{"id":43073,"date":"2025-04-15T01:32:33","date_gmt":"2025-04-15T04:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/15\/mulheres-do-job-profissionais-do-sexo-trocam-dicas-e-oferecem-mentoria-a-iniciantes-no-tiktok\/"},"modified":"2025-04-15T01:32:33","modified_gmt":"2025-04-15T04:32:33","slug":"mulheres-do-job-profissionais-do-sexo-trocam-dicas-e-oferecem-mentoria-a-iniciantes-no-tiktok","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/15\/mulheres-do-job-profissionais-do-sexo-trocam-dicas-e-oferecem-mentoria-a-iniciantes-no-tiktok\/","title":{"rendered":"&#039;Mulheres do job&#039;: profissionais do sexo trocam dicas e oferecem &#039;mentoria&#039; a iniciantes no TikTok"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"bbc1 &#039;Mulheres do job&#039;: profissionais do sexo trocam dicas e oferecem &#039;mentoria&#039; a iniciantes no TikTok\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/jHoG_BWmFn7QQYgd1jLCzexA73g=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/3\/q\/2EF71KTPmCNkERuQyVRQ\/bbc1.webp\" \/><br \/>     Categoria cresceu tanto nas redes que ganhou refer\u00eancias em m\u00fasicas e se tornou inspira\u00e7\u00e3o para influenciadores de outros nichos, como moda e beleza. Profissionais do sexo oferecem &#8216;mentoria&#8217; a iniciantes no TikTok<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TikTok<br \/>\n&#8220;O que eu fa\u00e7o aqui n\u00e3o \u00e9 romantizar. Eu estou compartilhando a minha experi\u00eancia.&#8221;<br \/>\nA frase \u00e9 da profissional do sexo Sara M\u00fcller, que acumula mais de 60 mil seguidores em suas contas nas redes sociais. A paulista de 30 anos publica v\u00eddeos quase di\u00e1rios no TikTok sobre o dia a dia da profiss\u00e3o, respondendo perguntas sobre a raz\u00e3o de ter escolhido a carreira e os desafios de trabalhar com sexo.<br \/>\nAo p\u00e9 de suas publica\u00e7\u00f5es, comentadores se alternam entre elogios \u00e0 coragem por falar de um assunto tabu &#8211; &#8220;fala a realidade e tira todos os estere\u00f3tipos&#8221; &#8211; e cr\u00edticas sobre a forma como o tema \u00e9 tratado &#8211; &#8220;quer glamourizar a profiss\u00e3o&#8221;.<br \/>\n&#8220;As pessoas acham que a profissional do sexo \u00e9 uma coitada, que s\u00f3 passa perrengue e apuro. A\u00ed quando aparece algu\u00e9m falando que est\u00e1 se dando bem, \u00e9 acusada de estar romantizando&#8221;, rebate Sara, que trabalha na \u00e1rea desde 2015.<br \/>\n&#8220;A profissional que trabalha com sexo n\u00e3o tem que ficar marginalizada, escondida&#8221;, afirmou ela \u00e0 BBC Brasil. &#8220;Eu gosto de fazer v\u00eddeos justamente para tentar abrir a mente das pessoas. \u00c9 um trabalho como qualquer outro.&#8221;<br \/>\nMas ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica &#8220;mulher do job&#8221; ou GP (abrevia\u00e7\u00e3o de garota de programa) repreendida nas redes sociais pela franqueza com que trata de sua profiss\u00e3o.<br \/>\n\ud83d\udc49 &#8216;IA do job&#8217;: brasileiros ganham dinheiro criando mulheres virtuais para conte\u00fado adulto<br \/>\n&#8216;IA do job&#8217;: brasileiros ganham dinheiro criando mulheres virtuais para conte\u00fado adulto<br \/>\nPerfis de profissionais do sexo que usam plataformas como TikTok e Instagram para divulgar seu trabalho se multiplicaram nos \u00faltimos anos, com rea\u00e7\u00f5es mistas por parte do p\u00fablico.