia est\u00e3o na lideran\u00e7a, em termos de realmente aprovar legisla\u00e7\u00e3o a este respeito. Kay: Aqui nos Estados Unidos, observamos algumas batalhas no Congresso, mas nada aconteceu em n\u00edvel nacional. O que vejo s\u00e3o Estados individuais promulgando leis para impedir que as crian\u00e7as tenham celulares nas escolas. Haidt: \u00c9 verdade, j\u00e1 que n\u00e3o temos legislaturas operantes nos Estados Unidos. N\u00f3s temos o Congresso. E o Congresso, na verdade, n\u00e3o pode fazer nada se algu\u00e9m questionar. Por isso, desde o princ\u00edpio, n\u00e3o considerei que conseguir\u00edamos um m\u00ednimo que fosse de ajuda do Congresso. Eu me concentrei nos 50 Estados americanos, no Reino Unido, Austr\u00e1lia e Uni\u00e3o Europeia. Se conseguirmos mudan\u00e7as legislativas nestas regi\u00f5es, ser\u00e1 uma vit\u00f3ria. Kay: \u00c9 cedo demais para vermos qual foi o impacto nas escolas que proibiram os telefones celulares? Temos algum dado sobre isso ou apenas supomos que elas ter\u00e3o melhores resultados? Haidt: Temos relatos de escolas que passaram a ser livres de celulares. E eu desafio as pessoas a procurarem uma escola que realmente seja livre de celulares e n\u00e3o apenas durante o hor\u00e1rio das aulas. Se for apenas uma restri\u00e7\u00e3o durante o hor\u00e1rio das aulas, a escola n\u00e3o \u00e9 livre de celulares. Isso causa todo tipo de problemas. Todas as crian\u00e7as ficam no celular entre uma aula e outra. Mas, entre as escolas realmente livres de celulares, onde voc\u00ea entrega o telefone pela manh\u00e3 e o recebe de volta \u00e0 noite, os relatos s\u00e3o muito positivos. O coment\u00e1rio mais comum \u00e9 que os problemas de disciplina diminuem. H\u00e1 muito menos brigas, muito menos drama. O absente\u00edsmo \u00e9 baixo. A escola \u00e9 muito<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42866,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-42865","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42865\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}