{"id":46926,"date":"2025-05-25T00:10:54","date_gmt":"2025-05-25T03:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/05\/25\/pesquisa-brasileira-reune-bilhoes-de-mensagens-publicas-disponibilizadas-pelo-discord-plataforma-questiona\/"},"modified":"2025-05-25T00:10:54","modified_gmt":"2025-05-25T03:10:54","slug":"pesquisa-brasileira-reune-bilhoes-de-mensagens-publicas-disponibilizadas-pelo-discord-plataforma-questiona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/05\/25\/pesquisa-brasileira-reune-bilhoes-de-mensagens-publicas-disponibilizadas-pelo-discord-plataforma-questiona\/","title":{"rendered":"Pesquisa brasileira re\u00fane bilh\u00f5es de mensagens p\u00fablicas disponibilizadas pelo Discord; plataforma questiona"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"51203949789-df936dea2c-k Pesquisa brasileira re\u00fane bilh\u00f5es de mensagens p\u00fablicas disponibilizadas pelo Discord; plataforma questiona\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/jxhJeVNveYPzOOSGnjwPBXJDq48=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2024\/N\/4\/FuKFTVTPib1qU0pOd4hA\/51203949789-df936dea2c-k.jpg\" \/><br \/>     Estudo usou funcionalidade disponibilizada pela pr\u00f3pria empresa para extrair os dados. Para professor que analisou a pesquisa, levantamento \u00e9 leg\u00edtimo. O Discord \u00e9 uma plataforma de comunica\u00e7\u00e3o digital usada para conversas por texto, voz e v\u00eddeo. A rede \u00e9 popular principalmente entre adolescentes.<br \/>\nFoto: Ivan Radic\/Flickr<br \/>\nPesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) afirmam ter coletado mais de 2 bilh\u00f5es de mensagens p\u00fablicas de usu\u00e1rios do Discord, postadas entre 2015 e 2024, usando uma funcionalidade disponibilizada pela pr\u00f3pria plataforma.<br \/>\nSegundo o estudo, chamado &#8220;Discord revelado: um conjunto abrangente de dados de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, o objetivo \u00e9 criar um banco de dados que pode ser usado como base para pesquisas em ci\u00eancias sociais.<br \/>\nOs autores afirmam ter tratado os dados para impedir a identifica\u00e7\u00e3o de quem postou as mensagens.<br \/>\nO estudo foi publicado em fevereiro deste ano &#8220;arXiv&#8221;, um site que divulga estudos de diversas \u00e1reas, como ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, estat\u00edstica e biologia.<br \/>\nA informa\u00e7\u00e3o de que conversas p\u00fablicas da plataforma podem ser baixadas pegou usu\u00e1rios de surpresa. Nas redes sociais, eles passaram a questionar a pesquisa, alegando invas\u00e3o de privacidade, e at\u00e9 a seguran\u00e7a de suas informa\u00e7\u00f5es. Procurada, a empresa alega que os pesquisadores violaram as regras da rede social (leia mais abaixo).<br \/>\nUm professor da Pontif\u00edcia Universidade de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) que n\u00e3o participou do estudo, mas o analisou, afirma que a iniciativa \u00e9 leg\u00edtima.<br \/>\nO que \u00e9 o Discord?<br \/>\nO Discord \u00e9 uma plataforma usada para conversas por texto, voz e v\u00eddeo, e \u00e9 popular principalmente entre adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo. Atualmente, ela tem cerca de 200 milh\u00f5es de usu\u00e1rios.<br \/>\nCom um ambiente repleto de menores de idade, a plataforma tamb\u00e9m tem sido alvo de criminosos que buscam praticar crimes contra essa popula\u00e7\u00e3o, como chantagem com fotos \u00edntimas, indu\u00e7\u00e3o \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o, estupro virtual e incita\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio.<br \/>\nO Discord afirma que que conta com equipes especializadas dedicadas a combater ilegalidades na plataforma.<br \/>\nProfiss\u00e3o Rep\u00f3rter flagra automutila\u00e7\u00e3o de menina durante transmiss\u00e3o ao vivo no Discord<br \/>\nPesquisadores usaram funcionalidades do Discord para baixar dados<br \/>\nDe acordo com o estudo, o levantamento reuniu apenas dados de grupos considerados p\u00fablicos de acordo com os termos de uso do Discord, &#8220;com os quais todos os usu\u00e1rios concordam ao se inscreverem\u201d.<br \/>\nPara acessar os dados dos servidores do Discord, segundo o estudo, os pesquisadores utilizaram o recurso &#8220;Discovery&#8221;, da pr\u00f3pria plataforma, que permite aos usu\u00e1rios navegar pelos servidores p\u00fablicos \u2013 e at\u00e9 mesmo ver mensagens p\u00fablicas \u2013 sem precisar participar deles.<br \/>\nE, para obter as informa\u00e7\u00f5es, ainda de acordo com o estudo, foi usada a API \u2013 uma funcionalidade que permite baixar dados em massa \u2013 do pr\u00f3prio Discord.