<br \/>\nAl\u00e9m dos v\u00eddeos sobre o dia a dia da profiss\u00e3o, as influencers usam o espa\u00e7o para passar dicas de seguran\u00e7a, compartilhar segredos de beleza e at\u00e9 oferecer mentoria para iniciantes.<br \/>\n&#8220;Quando falamos sobre &#8216;job&#8217;, significa nada mais nada menos do que programa&#8221;, explica em sua conta Mariel Fernanda, que tem quase 160 mil seguidores em seu TikTok.<br \/>\nA categoria cresceu tanto nas redes sociais que ganhou at\u00e9 refer\u00eancias em m\u00fasicas e se tornou tema para influenciadores de outros nichos. N\u00e3o \u00e9 raro, por exemplo, se deparar com blogueiras especializadas em moda ou beleza repassando indica\u00e7\u00f5es sobre o perfume mais atraente, o batom mais resistente ou o melhor m\u00e9todo de depila\u00e7\u00e3o usado pelas &#8220;mulheres do job&#8221;.<br \/>\nMas tamb\u00e9m h\u00e1 quem condene a explora\u00e7\u00e3o do corpo da mulher, apoie a aboli\u00e7\u00e3o da atividade e acuse as criadoras de conte\u00fado de romantizarem a profiss\u00e3o.<br \/>\nAs cr\u00edticas giram principalmente em torno do temor de que a populariza\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos e das m\u00fasicas sobre o tema possam influenciar uma nova gera\u00e7\u00e3o a se aproximar do trabalho sexual sem conhecer a sua realidade completa.<br \/>\nA preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 foi manifestada pelas pr\u00f3prias trabalhadoras sexuais. &#8220;Eu sinto que tem muita menina iludida. E est\u00e1 na hora de acordarem para a vida, porque o job n\u00e3o \u00e9 o mundo da Disney&#8221;, desabafou uma delas em seu perfil no TikTok.<br \/>\n\ud83d\udc49&#8217;Cafet\u00e3o digital&#8217;: cursos ensinam a seduzir homens com &#8216;IA do job&#8217;<br \/>\n&#8216;A quem interessa a falta de informa\u00e7\u00e3o?&#8217;<br \/>\nPara Deusa Artemis, profissional do sexo e criadora de conte\u00fado que usa o codinome no dia a dia de sua profiss\u00e3o, as redes sociais s\u00e3o justamente uma forma de combater a falta de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Entramos para prostitui\u00e7\u00e3o sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o &#8211; e isso leva muita gente achar que \u00e9 um trabalho f\u00e1cil&#8221;, disse em entrevista \u00e0 BBC Brasil. &#8220;O que muitas meninas fazem, inclusive eu, \u00e9 divulgar e conversar para que o trabalho seja mais seguro e para que se crie uma comunidade mais unida.&#8221;<br \/>\nDeusa Artermis entrou para o trabalho sexual h\u00e1 dois anos e usa as redes sociais para discutir o tema<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\nEm sua conta no TikTok, que tem mais de 25 mil seguidores, ela divulga orienta\u00e7\u00f5es sobre como iniciar na carreira, sugest\u00f5es para aumentar o lucro e dicas de seguran\u00e7a e sa\u00fade.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o vejo nenhuma GP romantizando a profiss\u00e3o. Todas que sigo est\u00e3o mostrando o seu dia a dia, falando das dificuldades e das coisas boas &#8211; porque tem coisa boa tamb\u00e9m, viu?&#8221;, defende.<br \/>\n&#8220;A quem interessa que uma menina entre no trabalho sexual sem nenhum tipo de informa\u00e7\u00e3o?&#8221;, questiona a paulista de 32 anos. &#8220;S\u00f3 ao homem que vai usufruir desse servi\u00e7o e tirar vantagem dessa mulher.&#8221;<br \/>\nEla se diz ainda muito incomodada pela &#8220;hipocrisia&#8221; com que grande parte da sociedade trata as profissionais do sexo.