{"id":47076,"date":"2025-05-26T14:42:42","date_gmt":"2025-05-26T17:42:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/05\/26\/os-influencers-que-ganham-fama-exibindo-animais-selvagens-como-pets\/"},"modified":"2025-05-26T14:42:42","modified_gmt":"2025-05-26T17:42:42","slug":"os-influencers-que-ganham-fama-exibindo-animais-selvagens-como-pets","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/2025\/05\/26\/os-influencers-que-ganham-fama-exibindo-animais-selvagens-como-pets\/","title":{"rendered":"Os influencers que ganham fama exibindo animais selvagens como pets"},"content":{"rendered":"<p><img  title=\"\"  alt=\"thumbnail-image001-1- Os influencers que ganham fama exibindo animais selvagens como pets\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/t64efYbHRAdskyC1ph3hG1UA1c8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/D\/q\/3567dKSYGxH6HUm3BqWw\/thumbnail-image001-1-.png\" \/><br \/>     Levantamento feito pela BBC News Brasil identificou ao menos 175 multas do Ibama que citam nomes de redes sociais na descri\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da imagem de animais silvestres Os influenciadores Agenor Tupinamb\u00e1, com a capivara Fil\u00f3, e Luh da Ro\u00e7a, com a jaguatirica Pituca<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/BBC<br \/>\nO influenciador digital Agenor Tupinamb\u00e1, de 25 anos, ganhou a aten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em 2023, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) decidiu apreender uma capivara criada por ele como pet, a Fil\u00f3.<br \/>\nA apreens\u00e3o aconteceu \u00e0 \u00e9poca porque, segundo o instituto, o animal estaria sendo exibido indevidamente nas redes sociais e criado em condi\u00e7\u00f5es inadequadas.<br \/>\nPara o Ibama, ele &#8220;adquiriu seguidores expondo sistematicamente a fauna silvestre em seus perfis de forma irregular, sem licen\u00e7a ambiental para a atividade.&#8221;<br \/>\nTupinamb\u00e1 abriu um processo em que requereu a guarda da capivara, e ganhou. Fil\u00f3 continua com ele at\u00e9 hoje.<br \/>\nO juiz disse, na decis\u00e3o, que o animal &#8220;vive em perfeita e respeitosa simbiose com a floresta&#8221; e que &#8220;n\u00e3o \u00e9 a Fil\u00f3 que mora na casa de Agenor, \u00e9 o autor (Agenor) que vive na floresta.&#8221;<br \/>\nAdvogados do influenciador apresentaram a tese de que ele &#8220;jamais buscou a fama&#8221;, que &#8220;seus seguidores foram chegando aos poucos&#8221; e que a explos\u00e3o de seguidores teria ocorrido depois de um v\u00eddeo viral com Fil\u00f3, &#8220;gerando o efeito natural de ganhos de seguidores e engajamentos.&#8221;<br \/>\nO caso catapultou Agenor para al\u00e9m das pr\u00f3prias redes sociais: deu entrevistas a programas de TV e chegou at\u00e9 a ter sua vida amorosa retratada em um texto na revista Caras.<br \/>\nHouve at\u00e9 mesmo a apresenta\u00e7\u00e3o de um projeto de lei no ano passado, na C\u00e2mara dos Deputados, batizado com seu nome, que descriminaliza a posse e cria\u00e7\u00e3o de animais silvestres n\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. O projeto aguarda vota\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<br \/>\nPassados dois anos desde o epis\u00f3dio, Agenor Tupinamb\u00e1 alcan\u00e7ou a marca de 1,7 milh\u00e3o de seguidores no Instagram e outros 1,8 milh\u00e3o no TikTok, mais do que o dobro do n\u00famero que tinha sido anotado na multa lavrada pelo Ibama, em 2023.<br \/>\nQuem visita a p\u00e1gina dele hoje ver\u00e1 mais do que fotos com a capivara ou de sua vida privada.<br \/>\nTupinamb\u00e1 trancou o curso de gradua\u00e7\u00e3o em agronomia, se mudou para um s\u00edtio no interior do Amazonas e passou a trabalhar somente com internet. Levou Fil\u00f3 junto.