{"id":44448,"date":"2025-04-24T18:49:20","date_gmt":"2025-04-24T21:49:20","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/24\/america-norte-pode-estar-sofrendo-erosao-e-afundando-aos-poucos\/"},"modified":"2025-04-24T18:49:20","modified_gmt":"2025-04-24T21:49:20","slug":"america-norte-pode-estar-sofrendo-erosao-e-afundando-aos-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/04\/24\/america-norte-pode-estar-sofrendo-erosao-e-afundando-aos-poucos\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Norte pode estar sofrendo eros\u00e3o e afundando aos poucos"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Um estudo recente, publicado na revista <i>Nature Geoscience<\/i>, revelou um fen\u00f4meno por enquanto impercept\u00edvel, mas que representa um risco para a estabilidade geol\u00f3gica da Am\u00e9rica do Norte: <strong>uma por\u00e7\u00e3o da base rochosa profunda que sustenta o continente est\u00e1 se desprendendo lentamente<\/strong> e afundando em dire\u00e7\u00e3o ao manto terrestre.\u00a0<\/p>\n<p>Esse \u201cgotejamento\u201d de rochas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 camada intermedi\u00e1ria superquente da Terra, entre a crosta e o n\u00facleo, est\u00e1 criando uma estrutura parecida com um funil, concentrada sobre uma regi\u00e3o do Centro-Oeste dos EUA. O fen\u00f4meno est\u00e1 puxando as rochas antigas do bloco continental em sentido horizontal, antes que despenquem para o interior quente do planeta.<\/p>\n<p><strong>Essas rochas antigas s\u00e3o, na verdade, o que os ge\u00f3logos chamam de cr\u00e1ton<\/strong>, um gigantesco bloco continental, composto por rochas gran\u00edticas est\u00e1veis e r\u00edgidas, que perduram por bilh\u00f5es de anos, constituindo uma base s\u00f3lida para todas as terras continentais. Diferentemente das placas oce\u00e2nicas, empurradas para baixo e recicladas, os blocos continentais resistem devido \u00e0 sua menor densidade e maior espessura (at\u00e9 200 km).\u00a0<\/p>\n<h2>Usando dados de terremotos para entender o fen\u00f4meno<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/24\/24103505987003.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Am\u00e9rica Norte pode estar sofrendo eros\u00e3o e afundando aos poucos\" \/><figcaption>Figura do estudo mostrando os gotejamentos de rocha. (Fonte: Junlin Hua et al., Nature Geoscience, 2025\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de extremamente s\u00f3lido, o cr\u00e1ton n\u00e3o \u00e9 imut\u00e1vel, pois repousa sobre a chamada astenosfera, uma camada do manto superior com comportamento viscoso, capaz de fluir ao longo de grandes escalas de tempo. Isso significa que essa base aparentemente inabal\u00e1vel <strong>n\u00e3o est\u00e1 livre de processos que podem, eventualmente, afetar a sua integridade<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Para testar suas hip\u00f3teses, os autores utilizaram um novo modelo tomogr\u00e1fico s\u00edsmico de forma de onda completa para a Am\u00e9rica do Norte, com base em dados coletados pelo projeto EarthScope. O modelo computacional trouxe \u00e0 tona detalhes in\u00e9ditos sobre os processos geol\u00f3gicos que ocorrem na crosta e no manto, debaixo do cr\u00e1ton conhecido como Escudo Canadense.\u00a0<\/p>\n<p>Em um comunicado, o coautor Thorsten Becker, professor da Universidade do Texas em Austin, explica que o m\u00e9todo permitiu focar na zona entre o manto profundo e a litosfera mais rasa, em busca de pistas sobre o que est\u00e1 ocorrendo. Isso \u00e9 importante \u201cse quisermos compreender como um planeta evoluiu ao longo do tempo. Isso ajuda a entender como os continentes s\u00e3o formados, como s\u00e3o quebrados e como s\u00e3o reciclados\u201d, diz o geof\u00edsico.\u00a0<\/p>\n<h2>O que os cientistas descobriram sobre o afundamento do cr\u00e1ton?<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/tm.ibxk.com.br\/2025\/04\/24\/24105234800029.jpg?ims=fit-in\/800x500\" width=\"800\" height=\"500\"  alt=\"800x500 Am\u00e9rica Norte pode estar sofrendo eros\u00e3o e afundando aos poucos\" \/><figcaption>Uma placa tect\u00f4nica pode estar erodindo o cr\u00e1ton norte-americano aos poucos. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O novo modelo s\u00edsmico permitiu, pela primeira, visualizar com riqueza de detalhes o tal \u201cgotejamento\u201d do cr\u00e1ton, ou seja, partes da base continental se soltando e afundando em dire\u00e7\u00e3o ao manto. <strong>Os cientistas est\u00e3o ligando esse processo \u00e0 antiga Placa de Farallon<\/strong>, que come\u00e7ou a mergulhar sob o continente h\u00e1 cerca de 200 milh\u00f5es de anos, mas ainda continua influenciando a regi\u00e3o, mesmo a 600 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do cr\u00e1ton.<\/p>\n<p>Mapeada sismicamente pela primeira vez na d\u00e9cada de 1990, essa placa pode estar provocando uma eros\u00e3o subterr\u00e2nea, ao liberar agentes qu\u00edmicos que enfraquecem a base do cr\u00e1ton. O modelo revelou que esse afinamento da base ocorre n\u00e3o apenas no local, mas se estende por uma faixa ampla da Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es computacionais confirmaram as suspeitas. Quando a Placa de Farallon era inclu\u00edda nos modelos, o cr\u00e1ton come\u00e7ava a \u201cpingar\u201d, mas, quando ela era retirada da simula\u00e7\u00e3o, o processo parava. \u201cPode parecer exagero, mas os sinais est\u00e3o ali, surgindo e sumindo em padr\u00f5es que fazem todo sentido\u201d, concluiu Thorsten Becker.