<br \/>\n&#8220;Ao mesmo tempo em que me sentia marginalizada, era tratada com agressividade por alguns, n\u00e3o parava de ser procurada pelos homens que usam e abusam desse servi\u00e7o&#8221;, relata.<br \/>\nProfissional do sexo h\u00e1 pelo menos dois anos, ela come\u00e7ou a cursar Ci\u00eancias Sociais em uma faculdade federal para ajud\u00e1-la em seu objetivo como defensora da causa.<br \/>\n&#8220;Entrei nas redes sociais justamente para bater de frente com o hate [\u00f3dio, em ingl\u00eas].&#8221;<br \/>\nA ga\u00facha Monique Prado tamb\u00e9m v\u00ea nas redes sociais uma forma de combater o preconceito.<br \/>\n&#8220;Atrav\u00e9s das redes sociais, vemos cada vez maior o n\u00famero de pessoas se declarando trabalhadoras sexuais &#8211; homens e mulheres, cis e trans. Saber que existem, acompanhar a rotina e postagem dessas pessoas \u00e9 muito positivo, ajuda a combater o estigma, mostra que existimos e estamos mais perto do que as pessoas imaginavam&#8221;, diz \u00e0 BBC Brasil.<br \/>\nMonique atua como profissional do sexo desde os 19 anos e nas redes sociais divulga n\u00e3o apenas seu trabalho como acompanhante e produtora de conte\u00fado adulto, mas tamb\u00e9m escritora e ativista.<br \/>\n&#8220;Que a gente mostre este lado que a sociedade esconde, que o trabalho sexual \u00e9 um trabalho, que tamb\u00e9m somos bem tratadas, que muitas vezes ganhamos bem e que nosso trabalho nos permite ter uma vida digna, muitas vezes estendendo ela a nossas fam\u00edlias, me parece muito positivo e ajuda demais a amenizar o estigma&#8221;, afirma.<br \/>\nCursos de &#8216;IA do job&#8217; prometem dinheiro e ensinam a usar fotos de modelos sem autoriza\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8216;O job n\u00e3o \u00e9 o mundo da Disney&#8217;<br \/>\nAl\u00e9m de usar suas redes sociais para contar hist\u00f3rias do seu trabalho, Sara M\u00fcller tamb\u00e9m oferece servi\u00e7o de mentoria para outras mulheres no trabalho sexual.<br \/>\n&#8220;Fa\u00e7o uma an\u00e1lise do contexto das mulheres que me procuram, do porqu\u00ea que elas querem come\u00e7ar e dos caminhos que elas podem pegar baseado na minha viv\u00eancia&#8221;, relata.<br \/>\n&#8220;Indico m\u00e9todos que funcionaram para mim, como abrir uma rede social e investir em ensaios de foto, por exemplo. Mas nunca vou falar para algu\u00e9m come\u00e7ar numa boate, porque eu nunca passei por isso.&#8221;<br \/>\n&#8220;A profissional que trabalha com sexo n\u00e3o tem que ficar marginalizada, escondida&#8221;, diz Sara M\u00fcller<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\nSara afirma ainda que a grande maioria das pessoas que a procuram j\u00e1 atuam como trabalhadoras sexuais, ainda que h\u00e1 pouco tempo. Ela afirma nunca ter auxiliado mulheres que estavam &#8220;deslumbradas&#8221; ou pouco cientes das dificuldades e riscos da carreira.<br \/>\nE ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que usa a plataforma para buscar clientes entre as pr\u00f3prias profissionais do sexo.<br \/>\nMariel Fernanda, por exemplo, oferece aconselhamento para mulheres maiores de 18 anos que queiram produzir conte\u00fado adulto para a internet. &#8220;Seu corpo, suas regras, seu lucro&#8221;, diz seu site, Mentoria para Musas.<br \/>\nAl\u00e9m de um canal no Telegram para compartilhamento de experi\u00eancias, a mentoria inclui aconselhamento particular e documentos, fotos, \u00e1udios e v\u00eddeos com dicas.