<br \/>\nO influenciador diz que faz hoje publicidade de empresas locais e tamb\u00e9m que assinou contrato anual com um site de apostas.<br \/>\nTupinamb\u00e1 contou \u00e0 BBC News Brasil que recebeu algumas cr\u00edticas depois de ter assinado o contrato (a entrevista pode ser lida aqui).<br \/>\nAo lado da publicidade mais recente est\u00e1 outra foto, tamb\u00e9m destacada no feed, de Tupinamb\u00e1 e Fil\u00f3, com o t\u00edtulo &#8220;#tbt para matar a saudade de vcs&#8221;. Ele afirma, no entanto, que n\u00e3o faz qualquer uso da capivara diretamente nos an\u00fancios.<br \/>\n&#8220;Nunca ganhei nada em cima dela, do que eu postava com ela. Depois, meses depois que tudo aconteceu, foi a\u00ed que comecei a trabalhar com a internet&#8221;, disse.<br \/>\nAgenor Tupinamb\u00e1 diz que vive hoje com trabalhos na internet<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/BBC<br \/>\n&#8216;Mensagem equivocada&#8217; para a sociedade<br \/>\nO desfecho do caso da capivara Fil\u00f3 virou uma &#8220;mensagem equivocada&#8221; para o a sociedade e com repercuss\u00e3o at\u00e9 hoje nas redes sociais, nas palavras de um servidor do Ibama.<br \/>\nA cada nova apreens\u00e3o de animal silvestre divulgada nas redes s\u00e3o centenas de coment\u00e1rios negativos recebidos.<br \/>\nS\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que envolvem, em geral, outros influenciadores digitais, que divulgam imagens de animais criados como pets, de forma considerada inadequada pelas autoridades.<br \/>\nSegundo a institui\u00e7\u00e3o, muitos lucram com essa exposi\u00e7\u00e3o indevida.<br \/>\nUm levantamento feito pela BBC News Brasil identificou ao menos 175 autos de infra\u00e7\u00e3o do Ibama que citam nomes de redes sociais na descri\u00e7\u00e3o da multa e a explora\u00e7\u00e3o da imagem de animais silvestres. Metade foi lavrada nos \u00faltimos cinco anos.<br \/>\nUm dispositivo legal de 2008 respalda as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o: segundo o decreto, \u00e9 infra\u00e7\u00e3o ambiental &#8220;explorar ou fazer uso comercial de imagem de animal silvestre mantido irregularmente em cativeiro ou em situa\u00e7\u00e3o de abuso ou maus-tratos&#8221;, o que pode levar a multas de at\u00e9 R$ 500 mil.<br \/>\nMacaco-prego \u00e9 alvo constante de tr\u00e1fico de animais silvestres<br \/>\nGetty Images\/BBC<br \/>\n&#8216;Isso gera curtida&#8217;<br \/>\nPara Bruno Campos Ramos, agente ambiental federal e chefe-substituto do N\u00facleo de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Fauna da Diretoria de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, as redes sociais se tornaram uma nova fonte de lucro para fomentar o tr\u00e1fico de animais.<br \/>\n&#8220;Quando algum desses influenciadores que tem animal silvestres faz sucesso, a gente at\u00e9 v\u00ea a alegria dos traficantes. \u00c9 como se um artista estivesse divulgando um t\u00eanis, um carro. As pessoas assistem e querem ter um tamb\u00e9m&#8221;, diz.<br \/>\nEle lembrou de um epis\u00f3dio, tamb\u00e9m de repercuss\u00e3o nacional, em que a modelo e apresentadora Nicole Bahls, que tem quase 30 milh\u00f5es de seguidores no Instagram, teve filhotes de macaco-prego apreendidos pelo Ibama depois de t\u00ea-los exibido nas redes sociais.<br \/>\nAs autoridades descobriram, \u00e0 \u00e9poca, que os documentos que comprovariam a legalidade dos animais eram falsos. O caso desencadeou depois uma opera\u00e7\u00e3o sobre tr\u00e1fico de animais silvestres no Rio.