<\/p>\n<p>Quer conhecer outras regi\u00f5es do planeta que tamb\u00e9m est\u00e3o cedendo sob nossos p\u00e9s? Clique nos links acima, e compartilhe as mat\u00e9rias nas redes sociais. Descubra tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/294780-africa-partindo-ciencia-responde.htm\" target=\"_blank\">por que a \u00c1frica est\u00e1 se partindo?<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo recente, publicado na revista Nature Geoscience, revelou um fen\u00f4meno por enquanto impercept\u00edvel, mas que representa um risco para a estabilidade geol\u00f3gica da Am\u00e9rica do Norte: uma por\u00e7\u00e3o da base rochosa profunda que sustenta o continente est\u00e1 se desprendendo lentamente e afundando em dire\u00e7\u00e3o ao manto terrestre.\u00a0 Esse \u201cgotejamento\u201d de rochas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 camada intermedi\u00e1ria superquente da Terra, entre a crosta e o n\u00facleo, est\u00e1 criando uma estrutura parecida com um funil, concentrada sobre uma regi\u00e3o do Centro-Oeste dos EUA. O fen\u00f4meno est\u00e1 puxando as rochas antigas do bloco continental em sentido horizontal, antes que despenquem para o interior quente do planeta. Essas rochas antigas s\u00e3o, na verdade, o que os ge\u00f3logos chamam de cr\u00e1ton, um gigantesco bloco continental, composto por rochas gran\u00edticas est\u00e1veis e r\u00edgidas, que perduram por bilh\u00f5es de anos, constituindo uma base s\u00f3lida para todas as terras continentais. Diferentemente das placas oce\u00e2nicas, empurradas para baixo e recicladas, os blocos continentais resistem devido \u00e0 sua menor densidade e maior espessura (at\u00e9 200 km).\u00a0 Usando dados de terremotos para entender o fen\u00f4meno Figura do estudo mostrando os gotejamentos de rocha. (Fonte: Junlin Hua et al., Nature Geoscience, 2025\/Divulga\u00e7\u00e3o) Apesar de extremamente s\u00f3lido, o cr\u00e1ton n\u00e3o \u00e9 imut\u00e1vel, pois repousa sobre a chamada astenosfera, uma camada do manto superior com comportamento viscoso, capaz de fluir ao longo de grandes escalas de tempo. Isso significa que essa base aparentemente inabal\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1 livre de processos que podem, eventualmente, afetar a sua integridade.\u00a0 Para testar suas hip\u00f3teses, os autores utilizaram um novo modelo tomogr\u00e1fico s\u00edsmico de forma de onda completa para a Am\u00e9rica do Norte, com base em dados coletados pelo projeto EarthScope. O modelo computacional trouxe \u00e0 tona detalhes in\u00e9ditos sobre os processos geol\u00f3gicos que ocorrem na crosta e no manto, debaixo do cr\u00e1ton conhecido como Escudo Canadense.\u00a0 Em um comunicado, o coautor Thorsten Becker, professor da Universidade do Texas em Austin, explica que o m\u00e9todo permitiu focar na zona entre o manto profundo e a litosfera mais rasa, em busca de pistas sobre o que est\u00e1 ocorrendo. Isso \u00e9 importante \u201cse quisermos compreender como um planeta evoluiu ao longo do tempo. Isso ajuda a entender como os continentes s\u00e3o formados, como s\u00e3o quebrados e como s\u00e3o reciclados\u201d, diz o geof\u00edsico.\u00a0 O que os cientistas descobriram sobre o afundamento do cr\u00e1ton? Uma placa tect\u00f4nica pode estar erodindo o cr\u00e1ton norte-americano aos poucos. (Fonte: Getty Images\/Reprodu\u00e7\u00e3o) O novo modelo s\u00edsmico permitiu, pela primeira, visualizar com riqueza de detalhes o tal \u201cgotejamento\u201d do cr\u00e1ton, ou seja, partes da base continental se soltando e afundando em dire\u00e7\u00e3o ao manto. Os cientistas est\u00e3o ligando esse processo \u00e0 antiga Placa de Farallon, que come\u00e7ou a mergulhar sob o continente h\u00e1 cerca de 200 milh\u00f5es de anos, mas ainda continua influenciando a regi\u00e3o, mesmo a 600 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do cr\u00e1ton. Mapeada sismicamente pela primeira vez na d\u00e9cada de 1990, essa placa pode estar provocando uma eros\u00e3o subterr\u00e2nea, ao liberar agentes qu\u00edmicos que enfraquecem a base do cr\u00e1ton. O modelo revelou que esse afinamento da base ocorre n\u00e3o apenas no local, mas se estende por uma faixa ampla da Am\u00e9rica do Norte. As simula\u00e7\u00f5es computacionais confirmaram as suspeitas. Quando a Placa de Farallon era inclu\u00edda nos modelos, o cr\u00e1ton come\u00e7ava a \u201cpingar\u201d, mas, quando ela era retirada da simula\u00e7\u00e3o, o processo parava. \u201cPode parecer exagero, mas os sinais est\u00e3o ali, surgindo e sumindo em padr\u00f5es que fazem todo sentido\u201d, concluiu Thorsten Becker. Quer conhecer outras regi\u00f5es do planeta que tamb\u00e9m est\u00e3o cedendo sob nossos p\u00e9s? Clique nos links acima, e compartilhe as mat\u00e9rias nas redes sociais. Descubra tamb\u00e9m: por que a \u00c1frica est\u00e1 se partindo?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-44448","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44448\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}