<br \/>\nOutra influenciadora do meio, que se identifica nas redes apenas como Dihmayara, afirma que \u00e9 procurada com frequ\u00eancia por mulheres que querem entrar no ramo, apesar de n\u00e3o oferecer nenhum servi\u00e7o oficial de aconselhamento.<br \/>\nEm uma s\u00e9rie de v\u00eddeos postados em fevereiro, ela se abriu sobre sua frustra\u00e7\u00e3o em torno da romantiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o.<br \/>\n&#8220;A mensagem que mais recebo no direct [caixa de mensagens privadas no Instagram ou TikTok] \u00e9 &#8216;quero entrar para o job'&#8221;, diz. &#8220;Quando leio, penso &#8216;meu, quem foi que romantizou a prostitui\u00e7\u00e3o?'&#8221;.<br \/>\nDihmayara afirma sempre ter falado &#8220;a verdade sobre o job&#8221; e se preocupar com mulheres que &#8220;acham que vai ser f\u00e1cil&#8221; entrar para a prostitui\u00e7\u00e3o. &#8220;Parem de achar que job \u00e9 conto de fadas, \u00e9 um mundo da Disney&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Parem de achar que as meninas que voc\u00eas seguem por a\u00ed que romantizam o job tem uma vida perfeita &#8211; porque elas n\u00e3o t\u00eam&#8221;, diz. &#8220;A gente s\u00f3 posta a parte boa da vida, e com o job \u00e9 a mesma coisa.&#8221;<br \/>\nA trabalhadora do sexo e influenciadora tamb\u00e9m usou as redes sociais para fazer um alerta para as mulheres que desejam seguir a carreira em busca de &#8220;dinheiro f\u00e1cil&#8221;.<br \/>\n&#8220;A parte ruim existe e ela \u00e9 80% do job&#8221;, desabafou.<br \/>\n&#8216;Teoria do aeroporto&#8217;: influencers testam trend do TikTok de chegar s\u00f3 15 minutos antes para pegar voo<br \/>\nProgramador d\u00e1 contragolpe pelo WhatsApp e descobre golpista em cadeia<br \/>\nUm fen\u00f4meno hist\u00f3rico<br \/>\nO antrop\u00f3logo Thaddeus Blanchette, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador associado do Observat\u00f3rio da Prostitui\u00e7\u00e3o, reconhece os muitos desafios que as trabalhadoras do sexo enfrentam em seu cotidiano, mas associa as acusa\u00e7\u00f5es sobre romantiza\u00e7\u00e3o ao estigma que envolve o tema.<br \/>\n&#8220;Ningu\u00e9m questiona se qualquer outra profiss\u00e3o est\u00e1 sendo glamourizada nas redes sociais&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o vemos questionamentos sobre a romantiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de policial em filmes e programas de TV, por exemplo.&#8221;<br \/>\nPara Blanchette, ningu\u00e9m escolhe a prostitui\u00e7\u00e3o por glamour. &#8220;Basta apenas observar a forma como as profissionais do sexo s\u00e3o tratadas na sociedade brasileira para perceber que a ideia de que um v\u00eddeo na internet pode glamourizar a vida de prostitutas n\u00e3o faz sentido nenhum&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Devemos olhar para os problemas que as trabalhadoras do sexo enfrentam e discutir como podemos, como sociedade, ajud\u00e1-las e proteg\u00ea-las. N\u00e3o falar de glamouriza\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o especialista.<br \/>\nEle alerta, por\u00e9m, que pode haver exce\u00e7\u00f5es. &#8220;Mas claro, tudo depende de quem est\u00e1 produzindo e qual \u00e9 o conte\u00fado. Estou dando apenas uma vis\u00e3o geral, sem analisar nenhum caso espec\u00edfico.