<br \/>\n&#8220;\u00c9 uma cadeia em que v\u00e1rias pessoas ganham dinheiro. Tem o advogado, que entra na Justi\u00e7a nas situa\u00e7\u00f5es em que apreendemos os animais para conseguir devolu\u00e7\u00e3o. Tem o influenciador, que ganha repercuss\u00e3o na internet e depois come\u00e7a com patroc\u00ednio de bet [aposta] e monetiza\u00e7\u00e3o de views e curtidas&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;Naquela \u00e9poca n\u00f3s apreendemos muitos primatas. Ela [a modelo] teve a consci\u00eancia de ir \u00e0s redes sociais e falar que o Ibama fazia um trabalho excelente, coisa que nem sempre todo mundo faz.&#8221;<br \/>\nBahls chegou a dizer, em entrevista \u00e0 TV Globo, que &#8220;n\u00e3o tinha consci\u00eancia&#8221; de que o documento era falsificado.<br \/>\n&#8220;A maior li\u00e7\u00e3o que eu tive sobre animal silvestre, eu acho que mesmo sendo legalizado, n\u00e3o \u00e9 legal. Porque incentiva e causa morte e muita dor no meio desses animais&#8221;, disse.<br \/>\nRamos, do Ibama, avalia que h\u00e1 uma incompreens\u00e3o da sociedade sobre a a\u00e7\u00e3o do instituto.<br \/>\n&#8220;Recebemos uma cr\u00edtica muito exacerbada. As pessoas acham que entendem do assunto. Esses n\u00e3o s\u00e3o animais para serem criados como pet.&#8221;<br \/>\nJaguatirica &#8216;Pituca&#8217;: servidores recebem amea\u00e7as<br \/>\nIbama diz que jaguatirica que estava com influenciadora apresentava quadro de desnutri\u00e7\u00e3o<br \/>\nIbama\/BBC<br \/>\nOutro exemplo do cabo de guerra entre o Ibama e parte da opini\u00e3o p\u00fablica aconteceu em abril deste ano, quando a institui\u00e7\u00e3o apreendeu uma jaguatirica no interior do Par\u00e1, apelidada de Pituca.<br \/>\nO pr\u00f3prio Ibama divulgou v\u00eddeo no Instagram sobre o caso.<br \/>\nCom m\u00fasica ao fundo, uma porta-voz da institui\u00e7\u00e3o, Juliana Junqueira, diz que o animal tinha defici\u00eancia nutricional cr\u00f4nica, que a pelagem estava sem brilho e com les\u00f5es.<br \/>\n&#8220;A pessoa que se apossou do animal o exibia nas redes sociais como se tudo estivesse bem, mas a realidade era outra&#8221;, escreveu o Ibama na publica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Isso \u00e9 maus tratos! Isso \u00e9 tortura! N\u00e3o curta hist\u00f3rias de animais silvestres nas redes. Atr\u00e1s de um v\u00eddeo bonitinho existe uma hist\u00f3ria triste de maus-tratos&#8221;, diz a institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm resposta, um dos primeiros coment\u00e1rios em destaque era de que &#8220;em momento algum&#8221; o animal era maltratado e que a jaguatirica &#8220;vivia solta e feliz com a sua dona&#8221;.<br \/>\nOutra resposta em letras mai\u00fasculas reafirma que o animal &#8220;vivia livre na fazenda, sumia nas matas e voltava quando queria. Agora ela est\u00e1 definhando em uma jaula no Ibama. Quem \u00e9 que est\u00e1 causando maus tratos?&#8221;, escreveu a usu\u00e1ria.<br \/>\nA jaguatirica chegou a um Centro de Triagem de Animais Silvestres, em abril, com o objetivo de, quando poss\u00edvel, ser reintroduzida \u00e0 natureza &#8220;de forma segura&#8221;, segundo o Ibama.<br \/>\nOs coment\u00e1rios negativos foram al\u00e9m das redes sociais. A BBC News Brasil teve acesso a uma amea\u00e7a por escrito, enviada a servidores do Ibama no Par\u00e1.<br \/>\nUm servidor contou \u00e0 reportagem, sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato, que ap\u00f3s a repercuss\u00e3o do caso nas redes houve uma &#8220;onda cont\u00ednua de rep\u00fadio \u00e0s a\u00e7\u00f5es do Ibama&#8221; e &#8220;amea\u00e7as de agress\u00e3o f\u00edsica&#8221;, inclusive nas p\u00e1ginas pessoais dos servidores.<br \/>\n&#8220;As pessoas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com esses influencers que se acham amigos dessas pessoas. \u00c9 um neg\u00f3cio cal\u00e7ado na emo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na raz\u00e3o&#8221;, disse.<br \/>\nEle disse que o \u00f3rg\u00e3o encaminhou as amea\u00e7as para investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal.<br \/>\n       View this post on Instagram            A post shared by Ibama (@ibamagov)<br \/>\n&#8216;Ela n\u00e3o est\u00e1 sendo maltratada&#8217;<br \/>\n       View this post on Instagram            A post shared by Luciene  candido (@luh_da_roca_)<br \/>\nA jaguatirica estava em posse de Luciene Candido, que se apresenta nas redes sociais como Luh da Ro\u00e7a. Ela tem mais de 200 mil seguidores no Instagram e quase 500 mil no Facebook.<br \/>\nPituca era exibida em v\u00eddeos ao lado de outros animais e bebendo em uma mamadeira. Algumas publica\u00e7\u00f5es chegaram a quase 1 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm um dos v\u00eddeos publicados antes da apreens\u00e3o, a influenciadora alegou que o animal podia se movimentar como quisesse na fazenda em que vive e que, caso fosse solta na natureza, n\u00e3o sobreviveria.<br \/>\n&#8220;Pessoal fica marcando autoridade nos meus v\u00eddeos, realmente eu n\u00e3o entendo. Ela n\u00e3o est\u00e1 sendo maltratada, n\u00e3o est\u00e1 passando fome, n\u00e3o vive em apartamento&#8221;, disse.<br \/>\n&#8220;Acho que o desejo deles [que denunciam] \u00e9 autoridade vir, recolher ela, levar para um cativeiro e a\u00ed depois de um certo tempo, &#8216;ah, ela treinou, est\u00e1 pronta para ir para o habitat dela&#8217;. A\u00ed chega no habitat dela simplesmente ela vai e morre. Possibilidade dela viver aqui em casa \u00e9 de 20 anos. L\u00e1 no habitat dela, \u00e9 10. Quem fica questionando, criticando, nem sabe disso.&#8221;<br \/>\nO analista ambiental do Ibama Roberto Cabral diz que h\u00e1 uma incompreens\u00e3o sobre o que acontece ap\u00f3s o resgate dos animais.<br \/>\n&#8220;Os centros de triagem [para onde os animais v\u00e3o depois de apreendidos] n\u00e3o s\u00e3o o destino final do animal. \u00c9 l\u00e1 que eles ser\u00e3o recuperados, onde se faz uma reabilita\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se fosse um hospital. Transit\u00f3rio, para preparar o animal para viver em liberdade.&#8221;<br \/>\nA jaguatirica foi encaminhada ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, o Cetas. O instituto diz que o animal tinha problemas na pelagem e parasitas, &#8220;com destaque para infesta\u00e7\u00e3o por bicho-de-p\u00e9 nas patas&#8221; e &#8220;perda dos caninos do lado esquerdo.&#8221;<br \/>\nEla admitiu, em um v\u00eddeo ap\u00f3s a apreens\u00e3o, saber que n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o para ficar com o animal.<br \/>\n&#8220;Estou agoniada, estou nervosa, estou triste. Infelizmente para quem estava torcendo contra, marcando as autoridades para vir busca a Pituca, vieram&#8221;, lamentou ela em uma publica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a apreens\u00e3o.<br \/>\n&#8220;T\u00e1 certo que eu n\u00e3o tenho autoriza\u00e7\u00e3o, mas eu salvei a vida dela. Eu n\u00e3o fui na natureza ca\u00e7ar ela pra levar pra casa.&#8221;<br \/>\nCandido tamb\u00e9m passou a divulgar uma s\u00e9rie de v\u00eddeos cr\u00edticos \u00e0 apreens\u00e3o, inclusive com uso de intelig\u00eancia artificial, com ilustra\u00e7\u00f5es de autoridades prendendo o animal em uma jaula.<br \/>\nA reportagem fez diversas tentativas de entrevista com Luciene Candido por suas redes sociais, mas n\u00e3o obteve resposta. O espa\u00e7o segue \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA Meta informou, em nota, que n\u00e3o permite &#8220;conte\u00fados que coordenem, ameacem, apoiem ou admitam atos que causem danos f\u00edsicos contra\u00a0animais, e removemos tais conte\u00fados quando tomamos conhecimento deles em nossas plataformas.&#8221;<br \/>\nDisse ainda: &#8220;Estamos sempre aprimorando esfor\u00e7os para manter as nossas plataformas seguras e tamb\u00e9m incentivamos as pessoas a denunciarem conte\u00fados e contas que acreditem violar nossas pol\u00edticas atrav\u00e9s das ferramentas dispon\u00edveis dentro dos pr\u00f3prios aplicativos&#8221;.