{"id":43775,"date":"2025-04-20T09:09:00","date_gmt":"2025-04-20T12:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/20\/a-grande-mancha-de-lixo-do-pacifico-esta-se-transformando-em-um-ecossistema\/"},"modified":"2025-04-20T09:09:00","modified_gmt":"2025-04-20T12:09:00","slug":"a-grande-mancha-de-lixo-do-pacifico-esta-se-transformando-em-um-ecossistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/20\/a-grande-mancha-de-lixo-do-pacifico-esta-se-transformando-em-um-ecossistema\/","title":{"rendered":"A Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico est\u00e1 se transformando em um ecossistema"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>A Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico (GPGP na sigla em ingl\u00eas) \u00e9 uma imensa \u00e1rea de acumula\u00e7\u00e3o de lixo marinho localizada no Oceano Pac\u00edfico Norte, entre o Hava\u00ed e a Calif\u00f3rnia. \u00c9 formada principalmente por pl\u00e1sticos e outros detritos que s\u00e3o arrastados pelas correntes oce\u00e2nicas e se concentram naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista recente \u00e0 <i>Popular Science<\/i>, o l\u00edder de modelagem computacional da organiza\u00e7\u00e3o The Ocean Cleanup, Bruno Sainte-Rose, descreve uma viagem de navio, do porto de Victoria, no Canad\u00e1, at\u00e9 a chamada \u201csopa de micropl\u00e1sticos\u201d. Ap\u00f3s tr\u00eas dias e meio de navega\u00e7\u00e3o no sentido sudoeste, &#8220;voc\u00ea v\u00ea um aumento de avistamentos de detritos&#8221;, diz Sainte-Rose.\u00a0<\/p>\n<p>O termo \u201csopa de micropl\u00e1sticos\u201d \u00e9 o mais apropriado, segundo o engenheiro aeroespacial, pois <strong>a GPGP n\u00e3o \u00e9 apenas uma \u201cilha\u201d de res\u00edduos boiando no oceano, mas sim uma massa compacta<\/strong>, claramente vista por sat\u00e9lites ou navios. Como 86% dos pl\u00e1sticos prov\u00eam da atividade pesqueira, segundo a Ocean Cleanup, a sopa \u00e9 pontuada por redes de pesca descartadas ou perdidas.\u00a0<\/p>\n<h2>Por que a Grande Mancha de Lixo n\u00e3o para de crescer?<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/16\/16110616849202.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 A Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico est\u00e1 se transformando em um ecossistema\" \/><figcaption>A GPGP se dividiu em duas: a Ocidental e a Orienta. (Fonte: (Fonte: NOAA\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A GPGP come\u00e7ou a ser notada em 1973, quando alguns navegantes perceberam uma quantidade anormal de objetos artificiais no Pac\u00edfico Norte. Embora pl\u00e1sticos flutuantes sejam comuns nos oceanos <strong>(s\u00e3o 171 trilh\u00f5es de fragmentos segundo um estudo de 2023)<\/strong>, a surpresa foi encontr\u00e1-los t\u00e3o distantes da costa. &#8220;A esta\u00e7\u00e3o espacial internacional est\u00e1 realmente mais pr\u00f3xima da GPGP na maior parte do tempo do que do resto dos seres humanos&#8221;, diz Sainte-Rose.<\/p>\n<p>A massa de pl\u00e1sticos enredados se concentra em uma \u00e1rea remota, envolvida pelo Giro do Pac\u00edfico Norte, uma grande corrente oce\u00e2nica que gira no sentido hor\u00e1rio e captura detritos e os move gradualmente pelo oceano. Os v\u00f3rtices lentos desse giro v\u00e3o acumulando os res\u00edduos. Hoje a mancha de divide em duas: a Ocidental, perto do Jap\u00e3o, e a Oriental, entre Calif\u00f3rnia e Hava\u00ed. O pl\u00e1stico circula entre essas zonas, mas n\u00e3o escapa das correntes.<\/p>\n<p>A Ocean Cleanup \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos holandesa que tem como miss\u00e3o desenvolver tecnologias para remover pl\u00e1stico dos oceanos e evitar que ele chegue at\u00e9 l\u00e1.<a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/403445-praias-brasileiras-sao-transformadas-em-lixao-de-embalagens-asiaticas.htm\" target=\"_blank\"> S\u00f3 em 2024, 11,5 milh\u00f5es de quilos de lixo foram retirados dos oceanos e rios mundiais<\/a>. A funda\u00e7\u00e3o estima que, com um investimento de US$ 7,5 bilh\u00f5es, seria poss\u00edvel eliminar o GPGP em uma d\u00e9cada.\u00a0<\/p>\n<h2>Os pl\u00e1sticos j\u00e1 formaram um ecossistema<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/16\/16111656713280.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 A Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico est\u00e1 se transformando em um ecossistema\" \/><figcaption>Muitos microrganismos s\u00e3o retirados junto com o lixo removido dos mares. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora apresentadas como uma solu\u00e7\u00e3o para limpar os oceanos, as solu\u00e7\u00f5es da Ocean Cleanup enfrentam cr\u00edticas. A principal delas \u00e9 que suas redes capturam pl\u00e1sticos maiores, mas deixam para tr\u00e1s os micropl\u00e1sticos, que s\u00e3o 90% do problema. Outra quest\u00e3o \u00e9 que, embora as redes permitam que animais marinhos escapem, <a href=\"https:\/\/www.megacurioso.com.br\/ciencia\/pesquisadores-descobrem-o-unico-animal-imune-aos-microplasticos\" target=\"_blank\">ecossistemas aderidos aos detritos (compostos por microrganismos) s\u00e3o removidos com o lixo<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea v\u00ea uma diversidade muito ampla de microrganismos ligados ao pl\u00e1stico&#8221;, afirma a microbiologista marinha Sonja Oberbeckmann, do Instituto Federal de Pesquisa e Teste de Materiais na Alemanha, \u00e0 <i>PopSci<\/i>. Sainte-Rose contra-argumenta que esses \u201csurfistas de pl\u00e1stico\u201d s\u00e3o esp\u00e9cies invasoras, que nem deveriam estar nos oceanos.<\/p>\n<p>Ele lembra que a GPGP \u00e9 apenas uma das abordagens da Ocean Cleanup, que trabalha tamb\u00e9m em rios, <strong>bloqueando a ida de pl\u00e1sticos para os oceanos<\/strong>, em projetos mais vi\u00e1veis financeiramente para governos locais e mais vis\u00edveis para o p\u00fablico. Enquanto isso, a limpeza da GPGP, mais distante e complexa, enfrenta problemas de financiamento. \u00a0&#8220;\u00c9 problema de todos e de ningu\u00e9m, certo?&#8221; provoca Sainte-Rose.<\/p>\n<p>Se o pl\u00e1stico no mar \u00e9 problema de todos e de ningu\u00e9m, quem vai agir primeiro? Compartilhar esta mat\u00e9ria pode ser um bom come\u00e7o, pois, compreender a dimens\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica pode inspirar a\u00e7\u00f5es como; reduzir o uso de pl\u00e1sticos descart\u00e1veis e recicl\u00e1-los corretamente.<br \/>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico (GPGP na sigla em ingl\u00eas) \u00e9 uma imensa \u00e1rea de acumula\u00e7\u00e3o de lixo marinho localizada no Oceano Pac\u00edfico Norte, entre o Hava\u00ed e a Calif\u00f3rnia. \u00c9 formada principalmente por pl\u00e1sticos e outros detritos que s\u00e3o arrastados pelas correntes oce\u00e2nicas e se concentram naquela regi\u00e3o. Em entrevista recente \u00e0 Popular Science, o l\u00edder de modelagem computacional da organiza\u00e7\u00e3o The Ocean Cleanup, Bruno Sainte-Rose, descreve uma viagem de navio, do porto de Victoria, no Canad\u00e1, at\u00e9 a chamada \u201csopa de micropl\u00e1sticos\u201d. Ap\u00f3s tr\u00eas dias e meio de navega\u00e7\u00e3o no sentido sudoeste, &#8220;voc\u00ea v\u00ea um aumento de avistamentos de detritos&#8221;, diz Sainte-Rose.\u00a0 O termo \u201csopa de micropl\u00e1sticos\u201d \u00e9 o mais apropriado, segundo o engenheiro aeroespacial, pois a GPGP n\u00e3o \u00e9 apenas uma \u201cilha\u201d de res\u00edduos boiando no oceano, mas sim uma massa compacta, claramente vista por sat\u00e9lites ou navios. Como 86% dos pl\u00e1sticos prov\u00eam da atividade pesqueira, segundo a Ocean Cleanup, a sopa \u00e9 pontuada por redes de pesca descartadas ou perdidas.\u00a0 Por que a Grande Mancha de Lixo n\u00e3o para de crescer? A GPGP se dividiu em duas: a Ocidental e a Orienta. (Fonte: (Fonte: NOAA\/Divulga\u00e7\u00e3o) A GPGP come\u00e7ou a ser notada em 1973, quando alguns navegantes perceberam uma quantidade anormal de objetos artificiais no Pac\u00edfico Norte. Embora pl\u00e1sticos flutuantes sejam comuns nos oceanos (s\u00e3o 171 trilh\u00f5es de fragmentos segundo um estudo de 2023), a surpresa foi encontr\u00e1-los t\u00e3o distantes da costa. &#8220;A esta\u00e7\u00e3o espacial internacional est\u00e1 realmente mais pr\u00f3xima da GPGP na maior parte do tempo do que do resto dos seres humanos&#8221;, diz Sainte-Rose. A massa de pl\u00e1sticos enredados se concentra em uma \u00e1rea remota, envolvida pelo Giro do Pac\u00edfico Norte, uma grande corrente oce\u00e2nica que gira no sentido hor\u00e1rio e captura detritos e os move gradualmente pelo oceano. Os v\u00f3rtices lentos desse giro v\u00e3o acumulando os res\u00edduos. Hoje a mancha de divide em duas: a Ocidental, perto do Jap\u00e3o, e a Oriental, entre Calif\u00f3rnia e Hava\u00ed. O pl\u00e1stico circula entre essas zonas, mas n\u00e3o escapa das correntes. 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Outra quest\u00e3o \u00e9 que, embora as redes permitam que animais marinhos escapem, ecossistemas aderidos aos detritos (compostos por microrganismos) s\u00e3o removidos com o lixo. &#8220;Voc\u00ea v\u00ea uma diversidade muito ampla de microrganismos ligados ao pl\u00e1stico&#8221;, afirma a microbiologista marinha Sonja Oberbeckmann, do Instituto Federal de Pesquisa e Teste de Materiais na Alemanha, \u00e0 PopSci. Sainte-Rose contra-argumenta que esses \u201csurfistas de pl\u00e1stico\u201d s\u00e3o esp\u00e9cies invasoras, que nem deveriam estar nos oceanos. Ele lembra que a GPGP \u00e9 apenas uma das abordagens da Ocean Cleanup, que trabalha tamb\u00e9m em rios, bloqueando a ida de pl\u00e1sticos para os oceanos, em projetos mais vi\u00e1veis financeiramente para governos locais e mais vis\u00edveis para o p\u00fablico. 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