&#8221;<br \/>\nNo Brasil, a pr\u00e1tica da prostitui\u00e7\u00e3o por adultos, de forma volunt\u00e1ria e aut\u00f4noma, n\u00e3o \u00e9 criminalizada. O que o C\u00f3digo Penal Brasileiro considera crime \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o alheia, especialmente quando h\u00e1 lucro com o trabalho sexual de outra pessoa.<br \/>\nE apesar da Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es reconhecer a prostitui\u00e7\u00e3o como trabalho livre, os profissionais do sexo n\u00e3o t\u00eam acesso formal a direitos trabalhistas no pa\u00eds.<br \/>\nAinda segundo o pesquisador, a adapta\u00e7\u00e3o das &#8220;mulheres do job&#8221; \u00e0s redes sociais, da maneira como estamos observando hoje, era s\u00f3 quest\u00e3o de tempo.<br \/>\n&#8220;A prostitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 e esteve presente em todas as sociedades do mundo, segundo os arquivos hist\u00f3ricos. E toda vez que uma nova m\u00eddia de comunica\u00e7\u00e3o surge, as trabalhadoras do sexo se adaptam a ela para encontrar clientes, escapar de exploradores e aumentar a sua seguran\u00e7a&#8221;, diz. &#8220;Os primeiros grupos a usar os jornais para colocar propagandas no s\u00e9culo 18, foram as prostitutas.&#8221;<br \/>\n&#8220;Ent\u00e3o o que estamos vendo agora n\u00e3o \u00e9 nada novo.&#8221;<br \/>\nHackers deixam Coreia do Norte bilion\u00e1ria com criptomoedas<br \/>\nMarginaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia<br \/>\nEspecialistas que atuam na \u00e1rea consultados pela BBC Brasil reconhecem, por\u00e9m, que h\u00e1 um abismo de desigualdade na forma como o trabalho sexual \u00e9 exercido e tratado no Brasil.<br \/>\nIsto \u00e9, as &#8220;mulheres do job&#8221; que ganham a vida cobrando altos valores por encontros usam as redes sociais para atrair clientes ou realizam apenas atendimentos virtuais s\u00e3o apenas uma amostra do que significa ser profissional do sexo no Brasil atualmente, dizem.<br \/>\nA delegada de pol\u00edcia e doutora em Sociologia e Direitos Humanos Cyntia Carvalho e Silva chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de enxergar a ocupa\u00e7\u00e3o como um todo.<br \/>\n&#8220;A prostitui\u00e7\u00e3o de rua, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 nada glamourizada. Muitas prostitutas vivem marginalizadas, especialmente as mulheres trans, negras e as prostitutas mais idosas&#8221;, diz. &#8220;H\u00e1 muitos casos tamb\u00e9m de pessoas que se prostituem para alimentar o v\u00edcio, aceitando fazer um programa por algo como R$ 5 ou uma pedra de crack.&#8221;<br \/>\nSegundo a profissional que atua na Delegacia de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o no Distrito Federal, muitas profissionais do sexo tamb\u00e9m v\u00eam seu of\u00edcio associado \u00e0 criminalidade contra a sua vontade.<br \/>\n&#8220;Apesar da cren\u00e7a de que a prostitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre ligada ao tr\u00e1fico de drogas, na maioria das vezes s\u00e3o as prostitutas que se tornam v\u00edtimas dessa criminalidade&#8221;, argumenta Carvalho e Silva.<br \/>\nAl\u00e9m disso, n\u00e3o s\u00e3o incomuns os casos de viol\u00eancia contra trabalhadoras do sexo, afirma. Segundo a delegada, as agress\u00f5es partem principalmente dos exploradores, mas tamb\u00e9m em alguns casos dos clientes.