<br \/>\n       View this post on Instagram            A post shared by Luciene  candido (@luh_da_roca_)<br \/>\nYoutube: visualiza\u00e7\u00f5es e lucro milion\u00e1rio<br \/>\nUm artigo cient\u00edfico publicado em 2023 na revista Biological Conservation analisou o fen\u00f4meno crescente do uso de animais silvestres nas redes sociais &#8211; e o consequente lucro para os criadores de conte\u00fado.<br \/>\nA pesquisa foi publicada em 2023 e assinada por Ant\u00f4nio F. Carvalho, Igor O. Morais e Thamyrys B. Souza.<br \/>\nForam analisados cerca de 400 v\u00eddeos no Youtube, de 39 pa\u00edses. Os n\u00fameros mostram o grande interesse por esse tipo de conte\u00fado: somados, os v\u00eddeos tiveram quase 1 bilh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es e 8,5 milh\u00f5es de curtidas.<br \/>\nAo menos 114 v\u00eddeos foram monetizados por 155 anunciantes, e a m\u00e9dia de lucro foi de US$ 10 mil d\u00f3lares (cerca de R$ 56 mil). Crian\u00e7as participaram de 61 produ\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEntre os v\u00eddeos identificados havia exemplos de crueldade expl\u00edcita com animais.<br \/>\nNo caso do Brasil, no entanto, os maus-tratos aparecem de forma mais &#8216;velada&#8217;, avalia o especialista em combate ao tr\u00e1fico de animais silvestres da Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil, Antonio Carvalho.<br \/>\n&#8220;Vimos muitos v\u00eddeos de animais na fila de matadouro e gente que comemora isso. No Brasil o que viraliza mais s\u00e3o v\u00eddeos de animais fofinhos, que aparentemente n\u00e3o demonstram algum tipo de crueldade. O caso da capivara Fil\u00f3 e da jaguatirica s\u00e3o as cerejas do bolo do que o brasileiro gosta de ver.&#8221;<br \/>\nPara o especialista, o primeiro dano causado por esse tipo de conte\u00fado \u00e9 o incentivo ao tr\u00e1fico de animais silvestres. &#8220;Se o influencer est\u00e1 ficando famoso, indo para a televis\u00e3o, quem assiste pensa em fazer a mesma coisa. Consequententemente, muitos outros animais come\u00e7am a ser buscados, para atrair engajamento e entrar nesse c\u00edrculo vicioso.&#8221;<br \/>\nEmbora n\u00e3o haja um sofrimento evidente nesses v\u00eddeos virais com animais silvestres criados como pets, ele avalia que h\u00e1 outros danos n\u00e3o mostrados.<br \/>\n&#8220;No caso da jaguatirica, que vimos recentemente, a quest\u00e3o nutricional estava muito abalada. Isso \u00e9 recorrente. O animal, quando n\u00e3o est\u00e1 em vida livre, quando n\u00e3o est\u00e1 naquele nicho em que a esp\u00e9cie est\u00e1 adaptada, tem todo o sistema imunol\u00f3gico modificado. Quantidade de horm\u00f4nios, de stress, tudo fica mais elevado.&#8221;<br \/>\nCarvalho diz que a cr\u00edtica recorrente ao Ibama acontece porque, \u00e0 primeira vista, parece que est\u00e3o tirando um animal dom\u00e9stico de quem est\u00e1 cuidando, algo distante da realidade. &#8220;Os servidores, via de regra, d\u00e3o a vida para resgatar esses animais.&#8221;<br \/>\nO YouTube, em nota, disse que as diretrizes da comunidade &#8220;pro\u00edbem estritamente v\u00eddeos com maus-tratos a animais.