<br \/>\nDepois de baixados, os dados foram tratados com t\u00e9cnicas de anonimiza\u00e7\u00e3o, como a substitui\u00e7\u00e3o dos nomes dos usu\u00e1rios por pseud\u00f4nimos, para limpar qualquer informa\u00e7\u00e3o que pudesse identific\u00e1-los.<br \/>\nDiscord afirma que extra\u00e7\u00e3o de dados foi feita sem consentimento<br \/>\nAinda que a ferramenta seja disponibilizada pelo pr\u00f3prio Discord e que os dados baixados na pesquisa sejam p\u00fablicos, a plataforma questiona a forma como ela foi feita.<br \/>\n\u201cA extra\u00e7\u00e3o de dados de nossos servi\u00e7os sem o nosso consentimento por escrito constitui uma viola\u00e7\u00e3o dos nossos Termos de Servi\u00e7o e Diretrizes da Comunidade. O Discord est\u00e1 investigando essa atividade com dilig\u00eancia e tomar\u00e1 as medidas cab\u00edveis. Esse \u00e9 um assunto s\u00e9rio e estamos comprometidos com a prote\u00e7\u00e3o da privacidade e dos dados dos nossos usu\u00e1rios\u201d, disse a empresa, em nota. Parece que os pesquisadores tomaram medidas para proteger as identidades das pessoas, mas isso ainda viola nossas pol\u00edticas e estamos investigando completamente.&#8221;<br \/>\nEstudo &#8216;eticamente adequado&#8217;, diz professor que analisou pesquisa<br \/>\nO professor da PUC e pesquisador em tecnologia e intelig\u00eancia artificial Diogo Cortiz afirma n\u00e3o ver irregularidade.<br \/>\n\u201cA pesquisa usou a API oficial do Discord e ela permite o acesso a canais p\u00fablicos e servidores p\u00fablicos. Ou seja, eles fizeram isso de forma regular (&#8230;) O Discord alega essa viola\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, mas isso me parece uma forma de justificar a exposi\u00e7\u00e3o da falta de seguran\u00e7a da troca de mensagens\u201d, diz.<br \/>\nCortiz ressalta que os pesquisadores afirmam ter adotado crit\u00e9rios para impedir a identifica\u00e7\u00e3o dos autores das mensagens.<br \/>\n&#8220;Eles [os pesquisadores da UFMG] afirmam que usaram uma anonimiza\u00e7\u00e3o. Seguindo esses requisitos, esse projeto de pesquisa \u00e9 eticamente adequado&#8221;, acrescenta Cortiz.<br \/>\nNa vis\u00e3o do professor da PUC, o Discord n\u00e3o foi claro sobre qual foi a regra violada pelo estudo.<br \/>\nTodo conte\u00fado p\u00fablico pode ser coletado?<br \/>\nDe acordo com Cortiz, da PUC, n\u00e3o. Mas, neste caso, os pesquisadores da UFMG utilizaram dados da API oficial da plataforma, que d\u00e1 acesso a canais e servidores p\u00fablicos, al\u00e9m de terem aceitado os termos de uso.<br \/>\n&#8220;Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 pelo fato de que o Instagram tem o perfil aberto que voc\u00ea pode pegar esses arquivos \u2013 pelo termo de servi\u00e7o voc\u00ea n\u00e3o pode&#8221;, diz Cortiz. &#8220;Uma plataforma muito usada para ci\u00eancias sociais com esse tipo de an\u00e1lise de dados era o Twitter. Ele tinha uma API que dava para extrair os dados. E, para usar a API oficial e pegar os dados, tinha que respeitar uma s\u00e9rie de requisitos&#8221;, lembra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo usou funcionalidade disponibilizada pela pr\u00f3pria empresa para extrair os dados. Para professor que analisou a pesquisa, levantamento \u00e9 leg\u00edtimo. O Discord \u00e9 uma plataforma de comunica\u00e7\u00e3o digital usada para conversas por texto, voz e v\u00eddeo. A rede \u00e9 popular principalmente entre adolescentes. Foto: Ivan Radic\/Flickr Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) afirmam ter coletado mais de 2 bilh\u00f5es de mensagens p\u00fablicas de usu\u00e1rios do Discord, postadas entre 2015 e 2024, usando uma funcionalidade disponibilizada pela pr\u00f3pria plataforma. Segundo o estudo, chamado &#8220;Discord revelado: um conjunto abrangente de dados de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, o objetivo \u00e9 criar um banco de dados que pode ser usado como base para pesquisas em ci\u00eancias sociais. Os autores afirmam ter tratado os dados para impedir a identifica\u00e7\u00e3o de quem postou as mensagens. O estudo foi publicado em fevereiro deste ano &#8220;arXiv&#8221;, um site que divulga estudos de diversas \u00e1reas, como ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, estat\u00edstica e biologia. A informa\u00e7\u00e3o de que conversas p\u00fablicas da plataforma podem ser baixadas pegou usu\u00e1rios de surpresa. Nas redes sociais, eles passaram a questionar a pesquisa, alegando invas\u00e3o de privacidade, e at\u00e9 a seguran\u00e7a de suas informa\u00e7\u00f5es. Procurada, a empresa alega que os pesquisadores violaram as regras da rede social (leia mais abaixo). Um professor da Pontif\u00edcia Universidade