<br \/>\nMas segundo ela, \u00e9 dif\u00edcil ter uma ideia precisa do quanto a viol\u00eancia afeta as profissionais do sexo no Brasil, j\u00e1 que a subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e, quando denunciados, os casos nem sempre s\u00e3o registrados de uma maneira que identifique a verdadeira ocupa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima.<br \/>\n&#8220;As profissionais do sexo t\u00eam que ser ouvidas, temos que falar sim da atividade de prostitui\u00e7\u00e3o, mas sempre trazendo esse contraponto de que \u00e9 uma atividade dif\u00edcil, heterog\u00eanea e que n\u00e3o tem acesso a direitos trabalhistas no Brasil neste momento&#8221;, opina Carvalho e Silva.<br \/>\nO antrop\u00f3logo Thaddeus Blanchette estuda ainda como essa desigualdade na forma de exercer o trabalho sexual cresceu durante e ap\u00f3s a pandemia de covid-19.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 uma enorme divis\u00e3o entre quem pode usar as novas m\u00eddias sociais e quem n\u00e3o tem ideia ou condi\u00e7\u00f5es de como fazer isso&#8221;, afirma.<br \/>\nSegundo o pesquisador, enquanto parte das profissionais do sexo se especializaram em produzir conte\u00fado para a internet, outra parcela encontrou dificuldade de navegar nas novas m\u00eddias. &#8220;Grupos de mulheres mais velhas, acima de 40 anos, tiveram que tomar cada vez mais riscos ou migrar para outros trabalhos incrivelmente mal-remunerados para continuar a ganhar dinheiro&#8221;, relata.<br \/>\nHackers deixam Coreia do Norte bilion\u00e1ria com criptomoedas<br \/>\n&#8216;A gente se complementa&#8217;<br \/>\nPor tudo isso, a ativista e profissional do sexo Juma Santos acredita que o caminho para a conquista de mais direitos e respeito passa por uma uni\u00e3o entre todas as classes e gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEla \u00e9 coordenadora da Rede de Redu\u00e7\u00e3o de Danos e Profissionais do Sexo do DF e fundadora da Tulipas do Cerrado, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que ampara profissionais do sexo e moradores de rua do Estado.<br \/>\nAs mulheres e homens no seu dia a dia, relata, t\u00eam uma realidade muito distinta daquela mostrada pelas do &#8220;job&#8221; nas redes sociais.<br \/>\n&#8220;Mas isso n\u00e3o quer dizer que elas estejam negligenciando uma parte da comunidade&#8221;, diz. &#8220;Essa realidade n\u00e3o faz parte do cotidiano delas, e \u00e9 muito dif\u00edcil querer abranger todo o trabalho sexual.&#8221;<br \/>\nAo mesmo tempo, diz Juma Santos, as gera\u00e7\u00f5es mais velhas de profissionais do sexo t\u00eam muito a contribuir no debate sobre luta contra estigmas e conquista de direitos pela classe.<br \/>\n&#8220;As &#8216;meninas do job&#8217; est\u00e3o dando um grande passo na nossa luta. O desafio agora \u00e9 unir o novo ao antigo para que n\u00f3s consigamos trabalhar unidas e atingir todos os p\u00fablicos.&#8221;<br \/>\nDiscord: o que \u00e9 a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Categoria cresceu tanto nas redes que ganhou refer\u00eancias em m\u00fasicas e se tornou inspira\u00e7\u00e3o para influenciadores de outros nichos, como moda e beleza. Profissionais do sexo oferecem &#8216;mentoria&#8217; a iniciantes no TikTok Reprodu\u00e7\u00e3o\/TikTok &#8220;O que eu fa\u00e7o aqui n\u00e3o \u00e9 romantizar. Eu estou compartilhando a minha experi\u00eancia.