&#8221;<br \/>\n&#8220;\u00c9 importante ressaltar que v\u00eddeos que violam essas diretrizes n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis para monetiza\u00e7\u00e3o. Se identificarmos uma viola\u00e7\u00e3o, o v\u00eddeo \u00e9 removido e o canal pode sofrer penalidades, incluindo a desativa\u00e7\u00e3o da monetiza\u00e7\u00e3o. Investimos continuamente em tecnologia e equipes para aplicar essas pol\u00edticas globalmente. Encorajamos nossa comunidade a denunciar qualquer conte\u00fado suspeito, e todas as den\u00fancias s\u00e3o analisadas&#8221;, diz a plataforma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento feito pela BBC News Brasil identificou ao menos 175 multas do Ibama que citam nomes de redes sociais na descri\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da imagem de animais silvestres Os influenciadores Agenor Tupinamb\u00e1, com a capivara Fil\u00f3, e Luh da Ro\u00e7a, com a jaguatirica Pituca Reprodu\u00e7\u00e3o\/BBC O influenciador digital Agenor Tupinamb\u00e1, de 25 anos, ganhou a aten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em 2023, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) decidiu apreender uma capivara criada por ele como pet, a Fil\u00f3. A apreens\u00e3o aconteceu \u00e0 \u00e9poca porque, segundo o instituto, o animal estaria sendo exibido indevidamente nas redes sociais e criado em condi\u00e7\u00f5es inadequadas. Para o Ibama, ele &#8220;adquiriu seguidores expondo sistematicamente a fauna silvestre em seus perfis de forma irregular, sem licen\u00e7a ambiental para a atividade.&#8221; Tupinamb\u00e1 abriu um processo em que requereu a guarda da capivara, e ganhou. Fil\u00f3 continua com ele at\u00e9 hoje. O juiz disse, na decis\u00e3o, que o animal &#8220;vive em perfeita e respeitosa simbiose com a floresta&#8221; e que &#8220;n\u00e3o \u00e9 a Fil\u00f3 que mora na casa de Agenor, \u00e9 o autor (Agenor) que vive na floresta.&#8221; Advogados do influenciador apresentaram a tese de que ele &#8220;jamais buscou a fama&#8221;, que &#8220;seus seguidores foram chegando aos poucos&#8221; e que a explos\u00e3o de seguidores teria ocorrido depois de um v\u00eddeo viral com Fil\u00f3, &#8220;gerando o efeito natural de ganhos de seguidores e engajamentos.&#8221; O caso catapultou Agenor para al\u00e9m das pr\u00f3prias redes sociais: deu entrevistas a programas de TV e chegou at\u00e9 a ter sua vida amorosa retratada em um texto na revista Caras. Houve at\u00e9 mesmo a apresenta\u00e7\u00e3o de um projeto de lei no ano passado, na C\u00e2mara dos Deputados, batizado com seu nome, que descriminaliza a posse e cria\u00e7\u00e3o de animais silvestres n\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. O projeto aguarda vota\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Passados dois anos desde o epis\u00f3dio, Agenor Tupinamb\u00e1 alcan\u00e7ou a marca de 1,7 milh\u00e3o de seguidores no Instagram e outros 1,8 milh\u00e3o no TikTok, mais do que o dobro do n\u00famero que tinha sido anotado na multa lavrada pelo Ibama, em 2023. Quem visita a p\u00e1gina dele hoje ver\u00e1 mais do que fotos com a capivara ou de sua vida privada. Tupinamb\u00e1 trancou o curso de gradua\u00e7\u00e3o em agronomia, se mudou para um s\u00edtio no interior do Amazonas e passou a trabalhar somente com internet. Levou Fil\u00f3 junto. O influenciador diz que faz hoje publicidade de empresas locais e tamb\u00e9m que assinou contrato anual com um site de apostas. Tupinamb\u00e1 contou \u00e0 BBC News Brasil que recebeu algumas cr\u00edticas depois de ter assinado o contrato (a entrevista pode ser lida aqui). Ao lado da publicidade mais recente est\u00e1 outra foto, tamb\u00e9m destacada no feed, de Tupinamb\u00e1 e Fil\u00f3, com o t\u00edtulo &#8220;#tbt para matar a saudade de vcs&#8221;. Ele afirma, no entanto, que n\u00e3o faz qualquer uso da capivara diretamente nos an\u00fancios. &#8220;Nunca ganhei nada em cima dela, do que eu postava com ela. Depois, meses depois que tudo aconteceu, foi a\u00ed que comecei a trabalhar com a internet&#8221;, disse. Agenor Tupinamb\u00e1 diz que vive hoje com trabalhos na internet Reprodu\u00e7\u00e3o\/BBC &#8216;Mensagem equivocada&#8217; para a sociedade O desfecho do caso da capivara Fil\u00f3 virou uma &#8220;mensagem equivocada&#8221; para o a sociedade e com repercuss\u00e3o at\u00e9 hoje nas redes sociais, nas palavras de um servidor do Ibama. A cada nova apreens\u00e3o de animal silvestre divulgada nas redes s\u00e3o centenas de coment\u00e1rios negativos recebidos. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que envolvem, em geral, outros influenciadores digitais, que divulgam imagens de animais criados como pets, de forma considerada inadequada pelas autoridades. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, muitos lucram com essa exposi\u00e7\u00e3o indevida. Um levantamento feito pela BBC News Brasil identificou ao menos 175 autos de infra\u00e7\u00e3o do Ibama que citam nomes de redes sociais na descri\u00e7\u00e3o da multa e a explora\u00e7\u00e3o da imagem de animais silvestres. Metade foi lavrada nos \u00faltimos cinco anos. Um dispositivo legal de 2008 respalda as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o: segundo o decreto, \u00e9 infra\u00e7\u00e3o ambiental &#8220;explorar ou fazer uso comercial de imagem de animal silvestre mantido irregularmente em cativeiro ou em situa\u00e7\u00e3o de abuso ou maus-tratos&#8221;, o que pode levar a multas de at\u00e9 R$ 500 mil. Macaco-prego \u00e9 alvo constante de tr\u00e1fico de animais silvestres Getty Images\/BBC &#8216;Isso gera curtida&#8217; Para Bruno Campos Ramos, agente ambiental federal e chefe-substituto do N\u00facleo de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Fauna da Diretoria de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, as redes sociais se tornaram uma nova fonte de lucro para fomentar o tr\u00e1fico de animais. &#8220;Quando algum desses influenciadores que tem animal silvestres faz sucesso, a gente at\u00e9 v\u00ea a alegria dos traficantes. \u00c9 como se um artista estivesse divulgando um t\u00eanis, um carro. As pessoas assistem e querem ter um tamb\u00e9m&#8221;, diz. Ele lembrou de um epis\u00f3dio, tamb\u00e9m de repercuss\u00e3o nacional, em que a modelo e apresentadora Nicole Bahls, que tem quase 30 milh\u00f5es de seguidores no Instagram, teve filhotes de macaco-prego apreendidos pelo Ibama depois de t\u00ea-los exibido nas redes sociais. As autoridades descobriram, \u00e0 \u00e9poca, que os documentos que comprovariam a legalidade dos animais eram falsos. O caso desencadeou depois uma opera\u00e7\u00e3o sobre tr\u00e1fico de animais silvestres no Rio. &#8220;\u00c9 uma cadeia em que v\u00e1rias pessoas ganham dinheiro. Tem o advogado, que entra na Justi\u00e7a nas situa\u00e7\u00f5es em que apreendemos os animais para conseguir devolu\u00e7\u00e3o. Tem o influenciador, que ganha repercuss\u00e3o na internet e depois come\u00e7a com patroc\u00ednio de bet [aposta] e monetiza\u00e7\u00e3o de views e curtidas&#8221;, diz. &#8220;Naquela \u00e9poca n\u00f3s apreendemos muitos primatas. Ela [a modelo] teve a consci\u00eancia de ir \u00e0s redes sociais e falar que o Ibama fazia um trabalho excelente, coisa que nem sempre todo mundo faz.&#8221; Bahls chegou a dizer, em entrevista \u00e0 TV Globo, que &#8220;n\u00e3o tinha consci\u00eancia&#8221; de que o documento era falsificado. &#8220;A maior li\u00e7\u00e3o que eu tive sobre animal silvestre, eu acho que mesmo sendo legalizado, n\u00e3o \u00e9 legal. Porque incentiva e causa morte e muita dor no meio desses animais&#8221;, disse. Ramos, do Ibama, avalia que h\u00e1 uma incompreens\u00e3o da sociedade sobre a a\u00e7\u00e3o do instituto. &#8220;Recebemos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":47077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-47076","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47076\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiproject.online\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}