de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) que n\u00e3o participou do estudo, mas o analisou, afirma que a iniciativa \u00e9 leg\u00edtima. O que \u00e9 o Discord? O Discord \u00e9 uma plataforma usada para conversas por texto, voz e v\u00eddeo, e \u00e9 popular principalmente entre adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo. Atualmente, ela tem cerca de 200 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Com um ambiente repleto de menores de idade, a plataforma tamb\u00e9m tem sido alvo de criminosos que buscam praticar crimes contra essa popula\u00e7\u00e3o, como chantagem com fotos \u00edntimas, indu\u00e7\u00e3o \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o, estupro virtual e incita\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio. O Discord afirma que que conta com equipes especializadas dedicadas a combater ilegalidades na plataforma. Profiss\u00e3o Rep\u00f3rter flagra automutila\u00e7\u00e3o de menina durante transmiss\u00e3o ao vivo no Discord Pesquisadores usaram funcionalidades do Discord para baixar dados De acordo com o estudo, o levantamento reuniu apenas dados de grupos considerados p\u00fablicos de acordo com os termos de uso do Discord, &#8220;com os quais todos os usu\u00e1rios concordam ao se inscreverem\u201d. Para acessar os dados dos servidores do Discord, segundo o estudo, os pesquisadores utilizaram o recurso &#8220;Discovery&#8221;, da pr\u00f3pria plataforma, que permite aos usu\u00e1rios navegar pelos servidores p\u00fablicos \u2013 e at\u00e9 mesmo ver mensagens p\u00fablicas \u2013 sem precisar participar deles. E, para obter as informa\u00e7\u00f5es, ainda de acordo com o estudo, foi usada a API \u2013 uma funcionalidade que permite baixar dados em massa \u2013 do pr\u00f3prio Discord. Depois de baixados, os dados foram tratados com t\u00e9cnicas de anonimiza\u00e7\u00e3o, como a substitui\u00e7\u00e3o dos nomes dos usu\u00e1rios por pseud\u00f4nimos, para limpar qualquer informa\u00e7\u00e3o que pudesse identific\u00e1-los. Discord afirma que extra\u00e7\u00e3o de dados foi feita sem consentimento Ainda que a ferramenta seja disponibilizada pelo pr\u00f3prio Discord e que os dados baixados na pesquisa sejam p\u00fablicos, a plataforma questiona a forma como ela foi feita. \u201cA extra\u00e7\u00e3o de dados de nossos servi\u00e7os sem o nosso consentimento por escrito constitui uma viola\u00e7\u00e3o dos nossos Termos de Servi\u00e7o e Diretrizes da Comunidade. O Discord est\u00e1 investigando essa atividade com dilig\u00eancia e tomar\u00e1 as medidas cab\u00edveis. Esse \u00e9 um assunto s\u00e9rio e estamos comprometidos com a prote\u00e7\u00e3o da privacidade e dos dados dos nossos usu\u00e1rios\u201d, disse a empresa, em nota. Parece que os pesquisadores tomaram medidas para proteger as identidades das pessoas, mas isso ainda viola nossas pol\u00edticas e estamos investigando completamente.&#8221; Estudo &#8216;eticamente adequado&#8217;, diz professor que analisou pesquisa O professor da PUC e pesquisador em tecnologia e intelig\u00eancia artificial Diogo Cortiz afirma n\u00e3o ver irregularidade. \u201cA pesquisa usou a API oficial do Discord e ela permite o acesso a canais p\u00fablicos e servidores p\u00fablicos. Ou seja, eles fizeram isso de forma regular (&#8230;) O Discord alega essa viola\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, mas isso me parece uma forma de justificar a exposi\u00e7\u00e3o da falta de seguran\u00e7a da troca de mensagens\u201d, diz. Cortiz ressalta que os pesquisadores afirmam ter adotado crit\u00e9rios para impedir a identifica\u00e7\u00e3o dos autores das mensagens. &#8220;Eles [os pesquisadores da UFMG] afirmam que usaram uma anonimiza\u00e7\u00e3o. Seguindo esses requisitos, esse projeto de pesquisa \u00e9 eticamente adequado&#8221;, acrescenta Cortiz. Na vis\u00e3o do professor da PUC, o Discord n\u00e3o foi claro sobre qual foi a regra violada pelo estudo. Todo conte\u00fado p\u00fablico pode ser coletado? De acordo com Cortiz, da PUC, n\u00e3o. Mas, neste caso, os pesquisadores da UFMG utilizaram dados da API oficial da plataforma, que d\u00e1 acesso a canais e servidores p\u00fablicos, al\u00e9m de terem aceitado os termos de uso. &#8220;Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 pelo fato de que o Instagram tem o perfil aberto que voc\u00ea pode pegar esses arquivos \u2013 pelo termo de servi\u00e7o voc\u00ea n\u00e3o pode&#8221;, diz Cortiz. &#8220;Uma plataforma muito usada para ci\u00eancias sociais com esse tipo de an\u00e1lise de dados era o Twitter. Ele tinha uma API que dava para extrair os dados. 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