&#8221; A frase \u00e9 da profissional do sexo Sara M\u00fcller, que acumula mais de 60 mil seguidores em suas contas nas redes sociais. A paulista de 30 anos publica v\u00eddeos quase di\u00e1rios no TikTok sobre o dia a dia da profiss\u00e3o, respondendo perguntas sobre a raz\u00e3o de ter escolhido a carreira e os desafios de trabalhar com sexo. Ao p\u00e9 de suas publica\u00e7\u00f5es, comentadores se alternam entre elogios \u00e0 coragem por falar de um assunto tabu &#8211; &#8220;fala a realidade e tira todos os estere\u00f3tipos&#8221; &#8211; e cr\u00edticas sobre a forma como o tema \u00e9 tratado &#8211; &#8220;quer glamourizar a profiss\u00e3o&#8221;. &#8220;As pessoas acham que a profissional do sexo \u00e9 uma coitada, que s\u00f3 passa perrengue e apuro. A\u00ed quando aparece algu\u00e9m falando que est\u00e1 se dando bem, \u00e9 acusada de estar romantizando&#8221;, rebate Sara, que trabalha na \u00e1rea desde 2015. &#8220;A profissional que trabalha com sexo n\u00e3o tem que ficar marginalizada, escondida&#8221;, afirmou ela \u00e0 BBC Brasil. &#8220;Eu gosto de fazer v\u00eddeos justamente para tentar abrir a mente das pessoas. \u00c9 um trabalho como qualquer outro.&#8221; Mas ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica &#8220;mulher do job&#8221; ou GP (abrevia\u00e7\u00e3o de garota de programa) repreendida nas redes sociais pela franqueza com que trata de sua profiss\u00e3o. \ud83d\udc49 &#8216;IA do job&#8217;: brasileiros ganham dinheiro criando mulheres virtuais para conte\u00fado adulto &#8216;IA do job&#8217;: brasileiros ganham dinheiro criando mulheres virtuais para conte\u00fado adulto Perfis de profissionais do sexo que usam plataformas como TikTok e Instagram para divulgar seu trabalho se multiplicaram nos \u00faltimos anos, com rea\u00e7\u00f5es mistas por parte do p\u00fablico. Al\u00e9m dos v\u00eddeos sobre o dia a dia da profiss\u00e3o, as influencers usam o espa\u00e7o para passar dicas de seguran\u00e7a, compartilhar segredos de beleza e at\u00e9 oferecer mentoria para iniciantes. &#8220;Quando falamos sobre &#8216;job&#8217;, significa nada mais nada menos do que programa&#8221;, explica em sua conta Mariel Fernanda, que tem quase 160 mil seguidores em seu TikTok. A categoria cresceu tanto nas redes sociais que ganhou at\u00e9 refer\u00eancias em m\u00fasicas e se tornou tema para influenciadores de outros nichos. N\u00e3o \u00e9 raro, por exemplo, se deparar com blogueiras especializadas em moda ou beleza repassando indica\u00e7\u00f5es sobre o perfume mais atraente, o batom mais resistente ou o melhor m\u00e9todo de depila\u00e7\u00e3o usado pelas &#8220;mulheres do job&#8221;. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 quem condene a explora\u00e7\u00e3o do corpo da mulher, apoie a aboli\u00e7\u00e3o da atividade e acuse as criadoras de conte\u00fado de romantizarem a profiss\u00e3o. As cr\u00edticas giram principalmente em torno do temor de que a populariza\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos e das m\u00fasicas sobre o tema possam influenciar uma nova gera\u00e7\u00e3o a se aproximar do trabalho sexual sem conhecer a sua realidade completa. A preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 foi manifestada pelas pr\u00f3prias trabalhadoras sexuais. &#8220;Eu sinto que tem muita menina iludida. E est\u00e1 na hora de acordarem para a vida, porque o job n\u00e3o \u00e9 o mundo da Disney&#8221;, desabafou uma delas em seu perfil no TikTok. \ud83d\udc49&#8217;Cafet\u00e3o digital&#8217;: cursos ensinam a seduzir homens com &#8216;IA do job&#8217; &#8216;A quem interessa a falta de informa\u00e7\u00e3o?&#8217; Para Deusa Artemis, profissional do sexo e criadora de conte\u00fado que usa o codinome no dia a dia de sua profiss\u00e3o, as redes sociais s\u00e3o justamente uma forma de combater a falta de informa\u00e7\u00e3o. &#8220;Entramos para prostitui\u00e7\u00e3o sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o &#8211; e isso leva muita gente achar que \u00e9 um trabalho f\u00e1cil&#8221;, disse em entrevista \u00e0 BBC Brasil. &#8220;O que muitas meninas fazem, inclusive eu, \u00e9 divulgar e conversar para que o trabalho seja mais seguro e para que se crie uma comunidade mais unida.&#8221; Deusa Artermis entrou para o trabalho sexual h\u00e1 dois anos e usa as redes sociais para discutir o tema Arquivo pessoal via BBC Em sua conta no TikTok, que tem mais de 25 mil seguidores, ela divulga orienta\u00e7\u00f5es sobre como iniciar na carreira, sugest\u00f5es para aumentar o lucro e dicas de seguran\u00e7a e sa\u00fade. &#8220;N\u00e3o vejo nenhuma GP romantizando a profiss\u00e3o. Todas que sigo est\u00e3o mostrando o seu dia a dia, falando das dificuldades e das coisas boas &#8211; porque tem coisa boa tamb\u00e9m, viu?&#8221;, defende. &#8220;A quem interessa que uma menina entre no trabalho sexual sem nenhum tipo de informa\u00e7\u00e3o?&#8221;, questiona a paulista de 32 anos. &#8220;S\u00f3 ao homem que vai usufruir desse servi\u00e7o e tirar vantagem dessa mulher.&#8221; Ela se diz ainda muito incomodada pela &#8220;hipocrisia&#8221; com que grande parte da sociedade trata as profissionais do sexo. &#8220;Ao mesmo tempo em que me sentia marginalizada, era tratada com agressividade por alguns, n\u00e3o parava de ser procurada pelos homens que usam e abusam desse servi\u00e7o&#8221;, relata. Profissional do sexo h\u00e1 pelo menos dois anos, ela come\u00e7ou a cursar Ci\u00eancias Sociais em uma faculdade federal para ajud\u00e1-la em seu objetivo como defensora da causa. &#8220;Entrei nas redes sociais justamente para bater de frente com o hate [\u00f3dio, em ingl\u00eas].&#8221; A ga\u00facha Monique Prado tamb\u00e9m v\u00ea nas redes sociais uma forma de combater o preconceito. &#8220;Atrav\u00e9s das redes sociais, vemos cada vez maior o n\u00famero de pessoas se declarando trabalhadoras sexuais &#8211; homens e mulheres, cis e trans. Saber que existem, acompanhar a rotina e postagem dessas pessoas \u00e9 muito positivo, ajuda a combater o estigma, mostra que existimos e estamos mais perto do que as pessoas imaginavam&#8221;, diz \u00e0 BBC Brasil. Monique atua como profissional do sexo desde os 19 anos e nas redes sociais divulga n\u00e3o apenas seu trabalho como acompanhante e produtora de conte\u00fado adulto, mas tamb\u00e9m escritora e ativista. &#8220;Que a gente mostre este lado que a sociedade esconde, que o trabalho sexual \u00e9 um trabalho, que tamb\u00e9m somos bem tratadas, que muitas vezes ganhamos bem e que nosso trabalho nos permite ter uma vida digna, muitas vezes estendendo ela a nossas fam\u00edlias, me parece muito positivo e ajuda demais a amenizar o estigma&#8221;, afirma. Cursos de &#8216;IA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":43074,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-43073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43073\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}